As certidões criminais de Lula voltaram ao centro do debate depois que uma checagem de fatos, publicada pelo site O Estopim em 10 de agosto, classificou como enganosa a alegação de que o presidente teria apresentado exatamente 88 documentos do tipo no registro de candidatura. Atualização (15/08/2026): segundo a checagem, esse número específico não foi confirmado de forma independente em nenhuma fonte oficial aberta disponível até o momento da apuração, incluindo o Portal de Dados Abertos do TSE. Os trechos abaixo foram ajustados para refletir essa checagem; onde a informação não pôde ser confirmada de forma independente, isso está indicado no texto.
Circulou nas redes sociais a afirmação de que Lula teria apresentado 88 certidões criminais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no registro da candidatura do petista à reeleição, protocolado pelo PT em 7 de agosto de 2026. O número, segundo publicações que viralizaram, seria treze vezes maior que a média apresentada por outros quatro presidenciáveis analisados no mesmo levantamento, mas essa comparação também não foi confirmada em fonte oficial primária.
A exigência de certidões criminais é obrigatória para qualquer candidato que queira concorrer a um cargo eletivo no Brasil, prevista no artigo 11 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). Os documentos são usados pela Justiça Eleitoral para checar se existem condenações, processos em andamento ou pendências que possam interferir nas condições de elegibilidade do postulante. Certidão criminal não é sinônimo de crime, antecedente criminal ou condenação, e a quantidade de documentos entregues pode variar bastante conforme o número de tribunais e instâncias envolvidos no histórico de vida pública de cada candidato.
Certidões criminais de Lula: o que a checagem encontrou
Segundo publicações que circularam nas redes, o volume de certidões criminais de Lula chamaria atenção pelo contraste com outros concorrentes já registrados, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A checagem de fatos, no entanto, não conseguiu validar esses números específicos a partir de fontes oficiais abertas, o que reforça a recomendação de tratar comparações desse tipo com cautela até que sejam confirmadas diretamente no Portal de Dados Abertos do TSE.
A quantidade de certidões não indica, por si só, nenhuma irregularidade. A exigência é cartorial e documental, e cabe ao TSE analisar o conteúdo de cada certidão antes de deferir ou indeferir o registro da candidatura.
Patrimônio declarado por Lula ao TSE
Além das certidões criminais, o registro de candidatura de Lula ao TSE incluiu a declaração de bens do presidente, que somou R$ 4,8 milhões, queda de cerca de 35,7% em relação aos R$ 7,4 milhões declarados na candidatura de 2022. Do total informado, aproximadamente 69% está concentrado em dois planos de previdência privada (VGBL): um da Brasilprev, avaliado em R$ 1,92 milhão, e outro do Bradesco, de R$ 1,38 milhão.
A comparação com outros nomes já registrados no pleito mostra discrepâncias relevantes. Romeu Zema declarou R$ 178,71 milhões em bens, valor muito superior ao de Lula. Renan Santos informou pouco menos de R$ 800 mil, enquanto Samara Martins (UP) declarou R$ 33 mil. Já o candidato do PSTU, Hertz Dias, não declarou bens. Os valores completos, candidato a candidato, estão disponíveis no levantamento do Poder360 sobre o patrimônio declarado ao TSE.
Registro de candidatura e prazo no TSE
A oficialização da candidatura de Lula à reeleição foi anunciada em evento realizado em 2 de agosto de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. Cinco dias depois, o PT protocolou formalmente o registro no TSE, junto com o programa de governo do partido, documento de 84 páginas dividido em 13 eixos temáticos, com destaque para segurança alimentar, produção agrícola, segurança energética e ampliação de programas de saúde, como o Farmácia Popular.
Partidos, federações e coligações têm até as 19h do dia 15 de agosto de 2026 para concluir o registro de candidaturas junto à Justiça Eleitoral, prazo que vale para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais em todo o país. Até a divulgação dos números sobre certidões criminais de Lula, outros oito candidatos à Presidência ainda não haviam finalizado o envio de suas declarações de bens ao tribunal.
O que acontece depois do registro
Depois de protocolado, o pedido de registro passa por análise do TSE, que pode aceitar, exigir diligências complementares ou, em casos de irregularidade, indeferir a candidatura, decisão sempre sujeita a recurso. A plataforma DivulgaCandContas, do próprio tribunal, permite que qualquer eleitor consulte os bens declarados, as propostas de governo e a situação de cada candidato ao longo do processo eleitoral, incluindo eventuais impugnações apresentadas por adversários ou pelo Ministério Público Eleitoral.
As certidões criminais de Lula devem continuar rendendo debate nas próximas semanas, enquanto o TSE analisa os registros dos demais presidenciáveis para o pleito de outubro de 2026.

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