Empresário é preso com carga de café furtada de R$ 75 mil
Polícia Civil achou dois big bags com cerca de 3 toneladas, palha por cima e café beneficiado no fundo, em empresa de Patrocínio. O caminhão estava sem nota fiscal.

Um empresário de 55 anos foi preso em flagrante em Patrocínio, na terça-feira (6), suspeito de receptação qualificada de uma carga de café furtada avaliada em cerca de R$ 75 mil. A Polícia Civil encontrou dois big bags, com aproximadamente três toneladas do grão, numa empresa de beneficiamento onde a entrega seria feita, e o caminhão que levava o produto estava sem nota fiscal.
Palha por cima, café limpo embaixo
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, a carga de café furtada estava escondida dentro dos recipientes. Na parte de cima havia palha, material de menor valor, que passa a impressão de carga comum. No fundo, os policiais encontraram café limpo e já beneficiado, pronto para a venda. A falta de documento fiscal do transporte reforçou a suspeita de que a mercadoria não tinha origem regular.
O suspeito foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Patrocínio e, em seguida, encaminhado à Penitenciária de Patrocínio. Os policiais apreenderam amostras do produto e aparelhos celulares, que serão analisados. A carga será restituída ou ficará depositada em favor da empresa vítima, que teve o café furtado. A polícia não divulgou o nome do empresário, o da empresa de beneficiamento nem o da vítima.
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O crime está previsto no artigo 180 do Código Penal. A receptação simples acontece quando alguém adquire, recebe ou oculta coisa que sabe ser produto de crime. A forma qualificada, prevista no parágrafo primeiro, vale para quem faz isso no exercício de atividade comercial ou industrial: ter em depósito, transportar, vender ou usar em proveito próprio ou alheio mercadoria que deveria saber ser de origem criminosa. A pena é de reclusão de três a oito anos, além de multa.
Prisão em flagrante não é condenação. O suspeito tem direito à ampla defesa e ao contraditório, e cabe à Justiça decidir se haverá denúncia, se ele permanece preso e qual será o resultado do processo. A Polícia Civil informou que a investigação continua para identificar outros envolvidos no furto, na receptação e na comercialização do café.

O tamanho da carga de café furtada em números
Pela conta, três toneladas equivalem a cerca de 50 sacas de 60 quilos, a medida usada no mercado. Dividindo os R$ 75 mil estimados pela polícia por esse total, a conta chega a aproximadamente R$ 1,5 mil por saca. É um valor que ajuda a explicar o interesse em desviar o produto: café beneficiado é fácil de transportar, tem comprador em toda a região e circula em volume grande pelas estradas do Cerrado Mineiro.
Patrocínio é o maior produtor de café do país e tem uma cadeia inteira em volta do grão, de fazendas e cooperativas a armazéns e empresas de beneficiamento. Na safra deste ano, a Folha mostrou que a colheita do café do Cerrado Mineiro chegou a 93% na reta final. Com a colheita avançada, aumenta o movimento de caminhões com grãos entre lavouras, armazéns e compradores.
Alpha for MenComo o setor se protege
A principal barreira contra a receptação de café é a documentação. Carga sem nota fiscal, com motorista que não sabe informar a origem ou com preço muito abaixo do mercado merece desconfiança de quem compra. O comprador que recebe um lote deve conferir a documentação e a procedência, e é justamente nesse ponto que a polícia concentra a apuração: quem comprou, quem transportou e quem sabia da origem.
Quem souber de uma nova carga de café furtada, ou tiver informação sobre venda de mercadoria suspeita, pode ligar para o 190, da Polícia Militar, ou procurar a Polícia Civil de Minas Gerais. O Disque-Denúncia, pelo 181, aceita relatos sem identificação. A Folha seguirá acompanhando o caso e atualiza esta matéria caso a polícia divulgue novos detalhes, como o nome da empresa vítima e o resultado da análise dos celulares apreendidos.
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