# The New Yorker e Lula: revista diz que a onda de direita pode varrer o petista

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/
- Published: 2026-10-22T10:11:06-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

Uma das revistas mais lidas dos Estados Unidos resolveu comentar o segundo turno
brasileiro com um título sem rodeios: “A última dança de Lula”. A coluna, publicada
na quarta-feira (21) pela The New Yorker, diz que o presidente pode ser varrido 
pela onda de direita que mudou o mapa político da América Latina nos últimos dois
anos. É uma análise assinada, não um dado oficial, e traz argumentos dos dois lados.
No caso The New Yorker e Lula, a Folha resume o que o texto afirma e põe ao lado
o que as [pesquisas do segundo turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pesquisas-do-segundo-turno/)
mostram até agora.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/#)

 * [The New Yorker e Lula: o que a coluna escreveu](https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/#The_New_Yorker_e_Lula_o_que_a_coluna_escreveu)
 * [Por que a revista vê desgaste](https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/#Por_que_a_revista_ve_desgaste)
 * [O contraponto: derrota de Lula não é apoio a tudo o que Flávio promete](https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/#O_contraponto_derrota_de_Lula_nao_e_apoio_a_tudo_o_que_Flavio_promete)
 * [E as pesquisas, o que dizem?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/#E_as_pesquisas_o_que_dizem)
 * [O que isso significa em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/the-new-yorker-e-lula/#O_que_isso_significa_em_Patrocinio)

## The New Yorker e Lula: o que a coluna escreveu

O texto é da coluna Global Notes, de Ishaan Tharoor, dedicada à política internacional.
Está em [newyorker.com](https://www.newyorker.com/news/global-notes/lulas-last-dance),
com o subtítulo de que o líder da esquerda, antes dominante, pode ser levado pela
maré da direita. A abertura conta como os apoiadores de Lula, de 80 anos, usaram“
Under Pressure”, de David Bowie e Queen, num vídeo que percorre meio século da trajetória
dele, do sindicalista ao presidente. O refrão sobre “uma última dança” deu nome 
ao artigo.

Segundo o colunista, o primeiro turno, em 4 de outubro, foi duro para o petista:
Lula ficou cerca de dois pontos atrás de Flávio Bolsonaro (PL), e os partidos de
direita avançaram também no Congresso e nos estados. Se Lula perder, só México, 
Guatemala e Uruguai continuariam com governos eleitos de esquerda na região, de 
acordo com a coluna. O texto lembra ainda um dado histórico: desde 1989, quem venceu
o primeiro turno ganhou também o segundo.

![Lula de perfil, com chapéu e a mão no queixo, em retrato citado na análise da 
The New Yorker e Lula](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/
the-new-yorker-e-lula-2.webp)

Lula em retrato de estúdio. Foto: Reprodução

## Por que a revista vê desgaste

A análise aponta fatores internos. Lula tem números fortes na economia, e o desemprego,
segundo a coluna, está no menor nível desde 2012. Mesmo assim, o autor afirma que
boa parte dos brasileiros sente o custo de vida, a insegurança e um pessimismo sobre
o rumo do país. Compara o caso ao de Joe Biden nos Estados Unidos: um político experiente
que não conseguiu conter o movimento que quis combater.

Há também o fator externo. O texto cita as tarifas aplicadas pelo presidente americano
Donald Trump ao Brasil e as sanções ao ministro Alexandre de Moraes, depois retiradas.
Lula tratou os dois episódios como ingerência na campanha. Para a coluna, a polarização
é tamanha que muitos eleitores não se comovem com esse argumento.

O que muda se Flávio vencer, na leitura do artigo: ele promete tirar o pai, Jair
Bolsonaro, da prisão domiciliar, onde cumpre 27 anos de pena, e punir juízes que
atuaram no processo. O irmão, Eduardo, quer rever o Itamaraty. A política externa
também mudaria, com o Brasil deixando de ser protagonista do Sul Global, na avaliação
de um diplomata brasileiro ouvido sob anonimato.

## O contraponto: derrota de Lula não é apoio a tudo o que Flávio promete

A própria coluna traz ressalvas. O historiador Andre Pagliarini, da Universidade
Estadual da Louisiana, diz que a eleição pode ser um repúdio a Lula, mas não necessariamente
um apoio ao tipo de reação radical que Flávio promete. O analista Brian Winter, 
da Americas Quarterly, lembra que líderes da nova direita na região acabaram adotando
posição mais neutra entre China e Estados Unidos, algo que vale em especial para
o Brasil, cujo maior parceiro comercial é a China. Para Chris Sabatini, do Chatham
House, o que se vê é mais uma onda contra quem governa do que um movimento ideológico.

## E as pesquisas, o que dizem?

A coluna é opinião informada. Quem mede intenção de voto são os institutos. A [pesquisa PoderData/Aya](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pesquisa-poderdata-22-10/)
divulgada nesta quinta-feira (22) dá 51% a Flávio e 49% a Lula nos votos válidos,
empate técnico dentro da margem de 1,6 ponto. A maioria dos institutos que divulgaram
rodada nesta semana põe Flávio entre 51% e 52% dos válidos, como mostra o resumo
da [diferença entre Flávio e Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/diferenca-entre-flavio-e-lula/)
nas pesquisas. O tom da análise americana, portanto, não decide nada: o voto é no
domingo, 25 de outubro.

## O que isso significa em Patrocínio

Em Patrocínio (MG), o primeiro turno teve Flávio com 31.008 votos, ou 61,18% dos
válidos, e Lula com 15.427, ou 30,44%, segundo o TSE. A coluna menciona que o agronegócio
brasileiro, que apoia Flávio em sua maioria, depende do mercado chinês. Patrocínio
é o maior município produtor de café do Brasil, segundo o IBGE, e o comércio com
a China é assunto concreto por aqui. A Folha acompanha a votação com a [apuração em tempo real](https://folhadepatrocinio.com/noticias/apuracao-em-tempo-real/)
no domingo.
