Lula diz não ter dinheiro para celular, mas declarou R$ 4,77 milhões ao TSE
Em vídeo com Janones, o presidente promete usar o aparelho da Janja para entrar no canal Exército do Lula. Só em previdência privada, ele tem R$ 3,3 milhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (15) que não tem dinheiro para celular. A frase está num vídeo publicado no Instagram pelo deputado André Janones (Rede-MG), em que Lula promete entrar no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, quando ele chegar a 5 milhões de seguidores. Para cumprir a promessa, vai usar o aparelho da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja. O mesmo Lula declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em agosto, um patrimônio de R$ 4,77 milhões.
“Não, eu não vou comprar porque eu não tenho dinheiro, eu vou pegar o da Janja emprestado e vou entrar”, disse o presidente, em tom de brincadeira, ao lado de Janones. Na sequência, fez a convocação: “E vou chamar mais gente para entrar. Vamos entrar no Exército para ser o maior exército do mundo”.
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O registro de candidatura de Lula à reeleição, protocolado no TSE em 8 de agosto, lista R$ 4.775.650,64 em bens e direitos. A maior parte, cerca de R$ 3,3 milhões, está em planos de previdência privada do tipo VGBL. O restante inclui aplicações financeiras, um apartamento e terrenos em São Bernardo do Campo (SP), uma casa em construção orçada em R$ 246 mil, um carro Chevrolet ano 2011 avaliado em R$ 50 mil e 98% de uma empresa de palestras, eventos e publicações.
O valor é 35% menor que os R$ 7,42 milhões declarados em 2022, quando Lula disputou e venceu a Presidência pela terceira vez. Em 2018, a declaração somava R$ 7,99 milhões. Os números são nominais, sem correção pela inflação, e a declaração não explica a redução. Mesmo com a queda, a conta de quem não tem dinheiro para celular fecha com folga: um aparelho de entrada custa uma fração mínima do que o presidente tem aplicado só em previdência.
Lula, que completou 80 anos em 2025, é conhecido por não andar com celular próprio. Nas ligações do dia a dia, segundo relatos publicados ao longo do mandato, ele depende de assessores e da própria Janja.

O canal que Lula promete seguir
O “Exército do Lula” é um canal de WhatsApp administrado por Janones para divulgar conteúdo de apoio à reeleição do presidente. Segundo o próprio deputado, ele reunia cerca de 4,4 milhões de seguidores nesta quinta. Em gravação de 7 de outubro, Janones já tinha dito que Lula compraria um celular e passaria a interagir com os participantes se a meta de 5 milhões fosse batida. No vídeo de hoje, o presidente trocou a compra pelo empréstimo, com o argumento da falta de dinheiro para celular.
Alpha for MenJanones aproveitou para responder à campanha adversária, que acusa o canal de espalhar notícias falsas. “Agora, se ele não fizer isso, aí sim eu vou ter divulgado a fake news”, disse o deputado. A Folha já mostrou como o canal virou alvo de ataques de opositores em vídeo nos últimos dias.
A briga no TSE pelo Exército do Lula
O canal passou a semana entre suspensões e liberações. No domingo (11), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, mandou suspendê-lo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi derrubada horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Na terça-feira (13), Nunes Marques voltou a suspender o canal, com o argumento de que o endereço dele não tinha sido comunicado formalmente à Justiça Eleitoral, como exige a regra para canais usados em campanha.
A campanha de Lula fez o registro, e o canal voltou a funcionar na noite de quarta-feira (14). Nunes Marques dispensou o prazo de 48 horas que ele mesmo havia fixado e mandou o WhatsApp restabelecer o canal por inteiro, com novas publicações e entrada de seguidores.
Reta final do segundo turno
A promessa do celular emprestado entra na reta final de uma disputa apertada. No primeiro turno, Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos e Lula, com 45,16%, segundo o TSE. A Folha mostrou que, desde 1989, o primeiro colocado do 1º turno sempre venceu o segundo, mas desta vez com a menor folga da série. Os dois candidatos ainda têm debates marcados na TV antes da votação, em 25 de outubro.
A declaração de bens completa de Lula e dos demais candidatos pode ser consultada no DivulgaCandContas, o portal de candidaturas do TSE.
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