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Política

Chiquini ataca canal Exército do Lula, de Janones, em vídeo

Deputado eleito do Novo-PR acusa o canal de WhatsApp de Janones de espalhar informações falsas sobre Flávio; a Folha não achou decisão judicial nem confirmação do pedido ao TSE.

Deputado Jeffrey Chiquini em vídeo sobre o canal Exército do Lula no WhatsApp
Deputado Jeffrey Chiquini em vídeo sobre o canal Exército do Lula no WhatsApp

O deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) publicou neste domingo (11) um vídeo de 2min21 em que diz que o canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp pelo deputado André Janones (Rede-MG), “pode cair a qualquer momento”. Chiquini afirma que o canal é uma “associação criminosa” montada para espalhar informações falsas contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência no segundo turno. As acusações são do deputado e não foram confirmadas por nenhuma decisão judicial até a publicação desta reportagem.

Vídeo publicado pelo deputado eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) neste domingo (11). As afirmações são dele.

O que Chiquini diz no vídeo sobre o canal “Exército do Lula”

Gravado em um aeroporto, o vídeo mostra Chiquini falando direto para a câmera. Segundo ele, o canal já passa de 2 milhões de participantes e serviria para propagar conteúdos que ele classifica como mentiras, como a ideia de que Flávio Bolsonaro acabaria com aposentadorias, Bolsa Família, Farmácia Popular e SUS. Chiquini também usa um apelido depreciativo para se referir a Janones, expressão que a Folha não reproduz.

Na tela, o deputado exibe dois trechos de lei. O primeiro é o artigo 288 do Código Penal, que trata da associação de três ou mais pessoas para cometer crimes. O segundo é o artigo 323 do Código Eleitoral, que pune quem divulga, na propaganda eleitoral, fatos que sabe serem inverídicos e capazes de influenciar o eleitorado. É com base nesses dispositivos que ele defende a derrubada do canal.

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Chiquini diz ainda que a defesa de Flávio Bolsonaro entrou com pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender o canal e que ele próprio denunciou Janones criminalmente. Em um dos momentos do vídeo aparece uma captura de tela com uma manchete de outro veículo, publicada “há 14 horas”, afirmando que Flávio pediu a suspensão ao TSE. A Folha procurou a informação e não encontrou, até agora, confirmação independente do pedido nem decisão do tribunal sobre o canal.

Deputado André Janones, criador do canal Exército do Lula no WhatsApp
O deputado André Janones (Rede-MG), criador do canal. Foto de 2022: Lula Oficial/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Como começou a disputa pelo Exército do Lula

O “Exército do Lula” foi criado por Janones depois do primeiro turno, em 4 de outubro, para divulgar conteúdos da campanha do presidente Lula (PT). Segundo o Diario de Pernambuco, o canal começou como um espaço virtual com cerca de 50 mil pessoas e passou de 2 milhões de inscritos na quarta-feira (7).

Na terça-feira (6), conforme a SBT News, integrantes da área de comunicação do PL organizaram uma ação com influenciadores de direita para tentar tirar o canal do ar. Alguns participantes entraram no espaço e fizeram denúncias à plataforma. O principal motivo apontado foi a divulgação de conteúdos que o grupo considera falsos sobre Flávio Bolsonaro, entre eles a alegação de que ele proibiria o voto feminino. Janones respondeu que bolsonaristas e apoiadores de Flávio estariam fazendo denúncias em massa contra o canal e contra o perfil dele.

A notícia-crime de Chiquini na PGR

Na quarta-feira (7), Chiquini já havia protocolado uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República contra Janones e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). De acordo com a SBT News, ele pede investigação por supostos crimes eleitorais, como difamação e divulgação de fatos sabidamente inverídicos, além de suspeita de organização criminosa. O pedido inclui perícia da Polícia Federal e depoimentos, e cabe à PGR decidir se abre apuração. A reportagem não encontrou manifestação de Janones ou de Lindbergh sobre essa notícia-crime.

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O que ainda não está confirmado

Uma notícia-crime é apenas a comunicação de um possível crime às autoridades. Ela não é investigação aberta, denúncia nem condenação, e os citados têm direito de se manifestar. Também não houve, até agora, decisão da Justiça Eleitoral mandando tirar o canal do ar. Se o TSE, a PGR ou a campanha de Flávio Bolsonaro confirmarem pedidos ou decisões sobre o Exército do Lula, a Folha atualiza esta reportagem. O espaço também fica aberto para a resposta de Janones e da campanha de Lula.

O que vem pela frente no segundo turno

Chiquini foi eleito deputado federal pelo Paraná com votação recorde, como a Folha mostrou na reportagem sobre os 425 mil votos do deputado, e no vídeo declara apoio a Flávio Bolsonaro. O segundo turno da eleição presidencial acontece em 25 de outubro, daqui a duas semanas, e a disputa digital entre as campanhas de Lula e de Flávio ganhou espaço central na reta final.

As informações desta reportagem vêm do vídeo publicado por Jeffrey Chiquini e de reportagens da SBT News e do Diario de Pernambuco, citadas ao longo do texto. As afirmações do deputado são dele e não representam a opinião da Folha de Patrocínio.


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