Bolsonaro e a falta de ar: Flávio nega deboche no debate da Globo, e a checagem classifica a fala como falsa
Flávio disse que o pai criticava a orientação de esperar a falta de ar para ir ao hospital. Registros de lives de 2021 mostram a imitação, e a checagem do debate classificou a fala como falsa.

Bolsonaro e a falta de ar voltaram ao centro do debate da TV Globo nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno. Ao responder a Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) disse que queria “começar desmentindo uma fake news” e afirmou que o vídeo em que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece imitando uma pessoa sem fôlego foi tirado de contexto. Para ele, quem assistir a “10 segundos antes e 10 segundos depois” vai ver “exatamente o contrário”: o então presidente criticando a orientação de esperar a falta de ar para só então procurar um hospital.

A checagem feita durante o debate classificou a afirmação como falsa. Os registros das transmissões ao vivo do ex-presidente mostram que ele imitou, de fato, uma pessoa com falta de ar, e que o alvo declarado da crítica era a orientação sobre quando procurar atendimento. É esse ponto, o que o vídeo mostra e o que ele não mostra, que a Folha detalha a seguir.
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No trecho, Flávio fala por cerca de 40 segundos, com o cronômetro dele em 2min51s no início da fala e o de Lula em 1min24s, segundo a transmissão. Ele afirma que a campanha de Lula “é baseada em fake news” e diz que a equipe dele iria publicar, naquele momento, o “vídeo real” nas redes. Em seguida, defende que o então presidente falava de uma época em que “não tinha vacina, não tinha remédio” e “ninguém sabia o que estava acontecendo direito”, e que a intenção era garantir que o paciente pudesse chegar ao médico.
O argumento tem uma base: nas transmissões, o ex-presidente de fato criticava a orientação atribuída ao ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, de ficar em casa e ir ao hospital só ao sentir falta de ar. O que a checagem contesta é outra parte da fala, a de que não houve deboche com a imitação.
O que os registros mostram
As imitações aconteceram em duas transmissões ao vivo de 2021, nos dias 18 de março e 6 de maio. Na primeira, o ex-presidente simulou a respiração ofegante ao criticar a orientação de procurar o hospital diante de sintomas graves. Na segunda, repetiu o gesto ao voltar a criticar Mandetta e ao defender o chamado tratamento precoce com ivermectina e hidroxicloroquina, remédios que a Organização Mundial da Saúde não recomenda para pacientes com Covid-19.
Em entrevista ao Jornal Nacional, em 22 de agosto de 2022, Bolsonaro negou ter debochado de doentes e disse que queria criticar a orientação “fique em casa”. Essa é a versão que Flávio repetiu no debate. As checagens não discutem a intenção, e sim o fato: a imitação existiu, e o vídeo mostra o gesto, independentemente do que veio antes ou depois.
Alpha for MenPor que a fala importa na reta final
O tema da pandemia aparece em vários momentos do segundo turno, e a troca sobre o vídeo foi uma das mais comentadas do debate. A Folha acompanhou o encontro em outras matérias: a chegada de Flávio ao estúdio, a reação de Lula ao apelido de “nove dedos” e a pergunta de Flávio sobre quem governa o Brasil.
Uma segunda checagem do debate, a do Ranking dos Políticos, avaliou só as falas do primeiro bloco e classificou como verdadeiras as cinco alegações de Flávio que analisou, segundo a matéria da Folha sobre o placar. A Folha não verificou se a fala sobre o vídeo de Bolsonaro está entre as que esse levantamento analisou. A cobertura dos debates fica reunida em Debates do segundo turno.
O que a matéria não informa
A Folha não teve acesso aos dois vídeos completos das lives de 2021 para comparar os 10 segundos antes e depois, como Flávio sugeriu, e por isso baseia o texto na descrição que as checagens fazem desses registros. Também não há, até aqui, resposta da campanha de Lula sobre a fala. Sobre a saúde, o Ministério da Saúde reúne as orientações atuais em gov.br/saude.
O segundo turno é neste domingo (25). O resultado em Patrocínio sai assim que as urnas fecharem, na apuração em tempo real da Folha.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






