# Rony Gabriel e a CLT: R$ 2 mil de salário custam R$ 3,8 mil ao patrão, diz o deputado; a conta varia conforme o regime

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- Published: 2026-11-01T00:04:17-03:00
- Author: Caio Menezes

Rony Gabriel e a CLT entraram na mesma frase num vídeo publicado no sábado (31).
O deputado federal eleito pelo Podemos do Rio Grande do Sul disse que quem tira 
dinheiro do trabalhador é o governo, e não o “patrão malvadão”, e propôs uma regra
para provar o argumento: o empregado receberia do patrão o custo inteiro do contrato
e pagaria sozinho os encargos da folha. A conta que ele faz, de R$ 3.800 para um
salário de R$ 2 mil, está no topo do que os cálculos de contabilidade mostram.

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 * [O que Rony Gabriel disse sobre a CLT](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rony-gabriel-e-a-clt/#O_que_Rony_Gabriel_disse_sobre_a_CLT)
 * [A conta de R$ 3.800 fecha?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rony-gabriel-e-a-clt/#A_conta_de_R_3800_fecha)
 * [Um projeto parecido já está na Câmara](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rony-gabriel-e-a-clt/#Um_projeto_parecido_ja_esta_na_Camara)
 * [O que mudaria para quem trabalha de carteira assinada](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rony-gabriel-e-a-clt/#O_que_mudaria_para_quem_trabalha_de_carteira_assinada)
 * [O que acompanhar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rony-gabriel-e-a-clt/#O_que_acompanhar)

## O que Rony Gabriel disse sobre a CLT

No vídeo de pouco menos de um minuto, o deputado afirma que hoje um trabalhador 
que ganha R$ 2 mil por mês custa “em torno de R$ 3.800” ao patrão. Na regra que 
ele imagina, o patrão pagaria esses R$ 3.800 ao empregado, que ficaria responsável
por todos os encargos trabalhistas da folha de pagamento. “Vamos ver se ele vai 
continuar querendo CLT”, diz.

Segundo Rony, o objetivo é fazer o trabalhador enxergar o que o contrato custa e
quem fica com a diferença. Ele afirma que o governo é “populista” e que o povo acredita
estar protegido pelo FGTS enquanto, nas palavras dele, é roubado a vida inteira.“
Roubo” é o termo usado pelo deputado, e a Folha não encontrou, até a publicação 
desta reportagem, resposta do Ministério do Trabalho ou do governo federal ao vídeo.

Rony diz ter “uma lei” para levar à Câmara, mas não informou o número, o texto nem
a data em que pretende apresentá-la. Ele toma posse em fevereiro de 2027, quando
começa a nova legislatura. No vídeo, não citou nenhum projeto já em tramitação. 
A Folha também não encontrou proposta de autoria dele sobre o tema.

## A conta de R$ 3.800 fecha?

Depende do regime tributário da empresa e dos benefícios pagos. Calculadoras de 
empresas de contabilidade, para um salário de R$ 2 mil, chegam a cerca de R$ 2.780
por mês no Simples Nacional, perto de R$ 3.360 no lucro real e valores entre R$ 
3.500 e R$ 4.000 no lucro presumido, quando entram vale-transporte, vale-refeição
e as contribuições de cada regime. O número de Rony, portanto, é possível, mas está
na faixa mais alta da estimativa.

O ponto mais sensível da fala é a ideia de que a diferença entre o custo e o salário
vai toda para o governo. Boa parte dela volta ao trabalhador de outras formas:

 * o FGTS é de 8% do salário, ou R$ 160 sobre R$ 2 mil, e é depositado numa conta
   em nome do próprio trabalhador, como a Folha explicou na matéria sobre a [antecipação do saque-aniversário](https://folhadepatrocinio.com/noticias/antecipacao-do-saque-aniversario/);
 * o 13º salário e as férias com o adicional de um terço são pagos ao empregado;
 * o INSS patronal, de 20% sobre a folha no regime normal de tributação, equivale
   a R$ 400 sobre R$ 2 mil e financia a Previdência. Empresas do Simples recolhem
   um imposto único, o que ajuda a explicar por que a conta delas é menor.

O que o governo recebe é uma parte do custo, e não a diferença inteira. A regra 
do FGTS está na [Lei 8.036, de 1990](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8036consol.htm).

![Rony Gabriel falando sobre Rony Gabriel e a CLT em vídeo](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/11/rony-gabriel-e-a-clt-2.webp)

Rony Gabriel no vídeo publicado no sábado (31). Imagem: reprodução do vídeo de Rony
Gabriel.

## Um projeto parecido já está na Câmara

A ideia de Rony se parece com o Projeto de Lei 894/2025, do deputado Marcos Pollon(
PL-MS), apresentado em 11 de março de 2025. Pela ementa registrada na [página do projeto na Câmara](https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2486471),
o texto muda o pagamento do salário para que o empregado receba o valor integral
e fique com a responsabilidade direta de recolher os encargos, por meio de um documento
de arrecadação unificado emitido pela União.

Segundo a justificativa do autor, a medida livraria o empregador de encargos operacionais
excessivos e faria o trabalhador enxergar todos os descontos sobre a própria remuneração.
Em consulta feita pela Folha neste domingo (1º), o projeto aguardava a designação
de relator na Comissão de Trabalho. Ele ainda precisa passar pelas comissões de 
Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça, e depois ser aprovado na Câmara
e no Senado para virar lei.

Rony não mencionou o projeto de Pollon, e a Folha não encontrou ligação entre os
dois textos além da semelhança da ideia.

## O que mudaria para quem trabalha de carteira assinada

Na proposta de Pollon, o trabalhador passaria a receber o salário bruto, sem os 
descontos de INSS, FGTS e imposto de renda feitos hoje pelo empregador, e pagaria
tudo por um boleto mensal, com vencimento até o dia 20 do mês seguinte. A mudança
tira da empresa a tarefa de recolher e põe a conta nas mãos de quem recebe.

A Folha não encontrou estudo oficial sobre o efeito da mudança em quem ganha salário
mínimo ou em quem não costuma acompanhar prazos de pagamento. O debate sobre o peso
da folha para o patrão não é novo: a Folha mostrou, na matéria sobre o [fim da escala 6×1 numa pizzaria de Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/escala-6x1-pizzaria/),
como um dono de pequeno negócio calcula o custo de cada mudança na jornada.

## O que acompanhar

O primeiro passo é saber se Rony vai de fato protocolar um texto e se o apresentará
como projeto de lei ou como proposta de emenda à Constituição, já que mexer em tributos
e em direitos do trabalhador pode exigir caminhos diferentes. O segundo é o destino
do PL 894/2025, parado à espera de relator.

Rony também esteve na pauta da Folha por outras falas recentes: disse que vai trabalhar
para [reduzir os danos do governo Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rony-gabriel-reduzir-danos/)
e avisou que não votará em Hugo Motta, como mostrou a matéria sobre a [reeleição do presidente da Câmara](https://folhadepatrocinio.com/noticias/reeleicao-de-hugo-motta/).
