# Voto distrital misto: sem o PL na mesa, Motta quer votar ainda em 2026 a PEC que muda a eleição de deputados

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- Published: 2026-11-01T15:43:59-03:00
- Author: Caio Menezes

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar até o fim de 2026
uma proposta de emenda à Constituição que troca o jeito de eleger deputados e vereadores
e leva o país ao voto distrital misto em 2034, com uma etapa de transição em 2030.
A ideia foi anunciada na quarta-feira (28), depois de uma reunião com oito partidos
na residência oficial da Câmara. O PL, que elegeu 121 deputados em outubro e terá
a maior bancada da Casa a partir de fevereiro, não estava na mesa. O PT também não.

Participaram PSB, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania
e Podemos. “Nós vamos fazer a discussão sobre como seria essa transição. É claro
que existem detalhes que têm que ser conversados”, disse Motta ao fim do encontro.
Ele afirmou que vai ouvir depois as bancadas de PT, PCdoB, PV, PSOL, Novo e PL.

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 * [Como funcionaria o voto distrital misto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/voto-distrital-misto/#Como_funcionaria_o_voto_distrital_misto)
 * [Por que o PL ficou de fora da conversa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/voto-distrital-misto/#Por_que_o_PL_ficou_de_fora_da_conversa)
 * [O voto distrital misto e o eleitor de Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/voto-distrital-misto/#O_voto_distrital_misto_e_o_eleitor_de_Patrocinio)
 * [O que falta para a mudança valer](https://folhadepatrocinio.com/noticias/voto-distrital-misto/#O_que_falta_para_a_mudanca_valer)

## Como funcionaria o voto distrital misto

Hoje, deputados e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional. Os votos de 
todos os candidatos de um partido somam para a legenda, e o número de cadeiras de
cada partido sai do quociente eleitoral. Por isso um candidato muito votado ajuda
a eleger colegas de chapa.

Pela proposta discutida na reunião, a mudança viria em duas etapas. Em 2030, metade
das vagas iria para os candidatos mais votados no estado, sem quociente, e a outra
metade seria preenchida por listas fechadas dos partidos, em que a ordem dos eleitos
é definida pela própria legenda. Motta não detalhou como essa fase funcionaria.

Em 2034 viria o voto distrital misto. Cada eleitor teria dois votos: um para um 
candidato do seu distrito, uma área geográfica dentro do estado, e outro para a 
lista de um partido. Metade das cadeiras sairia dos distritos, com vitória do mais
votado em cada um, e a outra metade das listas, na proporção dos votos de cada legenda.
A regra valeria para deputados federais, estaduais e distritais e para vereadores.
Senado, governo e Presidência continuam com eleição majoritária.

![Davi Alcolumbre, Lula e Hugo Motta no Palácio da Alvorada, dias antes da reunião
sobre o voto distrital misto](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/
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Alcolumbre, Lula e Motta no Palácio da Alvorada, em 26 de outubro. Foto: Ricardo
Stuckert/Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

## Por que o PL ficou de fora da conversa

A articulação ganhou força no Centrão depois de a bancada bolsonarista crescer na
eleição de outubro, puxada por nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato(
PL-SP), segundo os relatos sobre a reunião. Antes do encontro, o deputado Aécio 
Neves (PSDB-MG) disse que a maioria dos líderes concorda com a transição e que o
PL “talvez não venha” a apoiar a proposta. O PL não divulgou posição oficial sobre
o texto.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse que o partido vai adotar a medida e 
que filiados contrários serão “convidados a se desfiliar”. Os líderes também querem
incluir na mesma PEC uma regra que obrigue prefeitos a cumprir o mandato no partido
pelo qual foram eleitos.

Motta também anunciou que vai criar, em 15 dias, um grupo de trabalho para propor
novas regras de propaganda eleitoral nas redes sociais. A disputa pela presidência
da Câmara em 2027 corre em paralelo, como mostrou a reportagem sobre o [bloco de Motta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bloco-de-motta/),
e o PL avalia como se posicionar.

## O voto distrital misto e o eleitor de Patrocínio

No sistema atual, o voto de Minas Gerais para deputado federal vale para o estado
inteiro. Em outubro, Nikolas Ferreira passou de 1,5 milhão para 3,1 milhões de votos
e teve um em cada três votos para deputado federal em Patrocínio (MG), como mostrou
a reportagem sobre a [capa de Nikolas Ferreira](https://folhadepatrocinio.com/noticias/capa-de-nikolas-ferreira/).
Com distritos, o eleitor da cidade passaria a votar num candidato do distrito em
que Patrocínio estiver, além do voto na lista do partido. O desenho dos distritos
ainda não foi apresentado.

## O que falta para a mudança valer

Uma PEC precisa de três quintos dos votos em dois turnos em cada Casa: pelo menos
308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores, como prevê o artigo 60 da [Constituição](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm).
A tramitação no Senado depende de acordo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre(
União-AP), que tenta a reeleição em fevereiro, como mostrou a reportagem sobre [Marinho e Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marinho-e-alcolumbre/).

A Constituição também diz que a lei que altera o processo eleitoral só vale para
eleição que ocorra pelo menos um ano depois da sua vigência. Como a primeira etapa
está prevista para 2030, o plano anunciado não mexe nas eleições municipais de 2028.
Motta disse que os detalhes da transição ainda serão negociados com as bancadas.
