# Recuperação judicial bate recorde no Brasil em 2026

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/
- Published: 2026-08-27T14:17:02-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com o maior número já registrado de 
empresas em **recuperação judicial**: 6.341 companhias, segundo o Monitor RGF-BizDoc.
O total representa uma alta de 6,2% frente ao fim de 2025 e confirma uma tendência
que já dura mais de um ano, puxada por juros elevados e crédito cada vez mais restrito
para negócios de todos os portes.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/#)

 * [O que mostra o recorde de recuperação judicial no Brasil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/#O_que_mostra_o_recorde_de_recuperacao_judicial_no_Brasil)
 * [Por que cada vez mais empresas recorrem à recuperação judicial](https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/#Por_que_cada_vez_mais_empresas_recorrem_a_recuperacao_judicial)
 * [Os grandes nomes por trás da alta: Casas Bahia, Tok&Stok e Braskem](https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/#Os_grandes_nomes_por_tras_da_alta_Casas_Bahia_Tok_Stok_e_Braskem)
 * [O que a recuperação judicial revela sobre o crédito no país](https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/#O_que_a_recuperacao_judicial_revela_sobre_o_credito_no_pais)

## O que mostra o recorde de recuperação judicial no Brasil

O instrumento da recuperação judicial existe para dar fôlego a empresas endividadas:
ele permite que a companhia negocie prazos e condições com credores enquanto tenta
manter as operações de pé, em vez de fechar as portas de uma hora para outra. Em
maio de 2026, o levantamento chegou a apontar 6.513 empresas nessa situação, a maior
marca da série histórica. Em junho houve uma redução de 172 casos, levando o total
a 6.341. Ainda assim, o número segue bem acima do patamar de 2025.

O comércio lidera o número absoluto de pedidos, seguido por indústria e agronegócio.
Só o setor agropecuário soma mais de 1,2 mil empresas em processo de recuperação
judicial, reflexo direto do aperto de crédito rural e da oscilação de preços de 
commodities nos últimos ciclos.

## Por que cada vez mais empresas recorrem à recuperação judicial

A explicação não está em um fator isolado, mas na combinação de juros altos, acesso
mais caro ao crédito e dívidas acumuladas que as empresas foram empurrando com a
barriga até esgotarem alternativas de mercado. O dado mais expressivo do período,
porém, é sobre quem está pedindo recuperação judicial: o fenômeno deixou de ser 
exclusivo das grandes companhias e passou a atingir com força os pequenos negócios.

Desde 2023, o número de microempresas em recuperação judicial mais que dobrou, com
o total de CNPJs nessa condição saltando de pouco mais de 500 para acima de 1.500.
Entre as pequenas empresas, a alta chegou a 69%, e as médias cresceram 36% no mesmo
comparativo. Já entre as grandes companhias o movimento é oposto: cresce a procura
por acordos extrajudiciais, feitos fora da Justiça, como forma de evitar a exposição
pública de um processo formal.

## Os grandes nomes por trás da alta: Casas Bahia, Tok&Stok e Braskem

Apesar da popularização entre pequenos negócios, os casos que mais chamaram atenção
em 2026 envolvem marcas conhecidas do consumidor brasileiro. O Grupo Casas Bahia
pediu recuperação judicial em agosto, com cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas
ao processo, um dos maiores pedidos do varejo nacional dos últimos anos. A rede 
de móveis Tok&Stok e a varejista Marabraz também entraram com pedidos semelhantes.

No setor de alimentação, a Justiça acolheu nesta semana um pedido de recuperação
judicial do grupo controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, envolvendo
R$ 265,2 milhões em dívidas. Já a petroquímica Braskem optou pela via extrajudicial
e protocolou um pedido de recuperação para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões
em obrigações financeiras. É um lembrete de que mesmo empresas de grande porte não
estão imunes ao aperto de caixa provocado pelos juros altos.

## O que a recuperação judicial revela sobre o crédito no país

Uma reportagem do [Poder360](https://www.poder360.com.br/poder-economia/pedidos-de-recuperacao-judicial-batem-recorde-no-1o-semestre/)
sobre o levantamento mostra que o efeito de uma recuperação judicial raramente fica
restrito à empresa que entra com o pedido. Fornecedores no meio da cadeia produtiva
costumam ser os primeiros a sentir o impacto, com prazos de pagamento esticados 
e descontos forçados para manter o relacionamento comercial. Bancos, por sua vez,
aumentam as provisões para créditos de risco, o que tende a encarecer ainda mais
o crédito disponível para o restante do mercado. É um ciclo que ajuda a explicar
por que o custo do dinheiro segue no centro do debate econômico no país, como mostrou
a [alta da dívida pública federal registrada em junho](https://folhadepatrocinio.com/noticias/divida-publica-junho-2026/).

A mesma reportagem chama atenção para a taxa de sucesso ainda baixa dos planos de
recuperação judicial: muitas empresas saem formalmente do processo, mas seguem presas
a planos de pagamento de vários anos sem passar por uma reestruturação operacional
de fato. Passados dois ou três anos, voltam a mostrar sinais de estresse financeiro.
Para o consumidor, o reflexo mais direto de todo esse cenário costuma aparecer na
forma de lojas fechadas, contas atrasadas com fornecedores locais e menos vagas 
de emprego no varejo e na indústria, setores que respondem por boa parte da geração
de empregos no país.

![Fachada de loja da rede Casas Bahia, uma das empresas em recuperação judicial 
em 2026](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/08/casas-bahia-original-
scaled.jpg)

Fachada de loja da rede Casas Bahia, uma das empresas que pediram recuperação judicial
em 2026. Foto: ZeroTwoAndHiroWW2/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
