Duas crianças mortas em São Paulo, de 3 e 5 anos, foram encontradas dentro de um carro na manhã deste domingo (9), Dia dos Pais, na Zona Sul da capital paulista. Segundo a Polícia Civil, o próprio pai das meninas confessou o crime e foi preso em flagrante por duplo homicídio e violência doméstica.

De acordo com o boletim de ocorrência, Breno de Souza Castro, de 24 anos, se apresentou espontaneamente no 48º Distrito Policial, em Cidade Dutra, e disse aos policiais que havia matado as filhas. Ele indicou o endereço onde havia deixado o veículo, na Rua Luiz Supertti, no Jardim Guanabara. O caso das duas crianças mortas em São Paulo foi registrado no 101º Distrito Policial, no Jardim das Imbuias.

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Como as crianças mortas em São Paulo foram encontradas

Ao chegarem ao local indicado, os policiais militares precisaram quebrar o vidro traseiro de um Renault Clio para ter acesso ao interior do veículo. As duas crianças já estavam sem vida, e uma equipe do Samu compareceu ao endereço para confirmar os óbitos.

A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito por duplo homicídio e solicitou exames ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal para apurar a causa exata das mortes. A Secretaria da Segurança Pública informou que a investigação segue em andamento para esclarecer a dinâmica completa do crime, incluindo o exame do celular do pai e a oitiva de familiares.

Ameaças antes do crime

Segundo relatos da mãe das crianças, repercutidos por diferentes veículos de imprensa, o pai buscou as filhas na tarde de sábado (8) e, horas depois, passou a fazer ligações com ameaças a ela. Um familiar teria sido avisado por Breno de que ninguém mais veria as crianças. A Polícia Civil ainda não confirmou oficialmente o teor dessas ligações como parte do inquérito.

Casos como o das duas crianças mortas em São Paulo reacendem a discussão sobre sinais de alerta em situações de violência doméstica que antecedem crimes contra filhos, especialmente quando há histórico de ameaças usando os próprios filhos como forma de controle sobre a ex-companheira. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, casos de violência letal contra crianças costumam ocorrer dentro do núcleo familiar, e ameaças prévias contra a mãe ou os filhos aparecem com frequência no histórico de casos julgados posteriormente como feminicídio ou homicídio qualificado.

O que diz a lei nesses casos

No Código Penal brasileiro, matar filho ou filha é considerado crime hediondo quando praticado com uso de meio cruel ou contra vítima menor de 14 anos, o que costuma resultar em pena mais severa do que o homicídio simples. Desde 2022, a chamada Lei Henry Borel também obriga profissionais de saúde e assistência social a notificar imediatamente qualquer suspeita de violência contra crianças e adolescentes, ainda que o caso não envolva flagrante indício de risco iminente.

A defesa de Breno de Souza Castro ainda não havia sido constituída até a publicação desta reportagem. Ele permanece preso à disposição da Justiça, e a expectativa é de que a Polícia Civil conclua o inquérito nas próximas semanas, com o caso devendo seguir depois para o Ministério Público de São Paulo.

Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a maior parte dos homicídios de crianças pequenas no Brasil acontece dentro de casa e é cometida por um dos pais ou responsáveis, geralmente após episódios anteriores de violência doméstica que não chegaram a ser formalmente denunciados. É esse padrão que volta a ser discutido a cada novo caso de crianças mortas em São Paulo ou em outras capitais, reforçando a importância de levar ameaças a sério, mesmo quando partem de um dos genitores.

Viatura da Polícia Civil de São Paulo, imagem ilustrativa do caso das crianças mortas em São Paulo
Viatura da Polícia Civil de São Paulo (imagem ilustrativa). Foto: Wikimedia Commons

Onde buscar ajuda

Vítimas de violência doméstica ou pessoas que identificarem sinais de risco contra crianças podem acionar o Disque 100 (Direitos Humanos) ou o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), serviços gratuitos e disponíveis 24 horas em todo o Brasil. Em caso de risco imediato, o contato deve ser feito diretamente com a Polícia Militar, pelo telefone 190.

A Folha de Patrocínio segue acompanhando outros casos do tipo na editoria de Policial, com apuração baseada sempre em boletins de ocorrência e informações oficiais da Polícia Civil.