A Câmara Municipal de Três Marias começou nesta semana a fase de intimações da Comissão Processante aberta contra a gestão do prefeito Danilo Barbosa Rezende (Republicanos). O anúncio, feito pelo vereador Flávio Adriano, conhecido como “Tatu”, presidente da comissão, acontece num momento em que a crise fiscal em Três Marias já levava a prefeitura a cortar benefícios de servidores para tentar equilibrar as contas públicas.

O que diz a Comissão Processante

Em pronunciamento nesta terça-feira (4), Flávio Adriano afirmou que a comissão se reuniu com a assessoria jurídica da Câmara e decidiu intimar as pessoas envolvidas no processo. Segundo ele, quem já foi ouvido na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada anteriormente terá que prestar depoimento outra vez, agora dentro da Comissão Processante (CP).

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“Eu, como presidente da CP, da Comissão Processante, eu só vim explicar para a população o que realmente está acontecendo”, disse o vereador, destacando que o rito seguirá o Decreto-Lei nº 201, de 1967, norma federal que disciplina os processos por crime de responsabilidade contra prefeitos e vice-prefeitos.

Flávio Adriano reconheceu a pressão da população por respostas. “As pessoas ligam e procuram, e estão com razão, as pessoas têm direito de saber realmente o que está acontecendo”, afirmou, prometendo que a comissão vai agir “com independência total, seja do nosso lado, seja do outro lado”, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa aos investigados.

Como a crise fiscal em Três Marias chegou até aqui

O aperto nas contas públicas do município não é um fato novo. Ao longo de 2025, a prefeitura chegou a divulgar uma circular interna propondo a redução de benefícios pagos a servidores, como auxílio-funeral e ajuda de custo para tratamento de saúde fora da cidade, sob a justificativa de conter gastos e equilibrar o orçamento municipal.

É nesse cenário de aperto financeiro que se soma o processo político contra o Executivo. Em janeiro de 2026, o ex-procurador-geral do município, Bruno Rafael Souza Nascimento, protocolou uma representação formal na Câmara pedindo a abertura de uma CPI e um processo de cassação do mandato de Danilo Barbosa Rezende. Segundo o documento, a representação se baseia em quatro eixos: suspeita de nepotismo na nomeação de parentes diretos do prefeito e de uma secretária municipal, uso de empresas de fachada em contratos com a prefeitura e possível desvio de verba destinada à publicidade institucional.

Entenda as acusações contra a prefeitura

A crise fiscal em Três Marias ganhou contornos ainda mais graves em junho de 2026, quando a Justiça afastou Danilo Barbosa Rezende do cargo depois de uma operação que apura suspeitas de fraude em contratos e lavagem de dinheiro na administração municipal, segundo reportagem do jornal O Tempo. O caso é uma continuidade da Operação Hipócrates, que já havia levado buscas e apreensões contra o prefeito e outros 29 investigados em Três Marias.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também move uma ação por improbidade administrativa contra o prefeito, acusando-o de não cumprir uma decisão judicial, de acordo com nota oficial do próprio órgão. Ao todo, cerca de 40 procedimentos extrajudiciais envolvendo a administração municipal tramitam no MPMG, conforme o Ministério Público informou.

Danilo Barbosa Rezende ainda não foi condenado em nenhum desses processos. Cabe à Comissão Processante da Câmara, e à Justiça nos casos que correm fora do Legislativo, apurar os fatos com direito à ampla defesa antes de qualquer decisão final sobre cassação de mandato ou responsabilização criminal.

Crise fiscal em Três Marias: vereador Flávio Adriano durante pronunciamento sobre a Comissão Processante
Vereador Flávio Adriano, presidente da Comissão Processante da Câmara de Três Marias, durante pronunciamento sobre o andamento do processo. Foto: Reprodução/RádioTV87.

Os próximos passos do processo

Segundo o presidente da Comissão Processante, as intimações às pessoas envolvidas devem ocorrer ainda esta semana. Depois disso, a comissão vai marcar as oitivas, quando os envolvidos e testemunhas serão ouvidos formalmente. Flávio Adriano afirmou que pretende voltar a se comunicar com a população à medida que o processo avançar.

Enquanto o rito na Câmara segue seu curso, a crise fiscal em Três Marias continua sendo sentida no dia a dia da administração municipal: o orçamento segue sob pressão, e parte dos benefícios de servidores está reduzida desde o ano passado. A Folha de Patrocínio volta a publicar assim que a comissão concluir as oitivas ou anunciar novos passos do processo.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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