A cerca de um ano das eleições 2026 em Minas Gerais, um racha dentro da base aliada do governador Mateus Simões ganhou contornos mais claros nesta semana. O pré-candidato do Progressistas (PP) ao Senado Federal e ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, afirmou que a federação formada por PP e União Brasil pode deixar de apoiar a reeleição de Simões caso o PSD mantenha a intenção de lançar o senador Carlos Viana como candidato à Casa Alta do Congresso Nacional.

Aro deu a declaração em entrevista ao portal mineiro O Fator, que expõe uma disputa já discutida nos bastidores da política estadual: a briga por espaço na chapa que Simões pretende montar para tentar se manter no Palácio Tiradentes.

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Entenda a disputa por vagas na chapa

Segundo Aro, o incômodo da federação PP/União Brasil está na distribuição das candidaturas dentro do arco de apoio ao governador. Na avaliação dele, seria desproporcional o PSD reivindicar ao mesmo tempo o comando do Executivo estadual, na figura de Simões, hoje ligado ao partido, e uma vaga ao Senado com Carlos Viana, enquanto PP e União Brasil, juntos, ficariam de fora da disputa pela Casa Alta.

“Como o PSD vai ter a vaga de governo e de Senado? Um partido que é metade de PP e União”, questionou o pré-candidato. É esse o argumento que a sigla vem usando para pressionar por mais espaço dentro da aliança.

A tensão tem peso concreto no tabuleiro das eleições 2026 em Minas: além do governo estadual, o pleito do próximo ano vai definir uma vaga ao Senado e toda a bancada mineira na Câmara dos Deputados, uma das maiores do país e, por isso, disputada por praticamente todos os partidos com força na região, incluindo o Triângulo Mineiro.

Aro admite incerteza sobre o rompimento

Apesar do tom de ameaça, Marcelo Aro evitou cravar um rompimento definitivo. Ele reconheceu que um eventual desembarque de PP e União Brasil da base de Simões traria dificuldades para os dois lados: para o governador, que perderia parte da estrutura política dos partidos, e para a própria federação, que ficaria sem palanque estadual consolidado a um ano da eleição.

Questionado sobre qual seria o próximo passo em caso de ruptura, o pré-candidato foi evasivo. Disse não saber ainda qual caminho tomaria caso a aliança com o governo se rompesse de fato. Isso deixa em aberto tanto a permanência quanto uma eventual migração para outro campo político.

Contexto: o tabuleiro das eleições 2026 em Minas

A movimentação chega num momento em que os partidos de Minas Gerais começam a fechar suas contas internas para as convenções partidárias, quando as chapas e alianças oficiais precisam estar definidas por lei. Vagas ao Senado costumam ser um dos pontos mais sensíveis desse processo, já que cada estado elege apenas um senador por vez, o que transforma a candidatura em moeda de troca de peso entre partidos que dividem palanque.

Carlos Viana, cotado pelo PSD para a disputa, e Marcelo Aro, pré-candidato pelo PP, disputam justamente um espaço que não comporta os dois dentro da mesma base. Para o governador Mateus Simões, o desafio é equilibrar essas pressões sem perder pedaços de uma coalizão que, segundo o próprio Aro relatou, já mostra sinais de desgaste faltando mais de um ano para a votação.

Para eleitores de cidades como Patrocínio e do Triângulo Mineiro, o desfecho dessa negociação importa porque ajuda a definir quem vai disputar o governo do estado e a vaga ao Senado com força política suficiente para representar a região em Belo Horizonte e em Brasília. O resultado também deve sinalizar o desenho das coligações que chegam às eleições municipais e estaduais na sequência.

A Folha de Patrocínio acompanha a formação das candidaturas para as eleições 2026 em Minas e vai atualizar esta matéria caso PP, União Brasil ou PSD confirmem oficialmente suas chapas para o Senado e o governo do estado.

Marcelo Aro, pré-candidato do PP ao Senado, fala sobre as eleições 2026 em Minas durante entrevista
Marcelo Aro, pré-candidato do PP ao Senado Federal, durante entrevista em que comentou a possível ruptura da aliança com o governador Mateus Simões. Foto: Reprodução/O Fator

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