Patrocínio vai receber três unidades do Parque Girassol, espaços públicos de lazer projetados para crianças com deficiência e com transtorno do espectro autista. O anúncio foi feito pelo Governo Municipal, que apresentou o projeto como iniciativa de inclusão social.

A proposta transforma áreas públicas em ambientes multissensoriais e acessíveis, com potencial terapêutico, reunindo brincar, aprender e conviver no mesmo lugar.

O que terão os Parques Girassol

Os espaços contarão com brinquedos acessíveis e adaptados, planejados para perfis diferentes de usuários. Entre os equipamentos previstos estão estruturas de escalada, balanços e brinquedos de integração sensorial, além de áreas destinadas a formas variadas de interação.

O projeto prevê circulação acessível, piso adequado, sinalização e recursos de comunicação, com elementos de acessibilidade digital e conteúdos adaptados. São itens que definem se o parque funciona de verdade: um brinquedo adaptado cercado de areia solta, por exemplo, continua inacessível para quem usa cadeira de rodas.

Por que “multissensorial” não é enfeite

Playground comum é projetado para um corpo padrão e para um jeito só de brincar. Criança com autismo costuma buscar estímulo proprioceptivo e vestibular, o que na prática significa balanço, pressão, movimento repetitivo. Criança com deficiência física precisa alcançar o brinquedo sem depender de alguém carregá-la. Criança com deficiência visual precisa de contraste, textura e referência sonora.

Um parque multissensorial resolve isso oferecendo estímulos variados no mesmo espaço, em vez de um canto separado “para crianças especiais”. É essa diferença que o projeto chama de evitar a segregação.

Estrutura de um Parque Girassol com brinquedos adaptados e piso acessível
Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação.

Inclusão de mão dupla

A proposta prevê que os Parques Girassol sejam espaços de convivência para toda a população, favorecendo a interação entre crianças típicas e atípicas e suas famílias. Não é detalhe de redação.

Espaço exclusivo para criança com deficiência tende a virar gueto: funciona, mas mantém a separação que se pretendia combater. Espaço compartilhado e acessível coloca as crianças no mesmo brinquedo, e é aí que a convivência acontece sem precisar ser ensinada.

Entre os objetivos declarados estão estimular autonomia e autoconfiança e ampliar o acesso a recursos que contribuam para o desenvolvimento infantil.

Três unidades, e não uma

A escolha de implantar três parques em vez de um único equipamento central muda o alcance do projeto. Parque de bairro é usado no fim da tarde, a pé, na rotina. Parque único e distante vira passeio de fim de semana, e depende de a família ter carro ou disposição para pegar ônibus com criança.

Para famílias de criança com deficiência, esse detalhe pesa mais. Deslocamento longo com cadeira de rodas, ou com criança que não tolera bem mudança de rotina e ambiente cheio, costuma ser motivo suficiente para não sair de casa.

O que ainda não foi informado

O Governo Municipal não divulgou onde ficarão as três unidades, qual o cronograma de implantação, o custo previsto nem a origem dos recursos. Também não informou se haverá equipe de apoio nos parques ou se o uso será livre.

São informações que fazem diferença para as famílias que vão usar o equipamento, e a Folha atualizará esta matéria quando forem divulgadas. Enquanto o cronograma dos Parques Girassol não sai, o anúncio segue no campo da intenção declarada.

O direito por trás do projeto

A acessibilidade em espaços públicos de lazer não é cortesia, é obrigação legal. A Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, estabelece que equipamentos urbanos de uso coletivo devem ser acessíveis. A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, de 2012, garante à pessoa com autismo o acesso a ações e serviços de lazer em igualdade de condições.

Informações sobre direitos da pessoa com deficiência estão reunidas no portal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Quando entregues, os três Parques Girassol somam-se aos poucos equipamentos públicos da cidade pensados desde o projeto para receber criança com deficiência, em vez de adaptados depois. Outras notícias do município estão na editoria de Cidade.


Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.