The New Yorker e Lula: revista diz que a onda de direita pode varrer o petista
Coluna de Ishaan Tharoor, publicada na quarta (21), diz que Lula pode ser varrido pela onda de direita na América Latina. Veja o que ela afirma e o que não prova.

Uma das revistas mais lidas dos Estados Unidos resolveu comentar o segundo turno brasileiro com um título sem rodeios: “A última dança de Lula”. A coluna, publicada na quarta-feira (21) pela The New Yorker, diz que o presidente pode ser varrido pela onda de direita que mudou o mapa político da América Latina nos últimos dois anos. É uma análise assinada, não um dado oficial, e traz argumentos dos dois lados. No caso The New Yorker e Lula, a Folha resume o que o texto afirma e põe ao lado o que as pesquisas do segundo turno mostram até agora.
The New Yorker e Lula: o que a coluna escreveu
O texto é da coluna Global Notes, de Ishaan Tharoor, dedicada à política internacional. Está em newyorker.com, com o subtítulo de que o líder da esquerda, antes dominante, pode ser levado pela maré da direita. A abertura conta como os apoiadores de Lula, de 80 anos, usaram “Under Pressure”, de David Bowie e Queen, num vídeo que percorre meio século da trajetória dele, do sindicalista ao presidente. O refrão sobre “uma última dança” deu nome ao artigo.
Segundo o colunista, o primeiro turno, em 4 de outubro, foi duro para o petista: Lula ficou cerca de dois pontos atrás de Flávio Bolsonaro (PL), e os partidos de direita avançaram também no Congresso e nos estados. Se Lula perder, só México, Guatemala e Uruguai continuariam com governos eleitos de esquerda na região, de acordo com a coluna. O texto lembra ainda um dado histórico: desde 1989, quem venceu o primeiro turno ganhou também o segundo.
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Por que a revista vê desgaste
A análise aponta fatores internos. Lula tem números fortes na economia, e o desemprego, segundo a coluna, está no menor nível desde 2012. Mesmo assim, o autor afirma que boa parte dos brasileiros sente o custo de vida, a insegurança e um pessimismo sobre o rumo do país. Compara o caso ao de Joe Biden nos Estados Unidos: um político experiente que não conseguiu conter o movimento que quis combater.
Há também o fator externo. O texto cita as tarifas aplicadas pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil e as sanções ao ministro Alexandre de Moraes, depois retiradas. Lula tratou os dois episódios como ingerência na campanha. Para a coluna, a polarização é tamanha que muitos eleitores não se comovem com esse argumento.
O que muda se Flávio vencer, na leitura do artigo: ele promete tirar o pai, Jair Bolsonaro, da prisão domiciliar, onde cumpre 27 anos de pena, e punir juízes que atuaram no processo. O irmão, Eduardo, quer rever o Itamaraty. A política externa também mudaria, com o Brasil deixando de ser protagonista do Sul Global, na avaliação de um diplomata brasileiro ouvido sob anonimato.
O contraponto: derrota de Lula não é apoio a tudo o que Flávio promete
A própria coluna traz ressalvas. O historiador Andre Pagliarini, da Universidade Estadual da Louisiana, diz que a eleição pode ser um repúdio a Lula, mas não necessariamente um apoio ao tipo de reação radical que Flávio promete. O analista Brian Winter, da Americas Quarterly, lembra que líderes da nova direita na região acabaram adotando posição mais neutra entre China e Estados Unidos, algo que vale em especial para o Brasil, cujo maior parceiro comercial é a China. Para Chris Sabatini, do Chatham House, o que se vê é mais uma onda contra quem governa do que um movimento ideológico.
Alpha for MenE as pesquisas, o que dizem?
A coluna é opinião informada. Quem mede intenção de voto são os institutos. A pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (22) dá 51% a Flávio e 49% a Lula nos votos válidos, empate técnico dentro da margem de 1,6 ponto. A maioria dos institutos que divulgaram rodada nesta semana põe Flávio entre 51% e 52% dos válidos, como mostra o resumo da diferença entre Flávio e Lula nas pesquisas. O tom da análise americana, portanto, não decide nada: o voto é no domingo, 25 de outubro.
O que isso significa em Patrocínio
Em Patrocínio (MG), o primeiro turno teve Flávio com 31.008 votos, ou 61,18% dos válidos, e Lula com 15.427, ou 30,44%, segundo o TSE. A coluna menciona que o agronegócio brasileiro, que apoia Flávio em sua maioria, depende do mercado chinês. Patrocínio é o maior município produtor de café do Brasil, segundo o IBGE, e o comércio com a China é assunto concreto por aqui. A Folha acompanha a votação com a apuração em tempo real no domingo.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






