# Vorcaro indiciado pela PF: R$ 12,2 bilhões em créditos foram vendidos ao BRB sem prova de que existiam

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- Published: 2026-10-29T01:17:12-03:00
- Author: Caio Menezes

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi indiciado pela Polícia Federal
na quarta-feira (28). Num relatório parcial enviado ao Supremo Tribunal Federal (
STF), com mais de 700 páginas, a PF afirma que, de cerca de R$ 17,5 bilhões em carteiras
de crédito que o Master repassou ao BRB, o banco público do Distrito Federal, pelo
menos R$ 12,2 bilhões foram vendidos sem prova de que os créditos existiam. Com 
Vorcaro indiciado pela PF, são 15 pessoas na lista, incluindo o ex-presidente do
BRB Paulo Henrique Costa.

Indiciamento não é condenação. É a conclusão da polícia de que há indícios de crime
contra cada nome. A partir daqui, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decide
se apresenta denúncia, e só o STF pode tornar alguém réu. As defesas contestam o
relatório, como se lê mais abaixo.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/#)

 * [Vorcaro indiciado pela PF: os crimes atribuídos a cada um](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/#Vorcaro_indiciado_pela_PF_os_crimes_atribuidos_a_cada_um)
 * [Como funcionava a venda de créditos, segundo a PF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/#Como_funcionava_a_venda_de_creditos_segundo_a_PF)
 * [PF pede mais 60 dias ao STF](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/#PF_pede_mais_60_dias_ao_STF)
 * [O que dizem as defesas de Vorcaro e de Costa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/#O_que_dizem_as_defesas_de_Vorcaro_e_de_Costa)
 * [O caso Master em outras frentes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vorcaro-indiciado-pela-pf/#O_caso_Master_em_outras_frentes)

## Vorcaro indiciado pela PF: os crimes atribuídos a cada um

Segundo a PF, Vorcaro liderava o grupo. O relatório atribui a ele gestão fraudulenta
de instituição financeira, indução a erro, informação ou documento falso, organização
criminosa e lavagem de dinheiro. Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta
e organização criminosa. A polícia o descreve como o principal articulador das operações
dentro do BRB.

A lista inclui Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master, e os executivos
do banco privado Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull e Alberto Félix
de Oliveira Neto. Também aparecem o advogado Daniel Lopes Monteiro e cinco ex-dirigentes
do BRB: Dario Oswaldo Garcia Junior, Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima
Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior. Completam
a lista outras três pessoas ligadas, segundo a PF, à estrutura das carteiras de 
crédito.

O caso corre no Inquérito 5.026, aberto para apurar a tentativa de venda do Master
ao BRB. O relator no STF é o ministro André Mendonça, que assumiu o processo em 
fevereiro de 2026, depois da saída de Dias Toffoli. Os crimes de gestão fraudulenta
e de informação falsa ao fiscalizador estão na [Lei 7.492/1986](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7492.htm),
a lei dos crimes contra o sistema financeiro. A pena para gestão fraudulenta vai
de 3 a 12 anos de prisão.

![Edifício-sede do BRB em Brasília, banco citado no caso Vorcaro indiciado pela 
PF](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/vorcaro-indiciado-pela-
pf-2.webp)

Sede do BRB em Brasília: segundo a PF, o banco público comprou do Master carteiras
de crédito sem prova de existência. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília (CC
BY 2.0). Na imagem de destaque, Daniel Vorcaro (foto: Márcio Gustavo Vasconcelos,
CC0) e Paulo Henrique Costa (foto: Sam Barnes/Web Summit, CC BY 2.0).

## Como funcionava a venda de créditos, segundo a PF

A investigação diz que créditos sem lastro sustentaram operações bilionárias e mantiveram
o dinheiro entrando no Master. O relatório aponta três frentes: compra, recompra
e troca de carteiras de crédito entre os dois bancos; aumentos de capital do BRB;
e a tentativa de o banco público comprar o próprio Master, anunciada em março de
2025 e barrada pelo Banco Central meses depois. O Master entrou em liquidação extrajudicial
em novembro de 2025.

Sobre Costa, a PF diz que ele manteve tratativas com o então governador do DF, Ibaneis
Rocha, enquanto as fraudes aconteciam. Numa conversa com Vorcaro em 24 de outubro
de 2024, Costa escreveu: “Acabei de receber o ok para seguir com o aumento de capital”.
A PF também afirma que, em dezembro de 2024, Costa já questionava Vorcaro sobre 
inconsistências nas bases de crédito, o que, para os investigadores, contraria a
versão de que ele não sabia das irregularidades.

Ibaneis não foi indiciado nem é alvo da investigação. Ele deixou o governo em abril
deste ano. Em declarações anteriores, disse que “todas as tratativas foram feitas
pelo Paulo Henrique Costa”, e a defesa dele afirmou que o ex-governador não pressionou
o BRB nem teve ingerência nas operações. Até a publicação desta matéria, a Folha
não localizou manifestação de Ibaneis ou do Governo do Distrito Federal sobre o 
novo relatório.

## PF pede mais 60 dias ao STF

O relatório é parcial. A PF pediu mais 60 dias para terminar perícias e análises
bancárias, fiscais e patrimoniais, para verificar se outras pessoas participaram
da elaboração de documentos e da aprovação das operações e para aprofundar suspeitas
de corrupção. Quem decide o pedido é André Mendonça. O andamento pode ser acompanhado
na [página do Inquérito 5.026 no STF](https://portal.stf.jus.br/processos/listarProcessos.asp?classe=INQ&numeroProcesso=5026).

Vorcaro está preso na Superintendência da PF em Brasília desde março de 2026. Ele
já tinha sido preso em novembro de 2025 e solto dias depois, com tornozeleira eletrônica.
Costa foi preso em abril, numa fase posterior da operação.

## O que dizem as defesas de Vorcaro e de Costa

A defesa de Vorcaro chamou o indiciamento de “frágil e absurdo” e o relatório de“
açodado e afoito”. Os advogados dizem que a PF antecipa conclusões que a própria
investigação admite não ter alcançado, já que as perícias estão “em elaboração”,
parte do material apreendido não foi analisada e pessoas relevantes não foram ouvidas.
Sobre os números, afirmam que eles saíram da petição de uma ação de indenização 
movida pelo próprio BRB, que é parte interessada, e que nenhuma perícia oficial 
apurou prejuízo.

Segundo a defesa, o BRB não teve perda porque as carteiras questionadas foram trocadas
por outros ativos, com resultado positivo para o banco, e a PF não teve acesso à
auditoria desses ativos. Os advogados dizem ainda que a relação entre os bancos 
é assunto civil, e não criminal, e que não houve rastreamento do dinheiro que embasaria
a acusação de lavagem. Pedem o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão
preventiva, para que Vorcaro responda em liberdade.

A defesa de Paulo Henrique Costa nega irregularidades. Diz que ele não tinha conhecimento
das fraudes nas carteiras quando elas foram feitas, que comunicou inconsistências
ao Banco Central e que seguiu orientações do acionista majoritário do BRB, o Governo
do Distrito Federal. “Nenhuma decisão foi tomada por ele, sozinho”, afirmam os advogados.

## O caso Master em outras frentes

O caso passou pela campanha e pela montagem do novo governo. A Folha mostrou que
o criminalista [Pierpaolo Bottini, ex-advogado de Vorcaro, é cotado para o Ministério da Justiça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ex-advogado-de-vorcaro/),
e que mensagens analisadas pela PF registram o advogado [Walfrido Warde dizendo a Vorcaro que o apoio dele “vem do presidente”](https://folhadepatrocinio.com/noticias/walfrido-warde/).
Num debate do segundo turno, o assunto apareceu na [pergunta de Flávio Bolsonaro a Lula sobre o uísque de Vorcaro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/uisque-de-vorcaro/).
O [balanço do que a Justiça já decidiu nos grandes escândalos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/escandalos-nos-governos-do-pt/)
também trata do Master.
