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Prefeito de Patrocínio fala sobre crise no agro

Gustavo Brasileiro citou endividamento, mineração e travamento no crédito rural em entrevista na FENABON, enquanto quatro cidades vizinhas já decretaram emergência econômica.

Prefeito de Patrocínio fala sobre a crise no agro em entrevista na FENABON
Prefeito de Patrocínio fala sobre a crise no agro em entrevista na FENABON

O prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro, comentou em vídeo a crise no agro que atinge o Alto Paranaíba, citando o endividamento dos produtores, a crise no setor de mineração da região e a dificuldade de acesso a linhas de crédito como a MP nº 1.376/2026. A declaração foi dada durante a FENABON, feira do agronegócio realizada em Patrocínio, e publicada pelo perfil @noticiasagricolas no Instagram.

Segundo a publicação, o setor produtivo do Alto Paranaíba enfrenta lavouras devastadas por eventos climáticos, custos operacionais elevados e concorrência de importações com margem de dumping. A isso se soma o que produtores classificam como travamento na aplicação de medidas de crédito federais, caso da MP 1.376/2026, criada justamente para facilitar a renegociação de dívidas rurais.

Vídeo: reprodução @noticiasagricolas.

Quatro cidades decretam emergência em meio à crise no agro

A crise no agro levou quatro municípios vizinhos a Patrocínio a decretar situação de emergência econômica nas últimas semanas: São Gotardo, Ibiá, Rio Paranaíba e Serra do Salitre. Em São Gotardo, o Decreto nº 263 foi assinado em 17 de agosto pelo prefeito Makoto Edison Sekita. Em Ibiá, o Decreto Municipal nº 6.993 é do dia 13 de agosto, assinado pelo prefeito Gilliano Gilles Ferreira. Serra do Salitre publicou o Decreto nº 063/2026 em 18 de agosto. Os decretos valem por 180 dias, prorrogáveis, e servem principalmente para dar respaldo legal a pedidos de renegociação e alongamento de dívidas junto a bancos, cooperativas e fornecedores de insumos.

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Em São Gotardo, o decreto cobre culturas como soja, milho, feijão, café, alho, cebola, batata e cenoura, além da pecuária de leite e de corte. O caso do alho ilustra o tamanho do prejuízo: o produtor recebe em média R$ 11 pelo quilo, enquanto o custo de produção chega a R$ 13,30 em São Gotardo e R$ 16,30 em Ibiá. Na soja, o preço médio pago ao produtor gira em torno de R$ 114 pela saca, contra um custo de nivelamento estimado entre R$ 141 e R$ 146.

A Folha de Patrocínio já havia noticiado a decretação de emergência nos quatro municípios. Patrocínio, por enquanto, não editou decreto próprio, mas a crise no agro afeta a cidade do mesmo jeito: o agronegócio responde por cerca de 80% da economia local.

O que diz a MP 1.376/2026, citada pelo prefeito

A Medida Provisória 1.376, publicada em 15 de julho de 2026, autoriza a criação de linhas de crédito para composição de dívidas rurais, permitindo liquidar ou amortizar operações de crédito e Cédulas de Produto Rural, além de participação da União em um fundo garantidor. O texto mira mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais e CPRs, com foco em produtores que registraram perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com queda de pelo menos 30% na receita bruta esperada por causa de eventos climáticos extremos ou queda no preço dos produtos.

Mesmo com a medida em vigor há mais de um mês, produtores da região relatam dificuldade prática para acessar as novas linhas, o que explica a menção do prefeito ao “travamento na aplicação” das medidas de crédito durante a entrevista na FENABON.

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Gustavo Brasileiro comenta a crise no agro do Alto Paranaíba durante a FENABON
Gustavo Brasileiro fala sobre a crise no agro durante entrevista na FENABON. Vídeo: reprodução @noticiasagricolas.

Mineração também pressiona a região

Ao lado da crise no agro, o prefeito citou a crise na mineração como outro fator de pressão sobre a economia do Alto Paranaíba. Serra do Salitre, um dos municípios que decretaram emergência no campo, também enfrenta uma onda de exonerações na EuroChem, mineradora que extrai fosfato na região e chegou a colocar até 720 postos de trabalho em risco.

Gustavo Brasileiro defendeu, no vídeo, a necessidade de políticas públicas mais eficazes para apoiar os produtores da região. Nem o prefeito nem a organização da FENABON detalharam, até a publicação desta matéria, que medidas concretas devem ser cobradas dos governos estadual e federal além da aplicação da MP 1.376/2026.


Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.


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