Cleitinho mantém candidatura ao governo de Minas Gerais, contrariando a nota do Republicanos que, na manhã desta quarta-feira (29), havia dado o senador como fora da disputa. Em coletiva de imprensa realizada à noite em Divinópolis, sua cidade natal, ao lado de sua equipe, ele confirmou a chapa com o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como vice, e atribuiu a ausência na convenção estadual do partido ao luto pela morte do irmão. O anúncio de que Cleitinho mantém candidatura mesmo sem o aval formal da sigla reabre um imbróglio que já se arrastava havia meses dentro do Republicanos.

Cleitinho confirma chapa com Falcão e cita liderança nas pesquisas

Logo no início da coletiva, o senador se declarou candidato ao governo ao lado de Falcão como vice e citou uma pesquisa recente, feita a dez semanas da eleição, que apontava 40% das intenções de voto a seu favor. Ao repetir que Cleitinho mantém candidatura mesmo depois da nota do partido, o senador transferiu o centro da decisão para o eleitorado, e não para a cúpula do Republicanos. Para ele, a preferência dos eleitores mineiros pesa mais do que a posição do partido: “a voz do povo é a voz de Deus”, resumiu.

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A fala confronta diretamente a nota publicada pelo Republicanos horas antes, que dava a entender que Cleitinho não teria mais aval do partido para concorrer, em razão da ausência dele na convenção estadual realizada no último sábado (25).

Senador Cleitinho discursa no plenário do Senado, dias antes de declarar que mantém candidatura ao governo de Minas
Cleitinho durante discurso no plenário do Senado. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Luto pelo irmão explica a ausência na convenção

Segundo o senador, a falta à convenção teve um motivo pessoal grave: o luto pela morte do irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, de 34 anos, que morreu em 18 de julho após complicações de um câncer. A convenção do Republicanos ocorreu exatamente uma semana depois, no dia 25, e Cleitinho afirmou que ainda não tinha condições emocionais de lançar uma candidatura tão pouco tempo depois do enterro do irmão.

Ele relatou que a doença atinge a família há anos: o pai e outros parentes também morreram de câncer, e o próprio Matheus já havia enfrentado uma leucemia em janeiro, quando o senador chegou a doar medula óssea para ele, 18 anos antes. Cleitinho contou que planejava anunciar a candidatura depois do fim da Copa do Mundo, mas o quadro do irmão se agravou justamente nesse período; a final do torneio ocorreu um dia antes da morte de Matheus.

Senador tenta reverter decisão do partido nesta quinta

Cleitinho afirmou que já havia avisado o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, sobre sua intenção de disputar o governo, e que os dois tinham combinado de conversar durante a semana. Segundo o senador, não ficou claro o que mudou de um dia para o outro, já que ele e Pereira não conseguiram se falar pessoalmente nesta quarta por estarem em cidades diferentes. Ele disse que vai tentar um encontro com o presidente do partido nesta quinta-feira (30) para formalizar a candidatura.

O senador também pediu desculpas por eventuais transtornos causados ao partido pelo momento pessoal delicado, mas defendeu sua liderança nas pesquisas como argumento para seguir na disputa, questionando por que qualquer legenda abriria mão de um nome com 40% de intenção de voto.

O que muda para o Alto Paranaíba

A confirmação da chapa com Luís Eduardo Falcão como vice mantém o interesse direto da região de Patrocínio no desfecho da disputa: Falcão comandou a prefeitura de Patos de Minas, cidade vizinha, e tem base eleitoral consolidada no Alto Paranaíba. Enquanto o impasse dentro do Republicanos não se resolve, o prazo para as convenções partidárias em Minas Gerais segue valendo até 5 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, com registro de candidaturas até 15 de agosto.

Até o fechamento desta matéria, o Republicanos não havia se pronunciado sobre a declaração do senador. Se o encontro entre Cleitinho e Marcos Pereira nesta quinta-feira não resolver o impasse, a informação de que Cleitinho mantém candidatura mesmo sem legenda confirmada pode levar o caso para dentro do próprio partido, com risco de disputa interna às vésperas do prazo final das convenções.

Quem quiser acompanhar os próximos capítulos da disputa pelo governo de Minas pode conferir a editoria de Política da Folha de Patrocínio.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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