# Revisão criminal de Bolsonaro: Nunes Marques dá 10 dias à PGR, e ala de Moraes não vê chance de reverter a pena

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- Published: 2026-10-29T20:53:21-03:00
- Author: Caio Menezes

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu dez dias
para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre a revisão criminal
de Bolsonaro, o pedido em que a defesa do ex-presidente tenta anular a condenação
de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O despacho foi 
assinado na segunda-feira (26) e se tornou público na quarta-feira (28). Nunes Marques
é o relator do caso.

A defesa também pede uma liminar para suspender o cumprimento da pena até o julgamento
final. Bolsonaro cumpre a pena em prisão domiciliar. Enquanto o prazo corre, relatos
de bastidores publicados nesta semana apontam que ministros próximos de Alexandre
de Moraes não veem espaço para reverter a condenação nem para soltar o ex-presidente.

Table of Contents

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 * [O que a defesa pede na revisão criminal de Bolsonaro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/revisao-criminal-de-bolsonaro/#O_que_a_defesa_pede_na_revisao_criminal_de_Bolsonaro)
 * [A primeira tentativa e o parecer de Gonet](https://folhadepatrocinio.com/noticias/revisao-criminal-de-bolsonaro/#A_primeira_tentativa_e_o_parecer_de_Gonet)
 * [Por que o caso andou só depois da eleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/revisao-criminal-de-bolsonaro/#Por_que_o_caso_andou_so_depois_da_eleicao)
 * [O que é uma revisão criminal](https://folhadepatrocinio.com/noticias/revisao-criminal-de-bolsonaro/#O_que_e_uma_revisao_criminal)

## O que a defesa pede na revisão criminal de Bolsonaro

O novo pedido foi protocolado em 24 de setembro. Os advogados afirmam que a cadeia
de custódia das provas foi comprometida, com base num parecer técnico, e que as 
investigações seriam nulas por terem começado sem pedido prévio do Ministério Público
nem aval do plenário do STF. Também argumentam que o julgamento deveria ter sido
feito pelo plenário, com os 11 ministros, e não pela Primeira Turma.

Outro ponto é o acesso às provas digitais. Segundo a defesa, cerca de 70 terabytes
de dados foram liberados às vésperas das audiências, sem tempo para análise. Para
pedir a suspensão da pena, os advogados dizem que a prisão já cumprida não pode 
ser devolvida se a revisão for aceita no fim.

A tese central é que, se as decisões que deram origem à investigação forem anuladas,
as provas e os depoimentos colhidos a partir delas também perderiam a validade.

![Ministros do STF no plenário ao lado de Jair Bolsonaro discursando, em montagem
sobre a revisão criminal de Bolsonaro](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/
uploads/2026/10/revisao-criminal-de-bolsonaro-2.webp)

Ministros do STF no plenário e, à direita, Jair Bolsonaro em sessão na Assembleia
Legislativa do Espírito Santo, em 2023. Fotos: Reprodução e Assembleia Legislativa
do ES (CC BY 2.0)

## A primeira tentativa e o parecer de Gonet

Esta é a segunda revisão criminal apresentada pela defesa. A primeira foi protocolada
em maio de 2026 e retirada por causa do novo pedido. Antes da desistência, o procurador-
geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra. Ele defendeu a validade integral
da condenação e disse que a revisão criminal é um recurso excepcional, que exige
erro judiciário evidente ou prova nova de inocência, o que, segundo ele, não existia
no caso.

No parecer, Gonet citou o plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa a “
neutralização” de autoridades, entre elas o próprio Moraes, e apontou Bolsonaro 
como “mentor do esquema”. A defesa nega as acusações e sustenta que o ex-presidente
não participou de nenhum plano contra autoridades.

## Por que o caso andou só depois da eleição

No início de outubro, Nunes Marques havia indicado que só daria andamento ao pedido
depois do fim do processo eleitoral, para não interferir na disputa presidencial.
O segundo turno foi no domingo (25), com a reeleição de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro(
PL), filho do ex-presidente. O despacho saiu no dia seguinte.

Depois do parecer da PGR, o relator pode levar a revisão ao plenário. Antes disso,
existe a possibilidade de uma decisão individual sobre o pedido de liberdade, que
depois seria submetida aos outros ministros. A avaliação atribuída à ala de Moraes
não é uma decisão do tribunal, e o julgamento ainda não tem data.

## O que é uma revisão criminal

A revisão criminal está prevista no artigo 621 do [Código de Processo Penal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm).
Ela só pode ser pedida depois que a condenação se torna definitiva e cabe em três
situações: quando a sentença contraria a lei ou as provas dos autos, quando se baseia
em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos, ou quando surgem provas
novas de inocência. Não é um novo recurso para rediscutir o caso inteiro, e por 
isso só é aceita em situações excepcionais.

O caso de Bolsonaro tem movimentado o Congresso e o STF desde a eleição. A Folha
mostrou que [Davi Alcolumbre avalia um indulto ou anistia ao ex-presidente em troca de votos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/alcolumbre-avalia-indulto/)
e que [Moraes liberou a visita de Valdemar Costa Neto a Bolsonaro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/visita-de-valdemar-a-bolsonaro/)
nesta quinta-feira. A composição do tribunal também deve mudar nos próximos anos,
já que [Lula pode indicar quatro ministros ao STF até 2030](https://folhadepatrocinio.com/noticias/quatro-ministros-ao-stf/).
