O deputado federal Nikolas Ferreira, principal liderança do PL em Minas Gerais, tentou nos últimos dias convencer Romeu Zema (Novo) a trocar a candidatura à Presidência da República por uma vaga ao Senado. A proposta de Zema no Senado foi apresentada por telefone na terça-feira (4/8) e incluía uma reorganização completa do tabuleiro eleitoral em Minas Gerais, mas esbarrou na recusa do ex-governador.
Segundo apuração do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, Nikolas ligou diretamente para Zema e propôs que ele abrisse mão da corrida presidencial para disputar o Senado Federal, cargo em que, segundo o parlamentar, teria eleição tranquila. Em troca, o PL desistiria de lançar candidato próprio ao governo de Minas Gerais e apoiaria a reeleição do atual governador, Mateus Simões (PSD), afilhado político de Zema.

O que estava em jogo na proposta de Zema no Senado
A engenharia política de Nikolas ia além da troca de cargo. A proposta reservava ao PL o direito de indicar o vice na chapa de Mateus Simões, e o nome mais cotado para a vaga era o do empresário Flávio Roscoe. Depois que o acordo não avançou, Roscoe acabou sendo lançado pelo próprio PL como candidato a governador de Minas Gerais, e não mais como vice de Simões.
A lógica por trás da articulação também mirava a disputa nacional. Segundo a avaliação de aliados de Nikolas, a saída de Zema da corrida presidencial faria os votos do ex-governador migrarem diretamente para Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno, fortalecendo o projeto da família Bolsonaro à Presidência.
Zema rejeita o acordo
Apesar da pressão, Zema rejeitou a proposta e reafirmou que mantém a candidatura ao Palácio do Planalto. Lideranças do próprio partido Novo também tentaram convencê-lo a aceitar o arranjo regional, mas o ex-governador permaneceu irredutível.
A recusa tem um efeito prático relevante: com o fim do prazo para as convenções partidárias nesta quarta-feira (5/8), a legislação eleitoral encerrou as alternativas regionais para o político. Zema ainda pode desistir da candidatura presidencial a qualquer momento do processo eleitoral, mas já não pode mais migrar para concorrer a outro cargo em 2026, como o Senado, mesmo que mude de ideia.

Por que Nikolas está no centro da articulação
Nikolas Ferreira desponta como a principal liderança do PL em Minas Gerais e vem recebendo pressão do próprio senador Flávio Bolsonaro para disputar o governo do estado no lugar de Mateus Simões. Em entrevista ao podcast Café com Ferri, o deputado descartou a hipótese, classificando uma eventual candidatura própria ao Executivo mineiro como “um prato cheio para a esquerda” e afirmando preferir dedicar 2026 à “construção de base e de relacionamentos” no estado.
É nesse contexto que a articulação para tirar Zema no Senado ganha sentido. Sem topar concorrer ao governo, Nikolas buscou uma solução que evitasse dividir o eleitorado de direita mineiro entre candidaturas concorrentes, ao mesmo tempo que abria caminho para o PL disputar o Senado com um nome forte e ajudava a consolidar Flávio Bolsonaro como opção única da direita à Presidência.
Um capítulo a mais na disputa mineira
O episódio se soma a uma sequência de movimentações que vêm redesenhando o tabuleiro eleitoral de Minas Gerais nos últimos dias, com o PL, o PSD de Mateus Simões e o Republicanos de Cleitinho Azevedo disputando espaço e alianças antes do prazo final de registro de candidaturas, em 15 de agosto.
Enquanto Zema segue como pré-candidato ao Planalto pelo Novo, sem ter aceitado a ideia de Zema no Senado, a corrida ao governo de Minas Gerais caminha para ficar sem a participação direta do ex-governador, que via em Mateus Simões, seu ex-secretário e sucessor no cargo, a continuidade do projeto político que construiu no estado desde 2019.
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