Relatório da PF sobre Lulinha: o que a Veja revelou em 20/08 e o que mudou
O vídeo da Veja voltou a circular, mas a reportagem é de 20 de agosto. Veja o que a PF aponta, o que a defesa nega e o que mudou desde então.

Um vídeo com a palavra “urgente” e a promessa de uma bomba sobre o filho do presidente voltou a circular nas redes nesta semana. A reportagem por trás dele, porém, não é nova: a Veja a publicou em 20 de agosto, 55 dias atrás. O relatório da PF sobre Lulinha que ela revelou segue em investigação, e a Folha não localizou, até a publicação desta matéria, nenhuma decisão da Justiça nem denúncia sobre o caso.
A gravação tem 71 segundos. Nela, a apresentadora do Veja em Foco diz que a revista teve acesso a um inquérito sigiloso sobre tráfico de influência no governo federal e que o texto era a capa da edição daquela semana. Tudo o que se sabe sobre o conteúdo do inquérito vem da reportagem da Veja e dos documentos da PF que ela cita. A Folha não teve acesso aos autos, que tramitam sob sigilo.
O que a Veja revelou em 20 de agosto
Segundo a revista, o relatório da PF descreve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como uma espécie de agenciador oculto de empresários interessados em fechar negócios com o governo. Ele teria atuado ao lado do sócio Fernando Bittar e da advogada e lobista Roberta Luchsinger. Em mensagens recuperadas pela Polícia Federal, ela exaltava a proximidade com o filho de Lula e, supostamente, com o próprio presidente.
Drogaria CentroAqui tem cuidado para todos.
Disk Cerveja do RenatinhoCerveja gelada na sua porta.
Monteiro Casa de CarnesO corte certo para o seu churrasco e o dia a dia.
OnNet TelecomMuito mais opções para viver cada história do seu jeito.
Digital Comunicação VisualFachadas, placas, adesivos e impressão.
Zé do LancheBateu a fome? O Zé resolve.
Rivelini DesentupidoraDesentupimento em Patrocínio e região
Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O grupo também teria contado com a ajuda de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que era chefe de gabinete de Lula na época e deixou o cargo em 21 de julho. O caso mais detalhado é o do canabidiol. De acordo com o inquérito, Roberta e Lulinha se empenharam para convencer o governo a regulamentar o uso do canabidiol no país e, depois, para viabilizar a contratação, pelo Ministério da Saúde, de uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O negócio foi estimado em mais de R$ 1 bilhão.
O que diz o relatório da PF sobre Lulinha
No relatório da PF sobre Lulinha, ele aparece menos nas tratativas do que os outros integrantes do grupo, mas com papel relevante. Em uma das mensagens, Roberta escreve que ele “só entra em campo quando precisa”. Em outra, de 23 de janeiro de 2025, ela diz que o Careca do INSS estava pressionando e que seria bom Lulinha “se mexer”. Uma reunião da lobista com o então secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa, só teria acontecido depois da interferência dele.
A PF também registra que Roberta passou a pagar despesas pessoais de Marcola em 2024, num total de mais de R$ 217 mil, incluindo gastos pessoais e joias. As suspeitas apuradas são de tráfico de influência e corrupção. Relatório policial não é denúncia nem sentença: descreve o que os investigadores encontraram até agora, e quem decide se houve crime é a Justiça.
São três inquéritos, todos no Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça autorizou o primeiro em 30 de julho, sobre cannabis medicinal no Ministério da Saúde, e o segundo em 31 de julho, sobre contratos da Dataprev. O ministro Flávio Dino autorizou o terceiro em 4 de agosto, sob sigilo, e ele alcança Marcola. Os autos correm sob sigilo na Polícia Federal e no Supremo. A Folha já explicou os três inquéritos em reportagem sobre a investigação e traçou o perfil da lobista em texto sobre Roberta Luchsinger.
Alpha for Men
O que as defesas respondem
Lulinha nega irregularidades e contesta o relatório da PF sobre Lulinha desde que o material veio a público. O advogado dele, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que não é possível atestar a veracidade dos trechos divulgados, porque não há cadeia de custódia das informações vazadas e não se sabe se os arquivos foram alterados. Chamou os vazamentos de criminosos e seletivos, disse que as provas colhidas não comprovam participação do cliente em corrupção ou tráfico de influência e que os inquéritos seriam arquivados se ele não fosse filho do presidente. A defesa também fala em interferência política na PF em pleno ano eleitoral.
Ao Supremo, a defesa disse que Lulinha conheceu Antunes por meio de Roberta, em 2024, e que não sabia do esquema de fraudes no INSS. A viagem a Portugal com o empresário foi justificada como avaliação de negócios em cannabis medicinal. Roberta admitiu ter enviado a Marcola uma minuta de proposta de canabidiol, mas nega que os pagamentos fossem troca de favores. Marcola disse, segundo relatos publicados, que o dinheiro foi um empréstimo pessoal já quitado. O Ministério da Saúde nega ter negociado o produto e lembra que o canabidiol não faz parte dos medicamentos incorporados ao SUS. Nenhum contrato foi firmado.
O que mudou desde 20 de agosto
A primeira mudança veio logo depois da reportagem. A pedido da defesa, Mendonça mandou a PF investigar os vazamentos e as quebras de custódia de provas, citando reportagens que expuseram conversas de aplicativos e trechos de representações sob sigilo. Dino já havia aberto, em 4 de agosto, uma apuração sobre vazamento de informações do caso.
A Procuradoria-Geral da República pediu que os inquéritos saiam do STF e sigam para a primeira instância, porque não há investigado com foro privilegiado. Segundo relatos da época, Mendonça tende a manter o caso no Supremo, por haver pessoas com foro citadas nas conversas, e a PGR avalia recorrer se isso se confirmar. A Folha não localizou decisão sobre esse ponto. A previsão é que a PF só conclua a apuração sobre Lulinha e Marcola no fim do ano.
No fim de agosto, o presidente Lula negou, em entrevista, conhecer a lobista, como a Folha mostrou em reportagem sobre a declaração. Desde então, as buscas da Folha em fontes abertas não encontraram atualização do relatório da PF sobre Lulinha, denúncia nem decisão de mérito sobre os três inquéritos.
Como ler o vídeo que voltou a circular
O segundo turno é em 25 de outubro, e o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para domingo (18), como a Folha mostrou em matéria sobre o vídeo em que o candidato confirma presença. Em campanha, material antigo recortado costuma circular como se fosse fato novo, e isso vale para qualquer candidato ou partido. Se o vídeo chegou ao seu celular como novidade desta semana, confira a data: o relatório da PF sobre Lulinha foi revelado em 20 de agosto, o inquérito segue aberto e não há condenação.
Vídeo e reportagem original: VEJA.
Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.






