O reverendo Roberto Brasileiro encerrou, em 2026, um ciclo de 24 anos à frente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), o maior mandato da história da instituição. A despedida foi celebrada pela Igreja Presbiteriana do Bairro Constantino, em Patrocínio, onde ele é pastor efetivo desde 1983. A congregação publicou um vídeo de homenagem no Instagram (@ipb_constantino), com depoimentos de gratidão pela liderança e a citação bíblica “até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Samuel 7:12).
Fora dos círculos presbiterianos, a trajetória de Roberto Brasileiro é pouco conhecida. Mas ela tem um ponto de contato direto com Patrocínio: ele é pai do atual prefeito da cidade, Gustavo Brasileiro, e segue como pastor da igreja que ajudou a organizar em 1983, mesmo depois de décadas comandando uma das maiores denominações evangélicas do país.

Do seminário ao pastorado em Patrocínio
Nascido em 2 de junho de 1951, em Guimarânia (MG), filho do ferreiro Alberto da Silva e de Maria Joana da Silva, Roberto Brasileiro se formou no Seminário Presbiteriano do Sul em 1975 e foi ordenado ao ministério pastoral em 11 de janeiro de 1976. Pouco depois, se estabeleceu em Patrocínio, onde assumiu o pastorado efetivo da Igreja Presbiteriana do Bairro Constantino desde a sua organização, em 1983, função que mantém até hoje.
Ele também construiu carreira acadêmica: é professor do Instituto Bíblico Eduardo Lane (IBEL) desde março de 1976 e assumiu a direção da instituição em novembro de 1987, formando gerações de pastores e obreiros da denominação.
24 anos na presidência do Supremo Concílio
Roberto Brasileiro chegou à liderança nacional da IPB em 1995, quando foi eleito vice-presidente do Supremo Concílio, cargo que ocupou até 2002. Naquele ano assumiu a presidência e foi reeleito em 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, somando 24 anos seguidos à frente da administração central da igreja.
O Supremo Concílio é o órgão máximo de governo da IPB, responsável por decisões administrativas, doutrinárias e disciplinares que afetam toda a denominação no país. Presidir esse colegiado é, na prática, ocupar o cargo de maior autoridade formal dentro da estrutura presbiteriana brasileira.
O fim desse ciclo foi noticiado pela Folha de Patrocínio depois da eleição da nova Mesa do Supremo Concílio, em Manaus (AM), quando o reverendo Juarez Marcondes Filho assumiu a presidência. Roberto Brasileiro passou a integrar a nova gestão como vice-presidente.
Presbiterianismo em Patrocínio
A Igreja Presbiteriana do Bairro Constantino, que Roberto Brasileiro ajudou a organizar em 1983, não é a única congregação presbiteriana de Patrocínio. A cidade também tem a Igreja Presbiteriana de Patrocínio, fundada em 1976 na Rua Governador Valadares, mais antiga que a de Roberto Brasileiro. As duas pertencem à mesma denominação, mas funcionam de forma independente, com pastores, cultos e comunidades próprias em bairros diferentes do município.
Roberto Brasileiro e a família com raízes em Patrocínio
Ele é casado desde 8 de outubro de 1977 com a pedagoga Solange Tambelini Brasileiro. O casal teve três filhos, Priscila, Eduardo e Gustavo, e hoje tem quatro netos: Valentine, Eduardo, Melissa e Roberto.
Gustavo, o filho mais novo, seguiu para a administração pública: atuou na assessoria especial do Ministério da Educação e foi eleito prefeito de Patrocínio para o mandato 2025-2028. Priscila e Eduardo, os outros dois filhos, não têm atuação pública conhecida.

Ao longo da carreira, Roberto Brasileiro recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi declarado Cidadão Honorário de Curitiba pela Lei Municipal 15.961/2022.
Depois da presidência
Com a saída da presidência nacional, Roberto Brasileiro segue como vice-presidente do Supremo Concílio e, sobretudo, como pastor da igreja que ajudou a fundar há mais de quatro décadas em Patrocínio. É essa função local, segundo a homenagem publicada pela própria congregação, que ele segue exercendo semana após semana, com ou sem cargo nacional.
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