Estações de metrô são depredadas após ato pró-Lula na Paulista, diz PM
Segundo a PM, portas e grades da estação Consolação foram quebradas e entradas foram pichadas na dispersão; o Metrô fala em controle de multidão. Chiquini ataca o ato em vídeo.

Manifestantes que participaram do ato pró-Lula na Avenida Paulista, em São Paulo, picharam e danificaram acessos de estações do metrô na tarde deste domingo (11), segundo a Polícia Militar. De acordo com a corporação, os danos ocorreram durante a dispersão do público, depois do fim da manifestação. O deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) publicou um vídeo em que usa as imagens para atacar o presidente e seus apoiadores, e as acusações dele são tratadas aqui como opinião do parlamentar.
O que a PM e o Metrô informaram sobre o ato pró-Lula
O ato, chamado de “Marcha pela Democracia”, reuniu milhares de pessoas na Paulista e teve a presença do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de governadores petistas eleitos, conforme as reportagens da CNN Brasil e do Poder360. Não há estimativa oficial do tamanho do público.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A Polícia Militar disse ter registrado tumultos e atos de vandalismo na dispersão, em diferentes pontos do centro, com aglomerações perto da Rua Augusta, em direção à Praça Roosevelt, e na Praça Oswaldo Cruz. Na estação Consolação, portas e grades de acesso foram quebradas, segundo a corporação. Entradas das estações Trianon-Masp e Consolação foram pichadas, e as duas chegaram a ser fechadas. A PM também citou as estações Paulista, da Linha 4-Amarela, e Consolação, da Linha 2-Verde, por causa do grande fluxo de passageiros e de atritos com funcionários, e afirmou que a situação estava controlada.

A versão do Metrô e o que ainda não se sabe
O Metrô de São Paulo deu uma explicação diferente para o fechamento da Trianon-Masp. Em nota, informou que acionou o plano de controle de multidão por causa da alta concentração de passageiros e que a estação ficaria fechada temporariamente “como estratégia de segurança”. Os passageiros foram direcionados às estações Consolação e Brigadeiro. A Viamobilidade, concessionária da Linha 4, adotou controle de fluxo nas estações Paulista e Higienópolis-Mackenzie, com entrada por bolsões, trens extras e fechamento temporário do acesso da Rua Bela Cintra.
Até a publicação desta reportagem, a Folha não localizou informação sobre prisões ou feridos, nem estimativa do prejuízo causado às estações. A CNN Brasil informou ter procurado a campanha de Lula e não registrou resposta, e as reportagens consultadas não trazem manifestação dos organizadores do ato. Também não há, nelas, indicação de que a organização tenha convocado ou participado dos danos: a PM fala em manifestantes durante a dispersão.
O que diz o vídeo de Chiquini sobre o ato pró-Lula
Na legenda do vídeo, de 1min48, Chiquini escreveu que o ato “tem atos de terrorismo, vandalismo e depredação” e chamou o lugar de “antro de bandidos”. Na gravação, ele alterna sua imagem com cenas da Paulista, ironiza o lema de defesa da democracia e afirma que as imagens mostram “eleitores do Lula”. O deputado diz que está “do outro lado” e termina pedindo que o público “curta e compartilhe” e que a eleição de 25 de outubro “limpe o país” da esquerda.
Alpha for MenEssas são opiniões e acusações políticas do deputado, feitas na disputa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A PM e o Metrô, nas reportagens consultadas, não usam o termo terrorismo. As cenas do vídeo mostram pessoas sobre as coberturas das estações e pichações, mas o conteúdo não permite saber quantas pessoas participaram dos danos nem quem eram. Cada lado da disputa tem usado as imagens do ato a seu favor, e a Folha mostrou como o ambiente digital esquentou na reta final, em reportagens como a que trata do canal Exército do Lula e a da pesquisa DataTrends para o segundo turno.
O que vem pela frente no segundo turno
O segundo turno da eleição presidencial será em 25 de outubro, a duas semanas. Chiquini foi eleito deputado federal pelo Paraná com votação recorde, como a Folha mostrou na reportagem sobre os 425 mil votos do parlamentar, e declara apoio a Flávio Bolsonaro. Atos de rua, de um lado e do outro, tendem a se repetir até o dia da votação, e a Folha acompanha os desdobramentos.
Se a Polícia Militar, o Metrô ou a organização do ato divulgarem balanço de detidos, danos ou responsabilidades, a reportagem será atualizada. As informações desta matéria vêm da PM, do Metrô e das reportagens citadas, e o vídeo do deputado é tratado como material de opinião.
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