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Operação Rejeito aguarda decisão do TRF6 para avançar

Passados quase dois meses do indiciamento de 34 pessoas, a Operação Rejeito espera decisão da Justiça sobre dividir o processo em novas frentes de investigação.

Agente da Polícia Federal em ação de campo da Operação Rejeito contra mineração ilegal em Minas Gerais
Agente da Polícia Federal em ação de campo da Operação Rejeito contra mineração ilegal em Minas Gerais

A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um esquema bilionário de corrupção ligado à mineração ilegal em Minas Gerais, chegou a um novo ponto de virada. Passados quase dois meses desde que a PF indiciou 34 pessoas no relatório conclusivo do caso, o processo agora aguarda uma decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) para saber se será desmembrado.

O pedido de desmembramento partiu da própria Polícia Federal. A ideia é permitir que o núcleo central da organização criminosa já identificada seja processado enquanto novas frentes de investigação, sobre fatos autônomos e terceiros ainda não formalmente indiciados, avancem em paralelo, sem travar o andamento da parte do caso que já está pronta para seguir à Justiça.

O que é a Operação Rejeito

A primeira fase da Operação Rejeito foi deflagrada em 17 de setembro de 2025, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). Foram cumpridos 79 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de prisão preventiva, além do afastamento de servidores públicos e do bloqueio de ativos estimados em R$ 1,5 bilhão.

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Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado corrompia servidores de órgãos estaduais e federais de meio ambiente e mineração, entre eles a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), para obter licenças e autorizações fraudulentas. O esquema teria viabilizado projetos de extração de minério de ferro e manganês em áreas protegidas e tombadas de Minas Gerais, entre elas a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto. Uma segunda fase da operação, mais recente, apurou uma tentativa do grupo de monitorar autoridades, incluindo um juiz federal, para dificultar o avanço das investigações.

Policial da Polícia Federal em operação de campo relacionada à Operação Rejeito
Agente da Polícia Federal em ação de campo ligada à apuração de crimes de mineração ilegal em Minas Gerais · Foto: Divulgação/PF

Os indiciados e o esquema apurado

No relatório final entregue à Justiça, a Polícia Federal aponta os empresários Alan Cavalcante do Nascimento e Helder Adriano de Freitas, além do ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages, como líderes do esquema. Ao todo, 34 pessoas foram indiciadas por crimes que vão de organização criminosa e lavagem de dinheiro a corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica, entre elas servidores públicos acusados de manipular pareceres técnicos, licenças ambientais e decisões de colegiados em favor do grupo.

A investigação também identificou uma rede de dezenas de empresas ligadas à mineração, usada, segundo a PF, para ocultar patrimônio e dissimular a origem dos recursos movimentados pelo esquema. A Polícia Federal relaciona a estrutura investigada a uma operação anterior, a Poeira Vermelha, deflagrada em 2020, ponto de partida que teria dado origem à rede posteriormente desarticulada pela Operação Rejeito.

Por que a Operação Rejeito pode ser desmembrada

Na prática, separar as frentes de investigação facilitaria o compartilhamento de provas entre a Polícia Federal e outros órgãos de controle, como a própria CGU, a Receita Federal e o Ministério Público estadual, permitindo que processos administrativos e disciplinares contra os envolvidos corram de forma independente da ação penal. Pessoas próximas à apuração avaliam que, sem o desmembramento, a etapa já concluída da Operação Rejeito, com os 34 indiciamentos formalizados, corre o risco de ficar represada à espera das novas diligências.

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Um fator que pode complicar o rito processual é a existência de investigados com foro por prerrogativa de função. A Operação Rejeito já chegou ao nome de um deputado federal apontado como sócio indireto de uma empresa com vínculos societários a companhias investigadas no esquema. Por causa disso, a 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte declinou da competência ao Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2025, por cautela. A própria Polícia Federal, no entanto, argumentou à época não haver qualquer elemento que vinculasse o parlamentar às condutas criminosas apuradas ou à estrutura da organização.

Próximos passos

Agora, a palavra final sobre o desmembramento cabe ao TRF6, tribunal criado para assumir as competências da Justiça Federal em Minas Gerais. Se a Corte aceitar o pedido da Polícia Federal, novos inquéritos poderão ser abertos para investigar outras pessoas, empresas e irregularidades ainda não identificadas de forma conclusiva no curso da Operação Rejeito, sem atrasar o trâmite da fase já concluída, que envolve os 34 indiciados apontados pela corporação.

A Folha de Patrocínio acompanha o desdobramento do caso, entre outras apurações da editoria Policial, e deve atualizar esta matéria assim que o TRF6 decidir sobre o pedido de desmembramento da Operação Rejeito.


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