# Trump falou em ‘esquerda radical’ no Brasil, mas a frase é de setembro de 2025, não de agora

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- Published: 2026-11-02T20:30:52-03:00
- Author: Caio Menezes

Uma declaração de Donald Trump sobre o governo brasileiro voltou a circular nas 
redes sociais com cara de notícia de última hora. Na frase, o presidente dos Estados
Unidos diz que o governo do Brasil “mudou radicalmente” e virou uma “esquerda radical”.
A fala é real, mas não é nova: foi dita em 5 de setembro de 2025, há mais de um 
ano.

Table of Contents

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 * [O que Trump disse e quando](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-esquerda-radical/#O_que_Trump_disse_e_quando)
 * [O contexto de setembro de 2025](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-esquerda-radical/#O_contexto_de_setembro_de_2025)
 * [O que mudou desde então](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-esquerda-radical/#O_que_mudou_desde_entao)
 * [Por que a frase antiga volta como se fosse nova](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-esquerda-radical/#Por_que_a_frase_antiga_volta_como_se_fosse_nova)
 * [Como checar uma frase que circula nas redes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-esquerda-radical/#Como_checar_uma_frase_que_circula_nas_redes)

## O que Trump disse e quando

A declaração saiu numa sexta-feira, 5 de setembro de 2025, em conversa com jornalistas
na Casa Branca. Trump respondia a uma pergunta sobre a possível restrição de vistos
a delegações de Brasil, Irã, Sudão e Zimbábue na Assembleia Geral da ONU, em Nova
York. A medida constava de um memorando interno do Departamento de Estado revelado
na véspera.

Nas respostas, ele afirmou que os Estados Unidos estavam “muito chateados com o 
Brasil”. Também disse amar o povo brasileiro, mas que o governo do país havia “mudado
radicalmente” e se tornado “radicalmente de esquerda”. No mesmo trecho, chamou de“
caça às bruxas” o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. O trecho
principal, nos relatos da época, fala em “governo do Brasil”.

![Trump na Casa Branca, em evento de 2025, em imagem sem relação com a esquerda 
radical](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/trump-esquerda-
radical-2.webp)

Trump discursa ao lado de Tim Cook em evento na Casa Branca, em agosto de 2025. 
A imagem é ilustrativa e não é do dia da declaração. Foto: Casa Branca (domínio 
público).

## O contexto de setembro de 2025

Quando falou, Trump justificava as tarifas. Desde 6 de agosto de 2025 vigorava uma
tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, e o governo americano citava
o processo contra Bolsonaro como um dos motivos. Cerca de 700 itens ficaram de fora,
entre eles suco de laranja e aeronaves civis. No fim de julho, o Tesouro americano
já havia sancionado o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.

Ou seja, a frase nasceu de um momento de atrito aberto. O Brasil respondia com a
[Lei da Reciprocidade Econômica](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15122.htm),
de abril de 2025, que permite ao país suspender concessões comerciais e outras obrigações
diante de medidas unilaterais de outro país.

## O que mudou desde então

Um ano depois, o tom que o próprio Trump usa sobre o Brasil já era outro. Em 2 de
setembro de 2026, depois de uma reunião com executivos do setor de turismo na Casa
Branca, ele disse aos jornalistas: “Temos um bom relacionamento com o Brasil”. Afirmou
ainda que os brasileiros passaram a demonstrar respeito pelos Estados Unidos e que
os países da América do Sul estão “todos indo para a direita”.

As tarifas adicionais continuam. O governo Lula abriu um processo para aplicar a
Lei da Reciprocidade, e as negociações foram retomadas, segundo o governo brasileiro
por determinação do próprio Trump. Uma reunião entre representantes dos dois países
em 31 de agosto terminou sem acordo. Lula disse ter ouvido de Trump, numa conversa
entre os dois, o reconhecimento de que a tarifa foi um erro, mas o detalhe dessa
conversa não foi divulgado.

A relação segue com ruído. A Folha mostrou em 31 de outubro que Trump disse que 
[a eleição brasileira foi uma desgraça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/eleicao-foi-uma-desgraca/)
e que Flávio Bolsonaro pode ficar nos Estados Unidos “o tempo que quiser”. Isso 
é outro episódio, com data e fala próprias, e não deve ser confundido com a declaração
de 2025.

## Por que a frase antiga volta como se fosse nova

Declarações de líderes estrangeiros sobre o Brasil costumam ganhar uma segunda vida
quando aparecem em cartões e vídeos sem data, ou com a data escondida no rodapé.
Não é um caso isolado. A Folha já mostrou que [a frase de Múcio sobre invasão dos EUA é de agosto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mucio-abrir-o-portao/)
e voltou às redes meses depois, e que a [checagem de redes sociais no visto americano](https://folhadepatrocinio.com/noticias/redes-sociais-e-visto-americano/)
vem de 2025 e não é novidade.

Também vale separar o que a frase é do que ela não é. Trata-se de uma avaliação 
política de Trump sobre o governo brasileiro, dada em meio a uma disputa comercial.
Não é um relatório nem uma medição independente do desempenho do país, e nada nela
indica um fato novo nas relações entre os dois governos.

## Como checar uma frase que circula nas redes

O caminho mais curto é procurar a data da fala e o local em que ela foi dada. Se
o texto cita um mês e um ano, como o de setembro de 2025 neste caso, a palavra “
urgente” no alto do cartão não combina com o conteúdo. Depois, vale buscar a declaração
em pelo menos dois relatos independentes e, quando existir, na transcrição oficial.
Se a frase só aparece em cartões e vídeos, sem origem, o mais seguro é não repassar.
