O Lions Clube Lília Brandão não costuma ser palco de disputas de poder. Na noite da última quinta-feira (30), porém, o salão recebeu perto de mil pessoas para o lançamento da pré-campanha de Pedro Bom Negócio à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O tamanho da plateia, tanto quanto o teor do discurso, foi lido por quem estava lá como um recado direto ao momento político que Patrocínio atravessa.
Homologado pelo PL em convenção estadual realizada em 27 de julho, Pedro Lucas, mais conhecido como Pedrinho ou Pedro Bom Negócio, subiu ao palco ladeado pelo prefeito Gustavo Brasileiro e pelo vice-prefeito Maurício Cunha. Telões espalhados pelo salão estampavam o mote da noite, “Juntos pra acelerar Patrocínio e região”, enquanto o pré-candidato caminhava entre o público antes de discursar, num tom que misturou proximidade e firmeza.

No lançamento da pré-campanha, discurso marcado pela crítica ao coronelismo
Afiado e direto, Pedro Bom Negócio construiu boa parte da fala em torno de um contraste histórico: o de uma cidade que, segundo ele, viveu por anos sob a lógica do coronelismo (o mando pessoal de um único chefe político sobre a máquina pública) e que agora precisa de representantes comprometidos com o povo, não com estruturas de poder herdadas.
Sem citar nominalmente a antiga gestão em determinados trechos, mas deixando o contexto evidente para a plateia, o pré-candidato afirmou que o momento vivido por Patrocínio é único e que a cidade não pode retroceder a um tempo em que o medo, mais do que o voto, definia o rumo da administração.
A plateia, presente por adesão e não por qualquer tipo de convocação institucional, foi apontada por apoiadores como o maior sinal de que esse discurso encontrou eco. Ao fim da fala, o próprio Pedro Bom Negócio publicou em suas redes a frase de efeito da noite: “Bora pra cima!”. Resumia bem o tom de aceleração que deu nome ao evento.
TJMG anulou absolvição do irmão do ex-prefeito Deiró Marra
A crítica ao coronelismo feita por Pedro Bom Negócio ecoa um episódio concreto e amplamente documentado na história recente de Patrocínio. Jorge Moreira Marra, irmão do ex-prefeito Deiró Marra, é réu por homicídio doloso pela morte do ex-presidente da Câmara Municipal e então candidato a vereador Cássio Remis, morto a tiros em setembro de 2020 enquanto fazia uma transmissão ao vivo em que denunciava uma obra pública supostamente irregular, segundo apuração da época.
Levado a júri popular em 2022, Jorge Marra foi absolvido sob a tese de legítima defesa, condenado apenas por porte ilegal de arma de fogo. A decisão, no entanto, não resistiu ao crivo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Em setembro de 2024, por três votos a dois, a 8ª Câmara Criminal do TJMG anulou a absolvição, por entender que o veredito dos jurados contrariou as provas constantes nos autos. Jorge Marra aguarda agora novo julgamento, com local transferido para a capital mineira e data ainda não marcada. É esse pano de fundo, de uma Justiça que precisou ser acionada duas vezes para não deixar a palavra final com o primeiro veredito, que dá peso concreto à fala do pré-candidato no lançamento da pré-campanha sobre romper com práticas do passado.
Força política do Grupo 27
Se o discurso teve como eixo o rompimento com o passado, o público presente sinalizou a força do presente: o chamado Grupo 27, referência ao número de urna do prefeito Gustavo Brasileiro, eleito em 2024 com 57,35% dos votos contra os 39,09% obtidos por Wellington Mamazão. A presença conjunta do prefeito e do vice-prefeito no palanque de lançamento da pré-campanha de Pedro Bom Negócio consolida a aposta do grupo governista em ter um nome próprio disputando uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026.
Ao longo da semana que antecedeu o evento, ao menos sete vereadores de Patrocínio declararam publicamente apoio à pré-candidatura: Raquel Rezende, Lizandra da Saúde, Nelinho, Nenê Pescador, Alcides Dornelas, Markim Remis e o presidente da Câmara, Nikolas Elias. Some-se a isso a adesão espontânea de quase mil pessoas ao evento no Lions Clube, sem qualquer indício da mobilização por obrigação que marcou práticas políticas de outras épocas na cidade, e o retrato que se desenha é o de uma base ampla, construída sob a legenda do PL, mas sustentada por nomes historicamente ligados a diferentes campos da política local.
Quem é Pedro Bom Negócio
Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Patrocínio, Pedro Lucas construiu nos últimos anos uma agenda voltada à articulação com lideranças regionais do Alto Paranaíba, área que soma boa parte dos votos disputados nas eleições para a Assembleia Legislativa. A pré-candidatura ao cargo de deputado estadual, formalizada em convenção do PL em Belo Horizonte no fim de julho, é lida por aliados como a consequência natural desse trabalho de bastidor, agora testado publicamente na disputa por votos.
Para o próprio pré-candidato, o lançamento da pré-campanha na última quinta-feira marcou menos o início de uma disputa eleitoral do que a formalização de um projeto que, segundo ele, já vinha sendo construído junto à população havia meses. Agora esse projeto ganha o desafio de se converter em votos na eleição de 2026.

Mais informações sobre a pré-campanha e os próximos passos da disputa pela Assembleia Legislativa devem ser divulgados nas próximas semanas de cobertura política da Folha de Patrocínio. Sobre o novo julgamento de Jorge Marra pela morte de Cássio Remis, os detalhes do processo foram noticiados também pelo Estado de Minas.
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