A crise no Republicanos ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (4). O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), começou a exonerar servidores comissionados ligados a deputados estaduais do partido, em publicação no Diário Oficial do Estado. O movimento pegou de surpresa parlamentares e dirigentes da legenda, que já vinham lidando com o vaivém do senador Cleitinho Azevedo sobre a candidatura ao governo mineiro.
Segundo apuração da Folha, os primeiros desligamentos atingem nomes indicados por deputados da bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Novas exonerações devem ser publicadas nos próximos dias, à medida que o Palácio Tiradentes reorganiza cargos de confiança na administração estadual.

Por trás da crise no Republicanos: o recuo de Cleitinho
O estopim mais recente da crise no Republicanos foi a instabilidade em torno da candidatura de Cleitinho ao Palácio da Liberdade. Na segunda-feira (3), o senador anunciou que desistia da disputa pelo Executivo estadual. Menos de 24 horas depois, mudou de posição e voltou a dizer que pretende concorrer em 2026.
Apesar do recuo do senador, a cúpula nacional do partido optou por manter o rumo já traçado. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, chegou a classificar a candidatura de Cleitinho como “página virada”, dando a entender que a legenda segue avaliando alternativas para a sucessão estadual, mesmo com o gesto de reaproximação do senador.
Esse ambiente de desconfiança mútua entre o Palácio Tiradentes e a bancada do Republicanos parece ter influenciado a decisão de Simões de rever nomeações ligadas ao partido, num momento em que as articulações para 2026 ainda estão em aberto.
Quem são os deputados afetados pela crise no Republicanos
O Republicanos tem hoje cinco representantes na Assembleia Legislativa de Minas Gerais: Carlos Henrique, Charles Santos, Lud Falcão, Mauro Tramonte e Neilando Pimenta. São indicações políticas ligadas a esses parlamentares que estão entre os primeiros nomes desligados da máquina estadual nesta rodada.
O caso de Lud Falcão chama atenção por não ser inédito. Aliados da deputada já haviam sido exonerados da administração estadual em janeiro deste ano, após um desentendimento dela com Mateus Simões, período em que o governo ainda era comandado por Romeu Zema (Novo), antes de Simões assumir o cargo. A repetição do movimento, agora em agosto, reforça a leitura de que a relação entre o Palácio Tiradentes e parte da bancada do Republicanos segue desgastada.
Racha também atinge o grupo de Marcelo Aro
A crise no Republicanos não é a única frente de tensão dentro do governo estadual. Depois que Cleitinho gravou o vídeo comunicando a desistência da candidatura, o partido passou a articular a reabertura de conversas com o ex-secretário Marcelo Aro (PP), hoje rompido com Simões. A federação formada por União Brasil e PP discute lançar Aro como opção para a disputa estadual, num rearranjo que mistura os dois grupos afastados do governador.
Aro também teve aliados exonerados do Executivo estadual nas últimas semanas. Entre eles está Castellar Guimarães Neto, que comandava a Secretaria de Estado de Governo e foi substituído por Juliano Fisicaro Borges. A reorganização de cargos comissionados ligados ao grupo de Aro já vinha sendo tratada como uma faxina de grandes proporções no funcionalismo estadual, e agora parece se estender também a indicados do Republicanos.
O que esperar dos próximos dias
Com novas publicações no Diário Oficial previstas, a tendência é que o número de exonerados ligados ao Republicanos cresça nos próximos dias. Ao mesmo tempo, o partido segue sem definir publicamente se vai bancar Cleitinho até o fim do processo eleitoral ou se vai priorizar uma aliança em torno de Marcelo Aro para a sucessão estadual.
O desfecho da crise no Republicanos deve depender tanto da articulação interna do partido em Brasília quanto da disposição do governador Mateus Simões de reconstruir pontes com deputados que, até poucos meses atrás, integravam a base aliada do Executivo mineiro.

Para acompanhar os desdobramentos anteriores dessa disputa política, a Folha já cobriu a saída de Marcelo Aro do governo estadual, a desistência da candidatura de Cleitinho e o retorno do senador à corrida pelo Palácio da Liberdade. Mais detalhes podem ser conferidos na editoria de Política da Folha de Patrocínio.
Para mais contexto sobre o rompimento entre o governador e o grupo de Marcelo Aro, que também está no centro da crise no Republicanos, veja a reportagem do O Tempo sobre as primeiras exonerações ligadas a Aro.
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