O padre Kelmon, pré-candidato a deputado federal por São Paulo pelo PL, usou as redes sociais para responder a Gilberto Kassab depois que o presidente do PSD afirmou que o centrão está alinhado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Padre Kelmon rebate Kassab com uma pergunta direta: se o centrão realmente está com Lula, qual seria a chance real de o país mudar de rumo com o petista no poder novamente.

O que disse Kassab sobre o centrão

A declaração que motivou a resposta foi dada por Kassab na noite de 13 de agosto, durante um evento reservado com empresários no centro de São Paulo. Segundo reportagens do O Tempo e da CNN Brasil, o presidente do PSD, hoje candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, disse discordar da ideia de que os partidos do centrão estejam neutros na disputa presidencial: “Eu discordo que os partidos de centro, que é o centrão, estejam neutros. Eu acho que eles estão com o Lula”, teria afirmado. Kassab também classificou como “zero” a chance de Flávio Bolsonaro vencer a eleição.

Legendas como União Brasil, PP e Republicanos, cortejadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), oficializada em julho, preferiram se declarar neutras diante do cálculo político de que Lula parte na frente na disputa.

Como Padre Kelmon rebate Kassab

Em publicação nas redes, Padre Kelmon rebate Kassab com a pergunta: “Se o centrão está com Lula, como diz Kassab, qual a possibilidade desse país mudar para melhor com Lula novamente?”. Para o padre, hoje um dos nomes mais conhecidos do PL fora do núcleo Bolsonaro, este seria o momento decisivo para o país mudar de rumo. Ele alertou para os riscos de manter um modelo político que, na visão dele, não entrega as transformações necessárias à população, e pediu mobilização eleitoral em 2026.

Padre Kelmon e Gilberto Kassab lado a lado, ilustrando o momento em que Padre Kelmon rebate Kassab sobre o centrão
Padre Kelmon e Gilberto Kassab. Fotos: TSE/candidaturas 2022 e 2026

Quem é Padre Kelmon

Kelmon Luís da Silva Souza ganhou projeção nacional em 2022, quando assumiu a cabeça de chapa do PTB à Presidência depois que o TSE indeferiu a candidatura de Roberto Jefferson. Recebeu pouco mais de 81 mil votos no primeiro turno daquele ano, cerca de 0,07% dos votos válidos, terminando a disputa em sétimo lugar. Antes de se aproximar do campo bolsonarista, chegou a ser filiado ao PT na Bahia entre 2002 e 2009. Filiou-se ao PL em agosto de 2024 e, em 2026, anunciou pré-candidatura a deputado federal por São Paulo, dizendo que a decisão atende a um “chamado de Deus”.

Já Kassab é uma figura histórica do centro político paulista: foi prefeito de São Paulo, ministro em governos de partidos diferentes e é hoje o principal articulador do PSD, legenda que ele próprio fundou em 2011. Sua fala sobre o centrão reacende justamente a disputa que Padre Kelmon rebate Kassab publicamente: até que ponto os partidos de centro, historicamente pragmáticos, vão se posicionar antes das eleições de outubro.

O cenário eleitoral de 2026

O episódio se soma a um quadro de fragmentação e disputas internas no campo à direita, que inclui movimentações recentes como a liminar de Pablo Marçal para retornar ao PRTB e a filiação de nomes bolsonaristas históricos ao PL. Do outro lado, a fala de Kassab reforça a leitura de que legendas tradicionalmente pragmáticas tendem a evitar embates diretos com o governo em ano eleitoral, mesmo sem declarar apoio formal.

Para acompanhar outros desdobramentos da corrida presidencial, veja a cobertura da editoria de Política da Folha de Patrocínio.

Segundo apurou a CNN Brasil, a fala de Kassab foi feita em um evento privado com empresários e rapidamente repercutiu entre lideranças da direita, que cobram um posicionamento mais claro dos partidos de centro antes do início oficial da campanha.


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