A Operação Elli, fase da Polícia Federal que apura lavagem de dinheiro envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, virou motivo de desconforto dentro do Palácio do Planalto. Segundo apurou a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, aliados do presidente Lula leram o nome escolhido pela PF como uma referência indireta ao gesto “Faz o L”, símbolo de campanha ligado ao petismo.

A operação foi deflagrada para cumprir medidas cautelares contra Roberta Moreira Luchsinger, apontada pela Polícia Federal como possível envolvida em movimentações financeiras ilícitas ligadas ao filho do presidente. Documentos da investigação também citam Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura central na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS.

O que apura a Operação Elli

De acordo com trecho de decisão citado pelo Metrópoles, a Polícia Federal afirma que “apurou-se o possível envolvimento de Roberta Moreira Luchsinger, razão pela qual foram requeridas e deferidas medidas cautelares em seu desfavor”. A fase mirou especificamente indícios de lavagem de dinheiro e capitais, área que costuma render nomes de código às operações da corporação, prática que, neste caso, acabou gerando ruído político.

Roberta Luchsinger é apontada por investigadores como intermediária de interesses privados junto a órgãos do governo federal, com proximidade declarada a Lulinha. A Folha de Patrocínio já mostrou, em matéria anterior sobre quem é Roberta Luchsinger, por que a lobista passou a preocupar aliados do PT diante do risco de uma eventual delação premiada.

Os três inquéritos contra Lulinha

A Operação Elli não é o único capítulo em aberto. Fábio Luís da Silva é hoje alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal:

O primeiro, aberto em 30 de julho de 2026 pelo ministro André Mendonça, apura suposto tráfico de influência e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde e a comercialização de cannabis medicinal. O segundo, autorizado no dia seguinte pelo mesmo ministro, investiga se Lulinha influenciou contratos entre uma empresa de tecnologia e a Dataprev, estatal que administra sistemas de informação do governo federal. O contrato somaria cerca de R$ 55,7 milhões. O terceiro inquérito, sob sigilo e autorizado em 4 de agosto de 2026 pelo ministro Flávio Dino, mira um suposto grupo de favorecimento a empresas junto a órgãos federais e cita ainda pagamentos de contas e compra de joias supostamente bancados pela lobista.

As investigações contra Lulinha ganharam força depois que o telefone de Roberta Luchsinger, apreendido na Operação Sem Desconto em dezembro de 2025, revelou mensagens que, segundo a PF, sugerem participação do filho do presidente em articulações de negócios ligadas ao esquema do INSS.

Entenda o caso Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger é o nome que conecta as diferentes frentes de apuração. Lobista com trânsito declarado em áreas do governo federal, ela é suspeita de ter usado essa proximidade para viabilizar negócios privados, incluindo articulações que teriam beneficiado indiretamente Lulinha. A Polícia Federal já havia identificado mensagens em que a lobista tratava da mudança de Fábio Luís da Silva e da família dele para o exterior, ainda em janeiro de 2025, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.

Até a publicação desta matéria, nem o Palácio do Planalto nem a defesa de Lulinha haviam se manifestado publicamente sobre o nome da Operação Elli. Nenhum dos investigados foi condenado. Bloqueios de bens e medidas cautelares são instrumentos processuais que antecedem eventual denúncia e julgamento, não indicam culpa.

Fachada do prédio-sede da Polícia Federal, com o brasão da corporação em destaque, símbolo da Operação Elli
Sede da Polícia Federal em Brasília. Foto: Heitor Carvalho Jorge/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que se sabe até agora

A Operação Elli integra um conjunto maior de apurações que colocam pressão sobre o entorno do presidente Lula às vésperas do período pré-eleitoral de 2026. Além dos três inquéritos no STF, a Operação Sem Desconto segue avançando sobre o esquema de descontos associativos do INSS, com Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes como pontos de convergência entre as duas frentes.

Não há, até o momento, indicação de quando a Polícia Federal deve concluir a fase referente à Operação Elli nem se novas medidas serão solicitadas ao STF.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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