A articulação por Cleitinho dentro do Republicanos segue em curso mesmo depois de a Executiva Nacional do partido rejeitar, nesta terça-feira (4), o pedido do senador para retomar a candidatura ao governo de Minas Gerais. Um grupo de lideranças da direita, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, vem tentando reverter a decisão.

O veto de Marcos Pereira e a resposta de bastidores

O impasse começou na manhã de terça, durante a convenção nacional do Republicanos em Brasília, quando Cleitinho voltou a pedir formalmente a candidatura ao governo mineiro. O presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira, reiterou o veto que já havia sido colocado dias antes, mantendo fechada a porta para o retorno do senador à disputa pela cadeira do Palácio da Liberdade.

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A resposta veio ainda no mesmo dia, segundo apuração do jornal O Tempo. Uma reunião por videoconferência juntou Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro e Marcelo Aro para discutir uma saída para o impasse. Nos bastidores, além de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão também vem atuando para tentar destravar a candidatura de Cleitinho junto à cúpula nacional do partido.

Montagem com Cleitinho, Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro, Marcelo Aro e Tarcísio de Freitas, nomes envolvidos na articulação por Cleitinho
Cleitinho, Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro, Marcelo Aro e Tarcísio de Freitas: os nomes por trás da articulação por Cleitinho. Fotos: Agência Senado, Agência Câmara e Governo de São Paulo (Wikimedia Commons, CC BY)

Um acordo maior em jogo: frente ampla da direita em Minas

Por trás da movimentação está um projeto mais amplo: costurar uma frente única da direita mineira para 2026, capaz de evitar a pulverização de votos entre candidatos concorrentes. A articulação por Cleitinho, nesse desenho, não é isolada. Ela caminha junto com conversas para acomodar outros nomes da base aliada em cargos como vice ou no Senado, de forma a manter o bloco coeso até outubro.

Enquanto essa negociação avança, o Republicanos e o PL discutem um plano alternativo: fechar uma aliança em torno de Marcelo Aro para a cabeça de chapa ao governo de Minas, caso o veto a Cleitinho se confirme de forma definitiva. Isso colocaria o próprio Aro, hoje um dos que articulam pela volta do senador, na posição de eventual substituto dele na disputa.

Do luto à tentativa de volta: relembre a semana

A novela em torno da candidatura de Cleitinho ganhou contornos dramáticos nos últimos dias. No domingo (3), o senador anunciou que desistia de disputar o governo de Minas, citando a morte do irmão como motivo para se afastar da corrida eleitoral. Menos de 24 horas depois, durante a convenção nacional do partido em Brasília, ele voltou atrás e pediu formalmente a retomada da pré-candidatura, alegando ter passado por um momento de fragilidade emocional.

A oscilação expôs uma divisão dentro do próprio Republicanos sobre o nome mais competitivo para enfrentar o cenário eleitoral mineiro. Enquanto parte da cúpula nacional resiste a reverter o veto, aliados de peso na política de Minas e em Brasília apostam que a candidatura de Cleitinho ainda tem força suficiente para seguir na disputa, mesmo após o entrave desta terça-feira.

Quem é Cleitinho e por que seu nome pesa em Minas

Cantor de pagode antes da vida pública, Cleitinho Azevedo se elegeu senador por Minas Gerais em 2022 com votação expressiva, apostando numa comunicação direta com o eleitor pelas redes sociais. Desde então, construiu uma base de apoio popular que hoje é vista pela ala mais próxima do agronegócio e do eleitorado conservador do estado como um dos ativos mais competitivos do campo da direita mineira, o que ajuda a explicar por que nomes de peso nacional, como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, decidiram investir tempo político tentando reverter o veto interno do próprio partido.

O que vem a seguir

Até a publicação desta matéria, o Republicanos não havia anunciado uma decisão final sobre o caso. A expectativa é de que novas conversas entre a executiva nacional do partido e os articuladores da candidatura de Cleitinho aconteçam nos próximos dias, com a definição do nome à frente da chapa mineira do partido esperada para as próximas semanas, à medida que o prazo para o registro das candidaturas se aproxima.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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