# Split payment e a diarista: Raul Sena prevê protestos, mas o calendário prevê início em 2027 e só entre empresas

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- Published: 2026-10-31T13:03:23-03:00
- Author: Caio Menezes

O split payment e a diarista viraram assunto depois que o influenciador de finanças
Raul Sena disse, num corte de podcast que se espalhou pelas redes nesta semana, 
que a nova forma de recolher imposto vai levar gente às ruas. “O sistema é 100 vezes
maior que o Pix”, afirmou. Para ele, quando a ferramenta começar a valer, “não vai
ficar pedra sobre pedra nesse país”. O calendário divulgado até agora, porém, prevê
o início só no segundo semestre de 2027, de forma opcional e apenas nos pagamentos
entre empresas.

A fala é previsão e opinião do autor, que não apresenta números nem estudos no trecho.
A lei e o cronograma em teste contam outra parte da história.

O trecho em que Raul Sena fala do split payment. As previsões são do autor. Vídeo:
Reprodução

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-e-a-diarista/#)

 * [O que Raul Sena disse](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-e-a-diarista/#O_que_Raul_Sena_disse)
 * [O que é o split payment](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-e-a-diarista/#O_que_e_o_split_payment)
 * [O split payment e a diarista: o que está previsto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-e-a-diarista/#O_split_payment_e_a_diarista_o_que_esta_previsto)
 * [Imposto sobre o Pix não existe](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-e-a-diarista/#Imposto_sobre_o_Pix_nao_existe)
 * [A disputa política em torno da ferramenta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-e-a-diarista/#A_disputa_politica_em_torno_da_ferramenta)

## O que Raul Sena disse

No vídeo, de menos de um minuto, Sena compara o tamanho da mudança com outros temas
do noticiário e diz que o split payment vai atingir “mais gente do que eles estão
achando”, citando a diarista como exemplo. “Aí você vai ver protesto. Agora o pessoal
vai pra rua”, disse.

Ele critica o uso de dados oficiais no planejamento da reforma. Segundo ele, esses
números não enxergam a economia informal, e por isso o governo estaria subestimando
o efeito. Sena também liga o tema a outros aumentos de carga, como a tributação 
de dividendos, e resume o clima com uma imagem: “Política é panela de pressão”. 
Para ele, “a galera tá perdendo a paciência”.

## O que é o split payment

O split payment é o jeito de recolher os dois tributos novos da reforma tributária,
a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios. Ele está na [Lei Complementar 214/2025](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp214.htm).
Quando uma empresa paga outra, o banco ou a instituição de pagamento separa a parte
do imposto e manda direto ao governo. Só o valor líquido cai na conta de quem vendeu.

Hoje, a empresa recebe o valor cheio e paga o imposto depois, no vencimento da guia.
Com o split payment, esse dinheiro deixa de ficar no caixa por algumas semanas. 
Os créditos das compras continuam abatendo o imposto devido. A Folha detalhou [o calendário do split payment em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/split-payment-em-2027/),
com as datas previstas para Pix, TED e boleto.

![Raul Sena durante o podcast em que fala do split payment e a diarista](https://
folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/split-payment-e-a-diarista-2.webp)

Raul Sena no podcast em que previu protestos contra o split payment. Imagem: Reprodução

## O split payment e a diarista: o que está previsto

Pelo cronograma que circula entre as instituições que desenvolvem a ferramenta, 
o uso começa com pilotos em março de 2027 e fica disponível para todas as empresas
em agosto (Pix com chave, Pix com QR Code estático, TED e TEF) e em outubro (boleto
e Pix com QR Code dinâmico). Nos primeiros anos, o uso deve ser opcional. A Receita
Federal e o Comitê Gestor do IBS ainda não publicaram o ato com essas datas.

Esse calendário vale para operações entre empresas que emitem nota com os tributos
novos. A venda ao consumidor final não tem data prevista, e cartão de crédito e 
de débito ficam fora da estrutura inicial. O pagamento que uma família faz por Pix
à diarista, pessoa física, não está entre as operações desse cronograma.

Desde 15 de outubro de 2026, a plataforma está em testes com algumas instituições
de pagamento, em ambiente controlado e sem recolher imposto de verdade.

## Imposto sobre o Pix não existe

A confusão entre split payment e “imposto sobre o Pix” não é nova. A Receita Federal
já publicou [orientação contra notícias falsas sobre Pix e tributação](https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/receita-federal-orienta-a-populacao-sobre-fake-news-envolvendo-pix-e-tributacao):
não há tributo sobre transferências, e a Constituição não autoriza imposto sobre
movimentação financeira. O Pix é só o meio de pagamento. O que o split payment muda
é o momento em que o imposto da venda é recolhido, não o valor que o consumidor 
paga no caixa.

Em 2026, as notas fiscais já trazem CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, em caráter de teste
e sem cobrança efetiva. A troca dos tributos atuais pelos novos é gradual e vai 
até 2033. A alíquota final ainda é alvo de disputa, e a Folha mostrou por que o 
Brasil pode ter [o maior IVA do mundo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/maior-iva-do-mundo/)
e o que o TCU calculou para [a alíquota da CBS](https://folhadepatrocinio.com/noticias/aliquota-da-cbs-tcu/).

## A disputa política em torno da ferramenta

O split payment entrou na campanha presidencial. Em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro(
PL) disse que retiraria o mecanismo da reforma se fosse eleito. Tributaristas lembraram
que isso só seria possível com uma nova lei complementar, aprovada pelo Congresso.
Lula (PT) venceu o segundo turno, em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos,
e o cronograma segue mantido. A campanha de Flávio também prometeu o Vira Pix, que
a Folha comparou com [o cashback da CBS que já está na lei](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vira-pix/).

O efeito no caixa de algumas empresas é concreto. Prestadores de serviço que vendem
a outras empresas, recebem à vista e têm poucos créditos para abater, porque salário
não gera crédito, vão sentir a perda de caixa. A previsão de que a ferramenta vai
alcançar a diarista e provocar protestos no primeiro mês, no entanto, não tem respaldo
no calendário divulgado até agora. Esta reportagem será atualizada quando a Receita
Federal e o Comitê Gestor publicarem o ato oficial.
