O Partido dos Trabalhadores (PT) chega às eleições de 2026 com o menor número de candidatos de sua história. Segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legenda registrou 1.097 nomes disputando vagas no Legislativo e no Executivo neste ano, o menor patamar desde 1994, ano em que o tribunal começou a detalhar dados por sexo na série histórica de candidaturas.

É a quarta eleição seguida em que as candidaturas do PT recuam: o partido tinha 1.313 candidatos em 2018 e 1.119 em 2022, segundo o mesmo levantamento.

Queda histórica no Legislativo

A retração no número de candidaturas do PT ao Legislativo é puxada quase inteiramente pelos homens. Em 1994, o partido lançou 1.093 candidatos homens; hoje são 693, uma queda de 36,6% no período. Já as candidaturas femininas seguiram trajetória inversa por décadas, saindo de 161 registros em 1994 para um pico de 443 em 2018, mas também recuaram para 404 neste ano, a segunda queda seguida entre as mulheres do partido.

Ainda assim, as mulheres somam 36,7% do total de candidaturas do PT em 2026, a maior proporção da história da legenda, segundo o levantamento.

Palanques estaduais também encolhem

A retração dos palanques estaduais também é o menor registro da história recente do partido. O PT terá apenas 12 candidaturas próprias a governador neste ano. Em 2022, foram 13; já em 2002, ano da primeira vitória presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, a legenda chegou a lançar 25 nomes ao Executivo estadual pelo país.

No Rio Grande do Sul, a redução chama atenção por um motivo específico: é a primeira vez desde a redemocratização que o partido não lança candidato próprio ao governo do estado.

Presidente Lula em evento oficial, contexto da queda nas candidaturas do PT em 2026
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Divulgação

Panorama geral das eleições de 2026

O recuo nas candidaturas do PT acompanha uma tendência mais ampla neste pleito. As eleições de 2026 têm cerca de 20,5 mil candidaturas registradas em todo o país até o momento, uma redução de aproximadamente 30% em relação a 2022, a maior queda da série histórica do TSE, iniciada em 1994.

Entre os fatores explicativos apontados para a queda geral estão o fim das coligações nas eleições proporcionais, o avanço da cláusula de barreira e a formação de novas federações partidárias, que reduzem o número de candidatos ao concentrar siglas menores sob um limite compartilhado de vagas por partido.

Por que o número de candidatos caiu tanto

A cláusula de barreira, um dos fatores citados para explicar a retração geral de candidaturas em 2026, é a regra que exige que um partido atinja um percentual mínimo de votos válidos para ter direito a funcionamento parlamentar pleno, acesso ao fundo partidário e tempo de televisão. Partidos que não atingem o piso têm cada vez menos incentivo para lançar candidaturas em massa, o que reduz o número de nomes nas urnas mesmo em legendas grandes como o PT.

Já as federações partidárias, criadas para durar pelo menos quatro anos, permitem que duas ou mais siglas se unam sob uma única candidatura e um limite compartilhado de vagas, como se fossem um só partido nas eleições proporcionais. Isso tende a concentrar candidaturas em menos nomes por sigla, mesmo quando o número de eleitores e de partidos federados segue crescendo. O efeito combinado desses dois mecanismos ajuda a explicar por que as candidaturas do PT e de boa parte do espectro partidário brasileiro encolheram na comparação com eleições anteriores.

O que se sabe até agora

O TSE ainda não fechou o número definitivo de candidaturas de 2026, já que o prazo de registro de candidaturas segue em análise pela Justiça Eleitoral. Os números das candidaturas do PT e do total nacional podem sofrer pequenos ajustes até a validação final dos registros pelos tribunais eleitorais regionais.

A Folha de Patrocínio já vem acompanhando o andamento da propaganda eleitoral e dos registros de candidatura para 2026, e deve atualizar esta cobertura assim que o TSE divulgar os números consolidados de todos os partidos.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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