# Rafael Fonteles na Fazenda: cotado para cuidar das contas do país, ele quase dobrou a dívida do Piauí

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- Published: 2026-11-01T14:01:36-03:00
- Author: Caio Menezes

O nome que circula para cuidar das contas do país é o de um governador que viu a
dívida do próprio estado quase dobrar. Rafael Fonteles (PT), reeleito no Piauí no
primeiro turno, aparece entre os cotados para o Ministério da Fazenda no quarto 
mandato de Lula. Pelos dados que o próprio Piauí entrega ao Tesouro Nacional, a 
dívida consolidada líquida do estado saiu de R$ 6,89 bilhões no fim de 2022 para
R$ 13,35 bilhões no fim de 2025, uma alta de 94% em três anos de governo.

A ideia de ver Rafael Fonteles na Fazenda ainda não passa de especulação. O nome
dele surge em listas de bastidores e de analistas do mercado ao lado do atual ministro,
Dario Durigan, que assumiu a pasta no início do ano, quando Fernando Haddad saiu
para disputar o governo de São Paulo, de Bruno Moretti e do vice-presidente Geraldo
Alckmin. Fonteles disse publicamente que nunca tratou de cargo com Lula, nem antes
nem depois da eleição.

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 * [Rafael Fonteles na Fazenda: o que dizem as contas do Piauí](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rafael-fonteles-na-fazenda/#Rafael_Fonteles_na_Fazenda_o_que_dizem_as_contas_do_Piaui)
 * [O segundo maior ICMS do país](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rafael-fonteles-na-fazenda/#O_segundo_maior_ICMS_do_pais)
 * [A defesa de Fonteles](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rafael-fonteles-na-fazenda/#A_defesa_de_Fonteles)
 * [O que impede a mudança de Teresina para Brasília](https://folhadepatrocinio.com/noticias/rafael-fonteles-na-fazenda/#O_que_impede_a_mudanca_de_Teresina_para_Brasilia)

## Rafael Fonteles na Fazenda: o que dizem as contas do Piauí

Os números estão no Relatório de Gestão Fiscal do estado, publicado no [Siconfi](https://siconfi.tesouro.gov.br/),
o sistema do Tesouro Nacional. A dívida consolidada bruta passou de R$ 9,07 bilhões
em dezembro de 2022 para R$ 15,45 bilhões em dezembro de 2025, alta de 70%. Descontado
o dinheiro em caixa, a dívida líquida foi de R$ 6,89 bilhões para R$ 13,35 bilhões.

A receita também cresceu, mas em ritmo menor. A receita corrente líquida, que é 
a base de cálculo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, foi de R$ 13,5 
bilhões para R$ 18,7 bilhões no mesmo período, alta de 39%. Por isso o peso da dívida
aumentou: a dívida líquida equivalia a 51% da receita em 2022 e passou a 71% em 
2025. A bruta foi de 67% para 82,5%.

O estado continua dentro do teto. A resolução do Senado que regula o assunto permite
que a dívida líquida dos estados chegue a 200% da receita corrente líquida. A diferença
está na velocidade: em três anos, a relação entre dívida líquida e receita subiu
20 pontos.

Segundo a Secretaria de Planejamento do Piauí, o estado fechou 2025 com déficit 
de R$ 1,25 bilhão, num orçamento que saltou de R$ 17,6 bilhões em 2022 para R$ 30,6
bilhões em 2025. A própria secretaria projeta que as contas só voltam ao azul em
2029.

## O segundo maior ICMS do país

Do lado de quem paga, o Piauí cobra uma das maiores alíquotas gerais de ICMS do 
Brasil: 22,5%, atrás apenas do Maranhão, com 23%, segundo as tabelas estaduais compiladas
por consultorias tributárias. No começo de 2024, a alíquota piauiense era de 21%,
depois de subir de 18%. Em Minas Gerais, onde fica Patrocínio, a alíquota geral 
é de 18%.

O mercado de trabalho não acompanhou o salto da arrecadação. O desemprego no Piauí
foi de 8,3% no segundo trimestre de 2026, o quarto maior do país, segundo o IBGE.

![Rafael Fonteles discursa em audiência na Câmara dos Deputados quando presidia 
o Comsefaz, em 2019](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/rafael-
fonteles-na-fazenda-2-scaled.webp)

Rafael Fonteles em 2019, quando era secretário da Fazenda do Piauí e presidia o 
Comsefaz, o comitê dos secretários estaduais de Fazenda. Foto: Pablo Valadares/Câmara
dos Deputados (CC BY 3.0)

## A defesa de Fonteles

Fonteles tem a seu favor a formação técnica. É matemático pela Universidade Federal
do Piauí, tem mestrado em economia matemática pelo Instituto de Matemática Pura 
e Aplicada (Impa) e foi secretário da Fazenda do Piauí antes de chegar ao governo.
Em livro publicado no ano passado sobre o planejamento do estado, defendeu que a
estabilidade fiscal é o que garante a capacidade de investir em infraestrutura e
atrair empresas.

A arrecadação do estado dobrou entre 2022 e 2025, puxada em boa parte pelo avanço
da fronteira agrícola no cerrado piauiense, e o dinheiro extra permitiu ampliar 
os investimentos públicos. Parte do mercado vê no governador um político com bagagem
técnica, capaz de reduzir a desconfiança dos investidores sobre as contas federais.

## O que impede a mudança de Teresina para Brasília

A Constituição cria um obstáculo. Pelo artigo 28 do [texto constitucional](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm),
perde o mandato o governador que assumir outro cargo na administração pública. Para
virar ministro, Fonteles teria de renunciar ao governo para o qual acabou de ser
reeleito, e o Piauí passaria às mãos do vice.

A escolha do ministro da Fazenda é a primeira prova do quarto mandato para o mercado,
que reagiu mal à reeleição, como mostrou a reportagem sobre a [queda da Bolsa na semana da reeleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/economia-do-amor/).
Outros nomes do futuro ministério também circulam, como no caso de [Dilma em Minas e Energia](https://folhadepatrocinio.com/noticias/dilma-em-minas-e-energia/)
e da [primeira mulher cotada para a Defesa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/cinara-wagner-fredo/).
Até agora, Lula não anunciou nenhum deles.
