# Prefeita de Conceição do Jacuípe é acusada de demitir servidora por apoiar Lula; prefeitura nega

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- Published: 2026-10-31T16:11:05-03:00
- Author: Caio Menezes

A prefeita de Conceição do Jacuípe, na Bahia, Tânia Yoshida (PSD), é acusada por
uma ex-servidora de tê-la demitido por declarar apoio ao presidente Lula (PT) no
segundo turno. A prefeitura nega a perseguição política: diz que a exoneração foi
um caso isolado, provocado por desrespeito à autoridade da prefeita, e que ela própria
é eleitora de Lula. A denúncia veio a público na quinta-feira (29), quatro dias 
depois do segundo turno, em 25 de outubro, e a resposta da prefeitura saiu na sexta(
30).

Até este sábado (31), a Folha não encontrou nenhuma decisão do Ministério Público
ou da Justiça Eleitoral sobre o caso. Também não achou nota de Tânia Yoshida em 
nome próprio, só o texto divulgado pela prefeitura. O que existe, por enquanto, 
é a palavra de uma ex-funcionária que não quis se identificar contra a versão oficial
da administração.

![Tânia Yoshida, prefeita de Conceição do Jacuípe, em foto de arquivo ao lado de
uma urna eletrônica](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/prefeita-
de-conceicao-do-jacuipe-2.webp)

Tânia Yoshida (PSD), prefeita de Conceição do Jacuípe (BA), em foto de arquivo. 
Foto: Reprodução

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/prefeita-de-conceicao-do-jacuipe/#)

 * [O que diz a ex-servidora sobre a demissão](https://folhadepatrocinio.com/noticias/prefeita-de-conceicao-do-jacuipe/#O_que_diz_a_ex-servidora_sobre_a_demissao)
 * [A nota da prefeitura sobre a prefeita de Conceição do Jacuípe](https://folhadepatrocinio.com/noticias/prefeita-de-conceicao-do-jacuipe/#A_nota_da_prefeitura_sobre_a_prefeita_de_Conceicao_do_Jacuipe)
 * [Exonerar um comissionado não é crime em si](https://folhadepatrocinio.com/noticias/prefeita-de-conceicao-do-jacuipe/#Exonerar_um_comissionado_nao_e_crime_em_si)
 * [Casos parecidos pelo país depois do segundo turno](https://folhadepatrocinio.com/noticias/prefeita-de-conceicao-do-jacuipe/#Casos_parecidos_pelo_pais_depois_do_segundo_turno)
 * [O que falta saber](https://folhadepatrocinio.com/noticias/prefeita-de-conceicao-do-jacuipe/#O_que_falta_saber)

## O que diz a ex-servidora sobre a demissão

Segundo o relato, a prefeita teria chamado funcionários comissionados para conversas
particulares e sugerido que votassem em Flávio Bolsonaro (PL), o que seria “o melhor”
para o município e para o grupo político dela. A ex-funcionária afirma que, ao dizer
à prefeita que apoiava Lula, ouviu que estava demitida.

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município na segunda-feira (26),
um dia depois da votação. A ex-servidora conta ainda que passou a ser cobrada e 
exposta por radialistas da região, que a trataram como traidora. A reportagem que
levou o caso a público diz ter recebido documentos que apontam a saída de pelo menos
um servidor por “desavenças ideológico-partidárias”. A Folha não teve acesso a esses
papéis, e o cargo ocupado pela ex-servidora não foi informado.

A prefeita apoiou publicamente o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil)
para o governo da Bahia, em agosto.

## A nota da prefeitura sobre a prefeita de Conceição do Jacuípe

Em nota, a administração diz que a acusação “não procede” e nega que servidores 
tenham sido exonerados por motivação ou perseguição político-partidária. O texto
reconhece uma exoneração, descrita como “um episódio pontual”, que teria relação
com desrespeito à autoridade da prefeita e não com a preferência eleitoral da ex-
servidora.

Segundo a prefeitura, o episódio aconteceu durante a sessão solene de 20 de outubro,
que celebrou os 65 anos de emancipação política do município. A nota afirma que 
Tânia Yoshida é eleitora de Lula e do ex-governador Rui Costa (PT) e que ela “não
persegue pessoas por suas convicções políticas”. Também diz que declarações de radialistas
locais são opiniões pessoais e que ninguém foi autorizado a falar em nome da prefeita.

A nota não informa o que a servidora teria feito na sessão, nem se o ato foi registrado,
nem quantas exonerações a gestão publicou desde o dia 26. Não há, portanto, como
confirmar de forma independente nenhuma das duas versões.

## Exonerar um comissionado não é crime em si

Cargo em comissão é de livre nomeação e exoneração, como prevê o artigo 37 da [Constituição](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm).
Se a ex-servidora ocupava um cargo assim, o que não foi informado, a prefeita poderia
demiti-la sem apresentar motivo. O que pode virar problema na Justiça é a razão 
alegada: se ficar provado que a demissão ocorreu para punir um voto ou obrigar alguém
a votar em determinado candidato, o caso passa a ser de assédio eleitoral, tratado
pelo [Código Eleitoral](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm)
quando há violência ou grave ameaça para coagir o eleitor.

Uma demissão depois de eleição não prova perseguição, e um desentendimento pessoal
com a chefe também não afasta, sozinho, a hipótese de ameaça. Quem decide é o Ministério
Público, se abrir investigação, e depois a Justiça, com depoimentos, o contexto 
da exoneração e eventuais mensagens ou áudios.

## Casos parecidos pelo país depois do segundo turno

A denúncia entra num cenário de queixas em todo o país. A Folha mostrou que o Ministério
Público do Trabalho recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral entre 26 e 29 de
outubro, e que uma liminar mandou a Meta tirar do ar publicações que incentivavam
demitir por voto. O caso está em [Demissão por voto: o amor está no ar, mas por pouco tempo, e a Justiça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/demissao-por-voto/).

Em Patrocínio, circulou nesta semana um [áudio atribuído a um empresário que fala em demitir por voto](https://folhadepatrocinio.com/noticias/audio-atribuido-a-empresario-de-patrocinio/),
e a polícia e a OAB deram orientações sobre as listas de boicote, como a Folha detalhou
em [Lista de boicote em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lista-de-boicote-em-patrocinio/).
Nos dois casos, a apuração depende de quem registra a denúncia e de provas.

## O que falta saber

Falta saber se alguém vai formalizar a denúncia no Ministério Público, se a prefeitura
vai mostrar o que motivou a exoneração, e se outros servidores da cidade vão contar
casos semelhantes. A Folha não identifica a ex-servidora, que não se apresentou,
e atualiza esta reportagem se a prefeita, o Ministério Público ou a Justiça Eleitoral
se manifestarem.
