# Redes sociais e visto americano: EUA checam “antiamericanismo” desde 2025, e projeto que deporta defensores do comunismo segue parado

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- Published: 2026-11-02T12:46:24-03:00
- Author: Caio Menezes

Quem pede visto ou algum benefício de imigração nos Estados Unidos já tem as redes
sociais examinadas em busca do que o governo de Donald Trump chama de “atividade
antiamericana”. A regra sobre redes sociais e visto americano está em vigor desde
19 de agosto de 2025 no Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS). No Congresso, 
o deputado republicano Chip Roy apresentou em abril um projeto que vai além: deportar,
retirar a cidadania e barrar a entrada de estrangeiros ligados ao comunismo, ao 
socialismo ou ao islamismo radical. Esse texto, porém, ainda não foi votado.

As duas medidas voltaram a circular nas redes neste fim de semana como se fossem
novas. A checagem de redes sociais já vale há mais de um ano e foi ampliada em etapas.
O projeto de Roy está parado na Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes
desde que foi apresentado.

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 * [O que já vale sobre redes sociais e visto americano](https://folhadepatrocinio.com/noticias/redes-sociais-e-visto-americano/#O_que_ja_vale_sobre_redes_sociais_e_visto_americano)
 * [O projeto de Chip Roy](https://folhadepatrocinio.com/noticias/redes-sociais-e-visto-americano/#O_projeto_de_Chip_Roy)
 * [O papel do ICE](https://folhadepatrocinio.com/noticias/redes-sociais-e-visto-americano/#O_papel_do_ICE)
 * [O que muda para o brasileiro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/redes-sociais-e-visto-americano/#O_que_muda_para_o_brasileiro)

## O que já vale sobre redes sociais e visto americano

Em comunicado de 19 de agosto de 2025, o [USCIS](https://www.uscis.gov/newsroom/news-releases/uscis-to-consider-anti-americanism-in-immigrant-benefit-requests)
mudou o manual que orienta os servidores na análise de pedidos como residência permanente,
o green card, e naturalização. Nos pedidos em que o servidor tem margem para decidir,
apoiar ou promover ideologias “antiamericanas” ou terroristas passou a contar como“
um fator extremamente negativo”. O órgão também ampliou os tipos de pedido que passam
pela triagem de redes sociais e incluiu nessa triagem a busca por atividade antiamericana.
A regra valeu na hora, inclusive para os pedidos que já estavam em análise.

“Os benefícios da América não devem ser dados a quem despreza o país e promove ideologias
antiamericanas”, disse na época o porta-voz do USCIS, Matthew Tragesser. O comunicado
não define o que é antiamericano, e essa é a principal crítica de organizações de
defesa das liberdades civis. Para o Brennan Center, centro de estudos ligado à Universidade
de Nova York, a falta de definição abre espaço para punir opiniões protegidas pela
liberdade de expressão.

No Departamento de Estado, que emite os vistos nos consulados, a revisão da presença
online começou em junho de 2025 com estudantes e intercambistas, que precisam deixar
os perfis públicos antes da entrevista. Em dezembro do mesmo ano, a exigência chegou
aos vistos de trabalho H-1B e, em 30 de março de 2026, a mais de uma dezena de outras
categorias, segundo escritórios de advocacia de imigração que acompanham as regras.

![Montagem com operação do ICE em Chicago e o presidente Donald Trump, sobre redes
sociais e visto americano](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/
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Agentes do ICE, a polícia de imigração americana, durante operação em Chicago, em
janeiro de 2025 (ao fundo), e o presidente Donald Trump. Montagem da Folha. Fotos:
U.S. Immigration and Customs Enforcement (domínio público) e Reprodução

## O projeto de Chip Roy

O texto foi apresentado em 20 de abril de 2026 com o nome de Lei de Medidas contra
Adeptos Perigosos do Marxismo e Islamistas Nocivos. A sigla em inglês forma “MAMDANI”,
referência a Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, cidadão naturalizado e filiado
aos Socialistas Democráticos da América. Pelo comunicado do [gabinete de Roy](https://roy.house.gov/media/press-releases/rep-roy-introduces-mamdani-act-denaturalize-and-deport-marxists-and-islamic),
o projeto permite deportar, desnaturalizar, negar a cidadania e barrar a entrada
de estrangeiros que sejam membros de partidos socialistas, comunistas, do Partido
Comunista Chinês ou de partidos islamistas fundamentalistas, e também de quem defenda
essas ideologias.

“Ao mirar a Aliança Vermelho-Verde, esta lei traz novas ferramentas para reagir”,
afirmou Roy, que é do Texas, no lançamento. Deputados democratas reagiram dizendo
que o texto não resistiria na Justiça, porque a Primeira Emenda da Constituição 
americana protege a liberdade de opinião e de associação. Para virar lei, o projeto
precisa passar pela comissão, pelo plenário da Câmara e pelo Senado, e depois ser
sancionado por Trump.

## O papel do ICE

O USCIS decide os pedidos de residência e cidadania, e os consulados decidem os 
vistos. Quem prende e deporta é o ICE, a agência de imigração e alfândega, que ganhou
peso no segundo mandato de Trump com operações em cidades como Chicago, Los Angeles
e Nova York. Um imigrante que tenha o pedido negado e fique sem documento regular
pode entrar na mira dessas operações. Se o projeto de Roy for aprovado, a filiação
ou a defesa de uma ideologia passaria a ser, por si só, motivo para abrir um processo
de deportação.

## O que muda para o brasileiro

Para o turista brasileiro, o formulário de pedido de visto, o DS-160, já pede os
nomes de usuário nas redes sociais dos últimos cinco anos desde 2019. A exigência
de deixar o perfil público, por enquanto, vale para estudantes, intercambistas, 
trabalhadores temporários e as categorias incluídas em março. Quem mora nos Estados
Unidos e pede green card ou cidadania é quem passa pelo crivo do USCIS. A relação
entre os dois governos também anda tensa: até o fim de outubro, Trump não tinha 
reconhecido publicamente a vitória de Lula, como mostrou a reportagem sobre [Trump e a eleição do Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/trump-e-a-eleicao-do-brasil/),
e o senador Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o fim de outubro, como
contou a matéria sobre a [live de Flávio Bolsonaro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/live-de-flavio-bolsonaro/).
Os editoriais americanos sobre o caso Flávio foram tema da reportagem sobre o [WSJ e do Washington Post](https://folhadepatrocinio.com/noticias/wsj-e-washington-post/).
