# Sigilos de Lulinha: defesa entrega dados a Mendonça sete meses depois de Dino anular a quebra da CPMI

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- Published: 2026-10-20T20:57:18-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

Em março, uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
derrubou a quebra dos sigilos de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS. Sete meses 
depois, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva diz que ele mesmo entregou os dados
fiscais, bancários e telemáticos ao ministro André Mendonça, relator de dois dos
três inquéritos da Polícia Federal que citam o filho do presidente. O anúncio veio
nesta segunda-feira (19), a seis dias do 2º turno. Os números da disputa estão no
quadro das [pesquisas do 2º turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pesquisas-do-segundo-turno/).

Quem contou foi o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha e coordena
a campanha de Lula (PT). Segundo ele, a entrega foi voluntária, o material também
foi levado à PF e o pedido partiu do próprio presidente, que telefonou ao filho 
depois que as investigações foram abertas. Mendonça recebeu o advogado em audiência
registrada na agenda pública do ministro.

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 * [O que Dino decidiu sobre os sigilos de Lulinha em março](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilos-de-lulinha/#O_que_Dino_decidiu_sobre_os_sigilos_de_Lulinha_em_marco)
 * [Os três inquéritos que citam Lulinha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilos-de-lulinha/#Os_tres_inqueritos_que_citam_Lulinha)
 * [PF pediu mais prazo, e Mendonça ainda não decidiu](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilos-de-lulinha/#PF_pediu_mais_prazo_e_Mendonca_ainda_nao_decidiu)
 * [O que diz a defesa de Lulinha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilos-de-lulinha/#O_que_diz_a_defesa_de_Lulinha)
 * [Por que a entrega dos sigilos de Lulinha virou assunto de campanha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilos-de-lulinha/#Por_que_a_entrega_dos_sigilos_de_Lulinha_virou_assunto_de_campanha)

## O que Dino decidiu sobre os sigilos de Lulinha em março

Em 26 de fevereiro, a CPMI do INSS aprovou de uma vez dezenas de requerimentos, 
entre eles a quebra dos sigilos de Lulinha. Alvos da comissão recorreram ao Supremo.
Em 4 de março, Dino anulou a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, 
amiga de Lulinha. No dia seguinte, 5 de março, estendeu a decisão ao filho do presidente
e a outros alvos.

O argumento do ministro foi o modo de votação. Para Dino, a votação “em globo”, 
com vários pedidos aprovados num só ato, não vale para quebra de sigilo, que exige
análise individual de cada caso. A decisão deixou aberta a possibilidade de a comissão
refazer as votações, uma a uma.

Dino também deixou claro que a anulação não tocava nas quebras feitas na investigação
da Polícia Federal, que corre sob supervisão do STF em procedimentos próprios. Na
prática, a decisão de março tirou os dados das mãos da CPMI, e a investigação da
PF seguiu com as quebras que já tinha.

## Os três inquéritos que citam Lulinha

O STF autorizou as investigações a partir do fim de julho. A PF apura suspeita de
tráfico de influência e corrupção em favor de empresas com negócios no governo federal.
Mendonça é relator de dois inquéritos, e Dino, do terceiro.

Os dois casos com Mendonça tratam da intermediação de um contrato de cannabis medicinal
no Ministério da Saúde e de negócios do empresário Cléber Ribas, cuja empresa tem
R$ 53 milhões em contratos com o Ministério do Desenvolvimento Social. Os representantes
de Ribas negam irregularidades e afirmam que os contratos seguiram a lei.

O nome de Lulinha chegou à PF pela proximidade com Roberta Luchsinger, alvo da Operação
Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias do INSS e foi deflagrada
em dezembro do ano passado. A Folha já mostrou o que a empresária diz sobre [a viagem de Lulinha à Espanha](https://folhadepatrocinio.com/noticias/roberta-luchsinger-ajudou-lulinha/)
e como o caso entrou no [debate da Band](https://folhadepatrocinio.com/noticias/roberta-luchsinger-no-debate/).

Entre as diligências da PF estão as viagens de Lulinha e de Roberta desde janeiro
de 2023, com a checagem de quem pagou as passagens, os vínculos societários e financeiros
dos citados, as reuniões em órgãos do governo e as despesas de uma viagem de Lulinha
a Portugal em junho de 2024. A lista inclui também a análise de movimentações bancárias
obtidas com quebras de sigilo que o Supremo já tinha autorizado.

![André Mendonça discursa ao microfone, ministro que recebeu os sigilos de Lulinha
no STF](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/sigilos-de-lulinha-
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André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos, em foto de arquivo. Foto: Luis
Macedo/Câmara dos Deputados

## PF pediu mais prazo, e Mendonça ainda não decidiu

Em 2 de outubro, quando venceu o prazo inicial de 60 dias para as diligências, a
PF pediu ao STF mais tempo nos dois inquéritos relatados por Mendonça. A justificativa
é que ainda faltam resultados de análises técnicas. Até esta terça-feira (20), o
ministro não tinha decidido o pedido.

A defesa de Roberta Luchsinger pede o arquivamento de um dos inquéritos e diz que
a investigação precisa se limitar ao objeto original.

## O que diz a defesa de Lulinha

Lulinha mora na Espanha com a família, e a defesa diz que a entrega dos sigilos 
de Lulinha mostra disposição de colaborar. O advogado afirma que ele volta ao Brasil
se for chamado a depor: “Se o Fábio for chamado, ele virá a todo e qualquer momento
prestar esclarecimento”. Carvalho diz que não há prova contra o cliente e critica
a PF por manter o caso aberto: “Na minha avaliação, faltou coragem para a PF arquivar
esse inquérito”.

Segundo o advogado, a PF teria dito não ter elementos nem para ouvir Fábio. Ele 
afirma ainda que o inquérito só não foi arquivado por envolver o filho do presidente
e uma amiga dele.

## Por que a entrega dos sigilos de Lulinha virou assunto de campanha

A ordem dos fatos é o que pesa na discussão. Em março, a quebra aprovada pelos parlamentares
caiu no Supremo a pedido dos próprios alvos. Em outubro, com três inquéritos da 
PF abertos e a eleição a uma semana, a defesa decidiu entregar os dados por conta
própria. O advogado apresenta a entrega dos sigilos de Lulinha como prova de que
ele não tem o que esconder; adversários de Lula perguntam por que a abertura só 
veio agora.

O caso se cruza com outro pedido. Nesta terça (20), a campanha de Lula pediu ao 
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura dos sigilos do presidente, da primeira-
dama e dos cinco filhos, Lulinha incluído, desde que Flávio Bolsonaro (PL) faça 
o mesmo com a própria família. O detalhamento do pedido está na reportagem sobre
o [sigilo de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/sigilo-de-lula/). O relator
desse pedido no TSE também é André Mendonça.

Os inquéritos seguem sob sigilo no [Supremo Tribunal Federal](https://portal.stf.jus.br/).
Nenhum deles tem denúncia apresentada, e Lulinha não foi indiciado. A votação do
2º turno é no domingo (25), e a Folha acompanha os números na [apuração em tempo real](https://folhadepatrocinio.com/noticias/apuracao-em-tempo-real/).
