# Ruiz Coffees deve R$ 1,6 bilhão: três safras quebradas e juros levaram a produtora de café à recuperação judicial

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/
- Published: 2026-10-30T16:15:01-03:00
- Author: Caio Menezes

A Ruiz Coffees, grupo apontado como o segundo maior produtor de café do Brasil, 
deve cerca de R$ 1,6 bilhão e agora depende da Justiça paulista. O pedido de recuperação
judicial foi protocolado em 8 de outubro na Vara Regional Empresarial e de Conflitos
de São José do Rio Preto (SP), e a empresa atribui a crise à falta de dinheiro em
caixa. Segundo ela, a produção continua.

Pouco menos da metade da conta entra no processo. Os créditos sujeitos à recuperação
somam cerca de R$ 775 milhões. Outros R$ 820 milhões, aproximadamente, ficam de 
fora porque estão garantidos por alienação fiduciária, a maior parte com fazendas
como garantia. Esses credores podem seguir cobrando por fora do plano.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#)

 * [Ruiz Coffees: quem é o grupo e o tamanho da operação](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#Ruiz_Coffees_quem_e_o_grupo_e_o_tamanho_da_operacao)
 * [Três safras quebradas e café vendido antes da alta](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#Tres_safras_quebradas_e_cafe_vendido_antes_da_alta)
 * [Quem tem dinheiro a receber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#Quem_tem_dinheiro_a_receber)
 * [O que a Justiça já decidiu](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#O_que_a_Justica_ja_decidiu)
 * [O que diz a Ruiz Coffees](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#O_que_diz_a_Ruiz_Coffees)
 * [A recuperação judicial da Ruiz Coffees e o produtor do Cerrado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/#A_recuperacao_judicial_da_Ruiz_Coffees_e_o_produtor_do_Cerrado)

## Ruiz Coffees: quem é o grupo e o tamanho da operação

O grupo nasceu em 1930, em Bálsamo, no interior de São Paulo, fundado por João Ruiz
Lourenço, e hoje está na quarta geração da família. É comandado por João Ruiz Lourenço
Filho. As lavouras ficam em Minas Gerais e na Bahia, com cerca de 7,5 mil hectares
de café, segundo os documentos do pedido. Em julho, o próprio diretor financeiro
falava em perto de 9 mil hectares só de lavoura de café; a diferença entre os dois
números não foi explicada.

Em Piumhi (MG), a Ruiz Coffees mantém um armazém com capacidade para 160 mil sacas.
O grupo emprega mais de 500 pessoas diretamente e, em declarações anteriores, informava
produzir em média 150 mil sacas de arábica por ano. Também vende café torrado com
a marca Ruiz no varejo.

Entram no pedido a Agropecuária JBP, a Agropecuária JRF, a Agropecuária Ruiz, o 
Auto Posto Central Bálsamo e um produtor rural pessoa física.

## Três safras quebradas e café vendido antes da alta

A explicação dada pela própria empresa começa no clima. Foram três safras prejudicadas
em sequência: a geada de julho de 2021, o calor extremo na florada de 2023 e a estiagem
de 2024. As quebras ficaram entre 14% e 28% do volume orçado.

Na safra 2023/24, o grupo esperava 250 mil sacas e colheu 179,8 mil. Na 2024/25,
a frustração foi de 21%, com 193 mil sacas. Para a 2025/26, a estimativa é de 205
mil sacas, 13,9% abaixo do previsto.

O problema é que boa parte desse café já estava vendida. O grupo fechou vendas a
termo com tradings, com preço fixado antes da disparada da cotação, e deu os recebíveis
como garantia aos financiadores. Com a colheita abaixo do previsto, o custeio de
cada safra passou a depender do dinheiro da anterior.

Também pesaram os juros. As dívidas atreladas ao CDI ficaram mais caras, o crédito
ao agronegócio encolheu e os vencimentos se concentraram em 2025 e 2026. A empresa
diz que tenta reorganizar o passivo desde o ano passado e que foi à Justiça quando
credores deixaram a mesa de negociação e partiram para a execução.

## Quem tem dinheiro a receber

Na lista de credores aparecem a Caixa, com R$ 130,8 milhões, a securitizadora Vert,
com R$ 109,3 milhões, e o Sicoob, com R$ 77,9 milhões. Há também cooperativas, bancos,
tradings e fundos do agronegócio.

Parte da dívida foi parar no mercado de capitais. Quatro Certificados de Recebíveis
do Agronegócio (CRAs) ativos têm saldo devedor de R$ 192,9 milhões e estão na carteira
de Fiagros como os da Galápagos (GCRA11), da Suno (SNAG11) e da Vectis (VCRA11).
As estruturas desses CRAs envolvem cerca de 1,5 mil hectares de café, um quinto 
da área cultivada, e 1,1 mil hectares de cana-de-açúcar. Antes do pedido, chegou
a ser discutida a passagem de fazendas a um fundo dos financiadores, com arrendamento
de volta à própria Ruiz.

## O que a Justiça já decidiu

O juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf antecipou parte dos efeitos da recuperação. Ficaram
suspensas por 30 dias as execuções e os bloqueios de bens, os credores não podem
antecipar o vencimento dos contratos por causa do pedido, e o café colhido e o que
ainda está no pé foram reconhecidos como essenciais à atividade. Com isso, nem os
credores que ficaram fora do processo podem penhorar esse café.

O processamento definitivo ainda não foi decidido. Antes disso, a Justiça mandou
fazer uma verificação prévia das condições de funcionamento das empresas, a cargo
da Compasso Administração e Consultoria Empresarial. Se o pedido for aceito, a [Lei de Recuperação Judicial (Lei 11.101/2005)](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm)
dá 60 dias para a apresentação do plano aos credores.

## O que diz a Ruiz Coffees

A empresa afirma que vive uma “crise de liquidez, e não de viabilidade operacional”,
e que a atividade segue rentável. O diretor financeiro, Ricardo Prado, disse que
a produção continua e que a prioridade é financiar a safra 2026/27 e manter os empregos.
Segundo a Ruiz, a quase totalidade dos créditos que ficaram fora da recuperação 
já foi renegociada.

A venda de fazendas e de outros ativos que a empresa considera não essenciais está
em avaliação e pode entrar no plano. O grupo diz que não há negociação em andamento
para divulgar. Em julho, quando já renegociava com os credores, o grupo desfez a
compra de fazendas, e Prado chamou a devolução de “sinal de disciplina”.

## A recuperação judicial da Ruiz Coffees e o produtor do Cerrado

O caso chega num momento de crédito apertado também em Patrocínio (MG), maior produtor
de café do país. Entre julho e setembro, bancos e cooperativas liberaram R$ 141,3
milhões em custeio para o café no município, contra R$ 205,1 milhões no mesmo período
de 2025, uma [queda de 31% no crédito rural em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/credito-rural-em-patrocinio/),
segundo dados do Banco Central.

Quem planta na região conhece os problemas que pesaram sobre a Ruiz: quebra de safra
por clima, venda antecipada que deixa o produtor fora da alta e juro alto, que deve
seguir em discussão com a [Selic em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/selic-em-2027/).
A conta da saca com o dólar mais caro está [nesta simulação passo a passo para o produtor](https://folhadepatrocinio.com/noticias/saca-de-cafe-em-patrocinio/),
e a cotação do dia fica na página do [preço do café hoje em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/preco-do-cafe-hoje-patrocinio/).

_Imagem de destaque: Divulgação/Ruiz Coffees._
