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Delação de Roberta Luchsinger: lobista rebate Lula e diz que ele sabia das reuniões do filho

Em entrevista, a empresária investigada pela PF disse que Lula sabia das reuniões do filho com ministros. A equipe do presidente nega e diz que ele desconhece os fatos.

Roberta Luchsinger durante entrevista em que rebate Lula e fala em delação, caso investigado pela PF
Foto: Reprodução/CNN Brasil

Atualização, 17/10, 22h50: em entrevista exclusiva, Roberta Luchsinger rebateu Lula e afirmou que o presidente sabia das reuniões que o filho promovia com ministros. A equipe de comunicação de Lula nega e diz que ele desconhece os fatos.

A delação de Roberta Luchsinger ainda não existe, mas a empresária e lobista disse que quer fazê-la e que ela não vai poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A declaração foi dada em entrevista divulgada neste sábado (17), a oito dias do segundo turno, e vem de quem é alvo da Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência no governo federal.

Luchsinger tem 41 anos e dirige a RL Consultoria e Intermediações. Nos últimos meses, foi alvo de mandados de busca e apreensão, de bloqueio de bens e valores e de uma ordem para usar tornozeleira eletrônica, tudo no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A PF investiga Roberta e Lulinha por suposto tráfico de influência, e nenhum dos dois foi condenado.

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Vídeo: programa de 17/10/2026 em que a entrevista foi ao ar. O trecho está no meio da transmissão.

O que Roberta Luchsinger disse sobre a delação

Na entrevista, ela afirmou que a PF poderá contar com a “absoluta colaboração” dela e repetiu: “Eu não vou poupar ninguém”. Segundo ela, isso vale para o presidente da República e para o filho dele. Ao falar de Lula, usou termos duros, chamando-o de mau-caráter, mentiroso e covarde. São opiniões da entrevistada, e a Folha as reproduz como tal.

Questionada sobre o que teria a acrescentar às investigações, a empresária falou em “detalhes” que não aparecem nas mensagens de WhatsApp já reunidas pela PF. Disse que a vida das pessoas não cabe só no aplicativo e que conversas sobre projetos, coisas que se vê e se presencia, também contam. Ela não apontou, na entrevista, quais seriam esses detalhes.

Luchsinger afirmou ainda que só vai procurar o acordo quando a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe um trâmite legal a ser seguido. Sustentou que há uma “máquina pública” voltada contra ela e que não aceita ser o “boi de piranha” do caso. Disse também que, se tiver cometido crime, vai responder e se defender dentro do devido processo legal.

Roberta Luchsinger rebate Lula: “eles são pilantras como eu”

Ao responder ao presidente, a empresária foi direta. “Ele mente o tempo inteiro”, disse. “Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu.” Segundo ela, Lula sabia das reuniões que Lulinha promovia com ministros do governo. A afirmação é dela e, na entrevista, não veio acompanhada de documento.

Lula usou a palavra “pilantra” pela primeira vez em 27 de agosto, em conversa na TV Globo. Perto do primeiro turno, repetiu no Flow Podcast e comparou a lobista a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master: “Deve ser o Vorcaro feminino”. Roberta citou a comparação ao reclamar do tratamento. “Eu recebi em troca uma comparação com o maior criminoso financeiro do Brasil”, disse. A Folha registrou a primeira fala em Lula chama lobista Roberta Luchsinger de pilantra.

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Ela contou que foi uma das maiores apoiadoras do presidente e que o defendeu em público quando ele foi preso, em abril de 2018. Hoje, afirmou, não acredita mais na inocência dele. “Isso me dói falar, porque eu já acreditei muito nele”, disse. Também falou em “mau-caratismo” e “canalhice” de quem a chama de pilantra em rede nacional e lembrou que o presidente costuma defender o devido processo legal, o que, na avaliação dela, não vale quando o alvo é outra pessoa.

O que ela diz sobre Lulinha e os ministros

Roberta afirmou que Lulinha “inúmeras vezes esteve com ministros” e que chegou a viajar para a casa de um ministro, o da Educação, Camilo Santana, no Ceará. A Folha não localizou manifestação do ministro sobre a citação. Em outro trecho, a empresária disse que ministros pediam a ajuda dela para conseguir agenda com o presidente. São declarações da entrevistada, sem comprovação apresentada até aqui.

Ameaças e o que a equipe de Lula respondeu

A lobista disse que recebe mais de 50 ameaças de morte por dia e que as duas filhas também foram ameaçadas de morte e de estupro e constrangidas em público desde que Lula a chamou de pilantra. A Folha não tem como confirmar o número, e ameaça contra qualquer pessoa é crime.

Em nota, a equipe de comunicação do presidente afirmou que ele “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”. Segundo o texto, Lula “jamais manteve qualquer interlocução com ela”, nunca recebeu demandas dela e não existe contrato do governo federal com a empresária. A nota diz ainda que causa estranheza que as declarações surjam às vésperas do segundo turno e as chama de “tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático”. A defesa de Lulinha não foi localizada pela Folha.

Palácio do Planalto, em Brasília, sede do governo citado na delação de Roberta Luchsinger
Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Garotadpi/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

O que a lei exige da delação de Roberta Luchsinger

A colaboração premiada está prevista na Lei 12.850/2013. O investigado concorda em entregar informações e provas sobre outras pessoas ou sobre a organização de que participou e, em troca, pode receber benefícios, como redução da pena ou, em casos específicos, perdão judicial. O acordo pode ser negociado com o delegado de polícia ou com o Ministério Público, e o juiz não participa da negociação: ele só homologa o acordo depois de checar se foi voluntário e se respeita a lei.

Há um limite importante. A mesma lei diz que ninguém pode ser condenado apenas com base nas declarações de quem delata. O colaborador precisa apresentar elementos que sustentem o que diz, como documentos, registros, mensagens ou outros testemunhos. Uma intenção declarada em entrevista, sem prova, não muda a situação jurídica de ninguém.

O que a PF já apura

As investigações em torno de Lulinha e da lobista vêm sendo acompanhadas pela Folha desde agosto. O caso tem mais de um inquérito, como mostra o texto sobre a investigação envolvendo Lulinha, e uma fase batizada de “Elli”, que gerou desconforto no Planalto, tema de Operação Elli. O perfil da empresária está em quem é Roberta Luchsinger, e o que já veio a público sobre as apurações está em relatório da PF sobre Lulinha. A página oficial da Polícia Federal publica as operações divulgadas pela corporação.

O que ainda falta saber

Por enquanto é só uma fala. Não há acordo assinado, não há homologação e a Folha não teve acesso a documento que sustente o que ela diz poder contar. Também não se sabe se a PF ou o Ministério Público têm interesse na colaboração, nem quais seriam os benefícios em discussão. Investigação não é condenação, e tanto Lula quanto Lulinha têm direito à ampla defesa.

A entrevista saiu a oito dias da votação de 25 de outubro, em que os eleitores escolhem entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Quem quiser acompanhar o cenário eleitoral pode ver as pesquisas do segundo turno e, na noite da votação, a apuração em tempo real. A Folha segue acompanhando o caso e atualiza esta matéria se houver resposta da defesa de Lulinha ou qualquer movimento da PF sobre a colaboração.

Correção (17/10, 22h50): a versão anterior informava que a Folha não havia localizado manifestação do Palácio do Planalto. A equipe de comunicação do presidente divulgou nota, reproduzida acima. A defesa de Lulinha segue sem resposta.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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