Está marcada para o dia 2 de agosto, em São Paulo, a convenção do PT que deve confirmar oficialmente a candidatura de Lula à reeleição. Geraldo Alckmin (PSB) segue como vice na chapa, papel que já ocupa desde 2022, numa aliança que o partido pretende repetir com a mesma fórmula que levou o petista de volta ao Palácio do Planalto.
Convenção do PT marca início oficial da campanha
A convenção do PT vai acontecer no Center Norte, em São Paulo, e é o rito formal que transforma a pré-candidatura de Lula em candidatura registrada perante o partido, passo que antecede o pedido de registro na Justiça Eleitoral. Antes disso, o partido reúne sua Comissão Executiva Nacional nos dias 2 e 3 de julho para decidir a distribuição do fundo eleitoral entre os candidatos da legenda em todo o país. Depois da convenção, o calendário segue direto para o lançamento público da campanha, previsto para 16 de agosto em São Bernardo do Campo, cidade que marcou a trajetória sindical de Lula antes da vida política e onde nasceu politicamente o próprio PT, no fim dos anos 1970. A escolha do local não é acidental: reforça o discurso de origem operária que o partido tenta reativar a cada eleição.

Alckmin repete parceria de 2022
A permanência de Alckmin na chapa não é surpresa. A dupla já havia sido confirmada desde março, e a ideia do PT é repetir a fórmula que, em 2022, levou Lula à vitória por 60.345.999 votos, o equivalente a 50,90% dos votos válidos no segundo turno contra Jair Bolsonaro. Manter Alckmin como vice também sinaliza continuidade na ponte que o PT construiu com setores mais moderados e com parte do empresariado, um dos pilares da aliança que sustentou o governo desde 2023.

Quem é o vice na chapa
Alckmin não é exatamente um aliado histórico do PT. Cofundador do PSDB em 1988, ele governou São Paulo por quatro mandatos, tornando-se o governador que mais tempo ficou no cargo no estado, e disputou a Presidência duas vezes pelo partido tucano: em 2006, quando foi ao segundo turno justamente contra Lula, e em 2018, quando terminou em quarto lugar. A ruptura com o PSDB veio em 2022, quando deixou a legenda para se filiar ao PSB e compor a chapa com o petista na chamada frente ampla contra Jair Bolsonaro. Alckmin tomou posse como vice-presidente em 1º de janeiro de 2023, e agora se prepara para tentar a reeleição na mesma função.
Fundo eleitoral maior e calendário até outubro
Para a eleição de 2026, o PT deve receber cerca de R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral, valor superior aos R$ 499,6 milhões destinados à legenda em 2022, segundo o Poder360. Somado ao teto de gasto por campanha presidencial, o partido deve usar boa parte do limite legal de cerca de R$ 133,4 milhões considerando os dois turnos. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, com um eventual segundo turno em 25 de outubro, caso nenhum candidato alcance maioria absoluta dos votos válidos.
Se confirmada na convenção do PT e, depois, na urna, a candidatura de Lula representaria o quarto mandato presidencial do petista, um recorde inédito na história republicana do país. Até lá, o cronograma dos próximos meses deve concentrar boa parte da movimentação política nacional, entre a definição de vices e coligações estaduais e o início oficial da propaganda eleitoral, sempre acompanhado de perto pelas pesquisas de intenção de voto que devem se intensificar a partir de agosto. Enquanto isso, partidos de oposição também correm contra o tempo para fechar seus próprios nomes e coligações antes do prazo de agosto, movimento que deve se tornar cada vez mais visível conforme a convenção do PT se aproxima.
