# Presidência do Senado: chapa de Marinho e Tereza Cristina tem 32 votos certos, não 48; Alcolumbre é quem diz ter 48

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- Published: 2026-11-02T01:39:12-03:00
- Author: Caio Menezes

Circula nas redes a conta de que uma chapa de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina(
PP-MS) teria pelo menos 48 votos na eleição para a presidência do Senado. Esse número
não aparece em nenhum levantamento público. Pela projeção da Agência Senado para
a próxima legislatura, a oposição a Davi Alcolumbre (União-AP) tem 32 votos certos:
os 29 do PL e os 3 do Novo. Para vencer, são precisos 41 dos 81.

O número 48 existe na disputa, só que do outro lado. É a conta que aliados de Alcolumbre
apresentam para a reeleição dele, e a oposição contesta: pelo cálculo de senadores
contrários, o atual presidente teria hoje 38 votos. A própria Tereza Cristina, que
quer ser candidata, projeta chegar a 42 se o PL fechar com ela e se ela somar apoios
avulsos em outros partidos.

![Davi Alcolumbre e Rogério Marinho discursam no plenário do Senado](https://folhadepatrocinio.
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Davi Alcolumbre (União-AP), à esquerda, e Rogério Marinho (PL-RN), no plenário do
Senado. O PL decide na quarta-feira (4) se lança Marinho contra a reeleição de Alcolumbre.
Foto: Reprodução

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 * [A conta de votos na presidência do Senado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/presidencia-do-senado/#A_conta_de_votos_na_presidencia_do_Senado)
 * [Marinho ou Tereza Cristina](https://folhadepatrocinio.com/noticias/presidencia-do-senado/#Marinho_ou_Tereza_Cristina)
 * [Por que o voto secreto embaralha a soma](https://folhadepatrocinio.com/noticias/presidencia-do-senado/#Por_que_o_voto_secreto_embaralha_a_soma)
 * [Alcolumbre pode ser reeleito?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/presidencia-do-senado/#Alcolumbre_pode_ser_reeleito)
 * [O que falta saber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/presidencia-do-senado/#O_que_falta_saber)

## A conta de votos na presidência do Senado

A eleição será em 1º de fevereiro de 2027, em votação secreta, logo depois da posse
dos senadores eleitos em outubro. A projeção da Agência Senado, feita com o resultado
das urnas, dá ao PL 29 cadeiras, a maior bancada da Casa. Depois vêm PT (10), MDB(
8), PP (6), União Brasil (5), Republicanos (5), PSD (4), PSB (4), Novo (3), PSDB(
2) e Podemos (2). Rede, PDT e um senador sem partido ficam com uma cadeira cada.
Esse quadro pode mudar com trocas de partido até a posse e com o julgamento, no 
Tribunal Superior Eleitoral, da vaga de Deltan Dallagnol (Novo-PR).

Os cinco partidos que já sinalizaram apoio a Alcolumbre (PT, MDB, PP, União Brasil
e PSD) somam 33 senadores, oito a menos que a maioria. É daí que vem o número 33
que também circula nas redes. Para chegar aos 48 que diz ter, Alcolumbre conta ainda
com Republicanos e Podemos, que deram sinais positivos, e com PSB, PDT e Rede, aliados
do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou apoio à reeleição
dele em 26 de outubro, um dia depois de vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo 
turno.

## Marinho ou Tereza Cristina

Na oposição, a dúvida é quem enfrenta Alcolumbre. Flávio anunciou, numa transmissão
feita dos Estados Unidos, que o candidato do partido é Marinho, líder da oposição
no Senado e coordenador da campanha presidencial dele, como a Folha contou na reportagem
sobre a [live de Flávio Bolsonaro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/live-de-flavio-bolsonaro/).
O PL se reúne na quarta-feira (4) para oficializar a candidatura.

Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, diz que quer ser
a primeira mulher a presidir o Senado. Ela manteve o plano mesmo depois de PP e 
União Brasil, a federação do partido dela, anunciarem apoio a Alcolumbre em 27 de
outubro. Na resposta à nota, disse que o voto dos senadores é “livre, soberano e
secreto”. Lideranças da oposição avaliam que o nome dela passaria com mais facilidade
entre senadores de centro, mas ela não tem o respaldo da direção do próprio partido,
como mostrou a reportagem sobre o [apoio a Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/apoio-a-alcolumbre/).

Os dois conversam desde agosto sobre uma candidatura única, para não dividir os 
votos da direita. Chapa, no sentido estrito, não existe nessa eleição: cada senador
vota em um nome para a presidência, e os outros cargos da Mesa Diretora são escolhidos
à parte. O acordo possível é um dos dois abrir mão em favor do outro.

## Por que o voto secreto embaralha a soma

Como a votação é secreta, nenhuma soma de bancadas garante resultado. Em 2023, Marinho
disputou a presidência contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e perdeu por 49 votos a 32.
Na nova legislatura o PL terá quase o dobro de cadeiras, mas ainda vai precisar 
de pelo menos nove votos fora da própria bancada e do Novo, e de bem mais que isso
se houver traições.

O Republicanos, de Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), é um dos partidos 
que podem pesar. Segundo relatos de senadores, a direção da sigla deu sinais positivos
a Alcolumbre, enquanto Damares já citou Tereza Cristina entre os nomes discutidos
pela oposição. O partido não anunciou posição oficial.

## Alcolumbre pode ser reeleito?

Pode. A [Constituição](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm)
proíbe a recondução para o mesmo cargo da Mesa na eleição imediatamente seguinte,
e o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2020 que a regra vale dentro da mesma legislatura.
Como a de 2027 é uma legislatura nova, Alcolumbre pode concorrer, o mesmo caminho
de Pacheco, eleito em 2021 e reeleito em 2023. Alcolumbre presidiu o Senado entre
2019 e 2021 e voltou ao cargo em fevereiro de 2025.

## O que falta saber

Depois da reunião do PL, a oposição precisa decidir se vai de Marinho, de Tereza
ou com os dois na disputa, o que dividiria os votos contra Alcolumbre. Também falta
saber se a nota de PP e União vai segurar as bancadas no voto secreto. A Folha acompanha
a disputa desde o início, na reportagem sobre [Marinho e Alcolumbre](https://folhadepatrocinio.com/noticias/marinho-e-alcolumbre/),
e atualiza esta matéria com a decisão do partido.
