A definição sobre a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas Gerais ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (28): o Republicanos publicou uma nota cobrando publicamente uma resposta do senador Cleitinho Azevedo, afirmando que a decisão sobre a disputa “nunca aconteceu”, apesar de meses de diálogo entre as partes. A cobrança contrasta com a garantia dada horas antes pelos próprios irmãos do senador, que insistem que ele vai disputar o Palácio Tiradentes.
Partido muda o tom e cobra resposta objetiva
Em nota assinada pelo deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual da sigla, o Republicanos afirma ter oferecido “as condições políticas necessárias” e atraído partidos aliados enquanto aguardava uma posição do senador, chegando a adiar decisões estratégicas para preservar a viabilidade de uma eventual candidatura dele. O texto reforça que o partido “respeita a trajetória e o mandato” de Cleitinho, mas tem o dever de conduzir o projeto político com responsabilidade perante candidatos a deputado, filiados e aliados.

Pettersen já havia atribuído publicamente a ausência de Cleitinho na convenção estadual do partido, realizada em 25 de julho na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ao momento delicado vivido pela família: o irmão caçula do senador, Matheus Augusto Azevedo, morreu em 18 de julho em decorrência de complicações de leucemia. Apesar do gesto de compreensão, a nota publicada agora muda de tom e amplia a pressão para que Cleitinho oficialize a candidatura ou libere o partido a seguir com outro nome, como o do deputado estadual Marcelo Aro (PP), cotado como plano B.

Indefinição contrasta com a movimentação da família Azevedo
A cobrança pública ocorre num momento delicado da corrida eleitoral mineira: Cleitinho lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado, mas segue sem confirmar oficialmente a pré-candidatura. A nota do partido chegou horas depois de os irmãos do senador, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) e o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), afirmarem em entrevista que Cleitinho será candidato ao governo mineiro ao lado do ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como vice. Segundo eles, a decisão já teria sido tomada no fim de semana, mas ainda não foi confirmada pelo próprio senador nem formalizada perante o partido.
O caso também movimenta a articulação de outras siglas: o apoio do PL e do deputado federal Flávio Bolsonaro à candidatura de Cleitinho é dado como certo caso ele oficialize a disputa, o que deve influenciar a convenção estadual do PL. Procurada pela imprensa, a assessoria do senador não respondeu sobre o assunto.
O que a chapa significaria para Patos de Minas e a região
A cotação de Luís Eduardo Falcão como vice na chapa dá à possível candidatura de Cleitinho um componente direto para o Alto Paranaíba: Falcão comandou a prefeitura de Patos de Minas, cidade vizinha a Patrocínio e um dos principais polos da região. Uma chapa com um nome da região concorrendo ao Palácio Tiradentes tende a aumentar o interesse local pela disputa em cidades como Patrocínio, que integram a base eleitoral da dupla.
O calendário eleitoral não deixa muita margem
As convenções partidárias que oficializam candidaturas majoritárias em Minas Gerais precisam se encerrar até 5 de agosto, conforme regras do Tribunal Superior Eleitoral para o pleito de 2026, e o prazo final para o registro de candidaturas é 15 de agosto. Vale lembrar que a janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária, já terminou em 3 de abril: qualquer mudança de sigla a esta altura exigiria uma “justa causa” reconhecida pela Justiça Eleitoral, o que reforça por que o desfecho mais provável para a candidatura de Cleitinho passa por uma definição dentro do próprio Republicanos.
Quem quiser acompanhar outros desdobramentos da política estadual pode conferir a editoria de Política da Folha de Patrocínio.
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