Eleitores insatisfeitos lançaram nesta quarta-feira (5) um movimento de boicote ao Republicanos nas redes sociais do partido, depois que a legenda decidiu não lançar a candidatura do senador Cleitinho ao governo de Minas Gerais. Sob o mote “Sem Cleitinho, sem voto”, o protesto tomou conta dos comentários de uma publicação sobre a convenção nacional do partido.

O movimento “Sem Cleitinho, sem voto”

A publicação do Republicanos sobre a convenção nacional, realizada em Brasília, passou de mil comentários em poucas horas, a maioria cobrando a volta da candidatura de Cleitinho ao Palácio da Liberdade. Entre as mensagens que mais se repetiram nos comentários estão frases como “se não lançar Cleitinho, vamos boicotar vocês” e “o povo mineiro quer o Cleitinho, ele está com a eleição ganha”. Outro comentário recorrente descrevia o partido como “o primeiro que prefere perder a vencer, por puro ego”.

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Marcos Pereira, presidente do Republicanos, envolvido no boicote ao Republicanos por causa da candidatura de Cleitinho
Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, tentou reverter a saída de Cleitinho da disputa em Minas Gerais. Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

Quem é Cleitinho

Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho, tem 44 anos e é natural de Divinópolis. Entrou na vida pública em 2016, quando foi eleito vereador na cidade natal. Em 2018, disputou e venceu uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O ápice da carreira veio em 2022, quando se elegeu senador com 4,26 milhões de votos, um dos mais votados do estado naquele pleito.

Por que os eleitores estão insatisfeitos

Cleitinho vinha aparecendo à frente nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais antes de anunciar, em 3 de agosto, que não disputaria a eleição. O senador citou dificuldades pessoais ligadas à morte do irmão, Matheus Azevedo, ocorrida em julho. No dia seguinte ao anúncio, ele voltou atrás e pediu à cúpula do partido para retomar a candidatura, mas a Executiva Nacional do Republicanos manteve a decisão de não lançar o nome dele. Foi essa recusa, e não a desistência original de Cleitinho, que motivou o boicote ao Republicanos que tomou conta das redes do partido nesta quarta-feira.

Segundo relatos que circularam nos próprios comentários da publicação, o presidente do partido, Marcos Pereira, chegou a conversar por cerca de cinco horas com Cleitinho na tentativa de reverter a decisão antes de comunicar oficialmente que a candidatura não seria retomada.

Onde a novela política deixou o Republicanos em Minas

Sem Cleitinho, o Republicanos ficou sem candidato próprio ao governo de Minas Gerais, abrindo espaço para que outro partido ocupasse essa disputa, como a Folha de Patrocínio mostrou nesta mesma quarta-feira sobre a confirmação de Flávio Roscoe como candidato do PL ao governo mineiro. A saga também já passou por uma reviravolta anterior: um dia depois de anunciar a desistência por luto, Cleitinho discursou na convenção nacional do Republicanos em Brasília pedindo publicamente a volta da própria candidatura, episódio que a Folha de Patrocínio também acompanhou. A recusa da Executiva Nacional em atender a esse pedido, mesmo depois do apelo público do senador, é o que hoje alimenta a insatisfação por trás do boicote ao Republicanos nas redes.

O que o boicote ao Republicanos ainda não resolve

Ameaças de boicote em comentários de rede social não têm efeito jurídico sobre a legenda nem obrigam o partido a rever a decisão sobre a candidatura ao governo de Minas. Também não há, até o momento, posicionamento oficial do Republicanos sobre o volume de reações negativas, nem sinal de que a Executiva Nacional vá reabrir a discussão. Falta ainda saber se esse desgaste eleitoral vai se refletir em outras candidaturas do partido no estado, incluindo a disputa por vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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