# Policial de folga estanca hemorragia e ajuda a salvar jovem em Patrocínio

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- Published: 2026-09-10T07:23:40-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

A jovem de 21 anos que perdeu parte da perna direita num acidente de moto no bairro
Enéias, em Patrocínio, só chegou viva ao hospital porque havia um **policial de 
folga** por perto. O cabo Samuel de Souza Prado, da Polícia Militar do Distrito 
Federal, estava na cidade quando as duas motocicletas colidiram, na noite de sexta-
feira, 4 de setembro, e usou o treinamento de atendimento pré-hospitalar para conter
a hemorragia até a chegada da equipe médica.

Segundo a equipe de saúde que recebeu a vítima, sem aquele atendimento imediato 
havia risco real de ela não sobreviver ao trajeto. A jovem segue internada em uma
UTI em Uberlândia, acompanhada pela família.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/policial-de-folga/#)

 * [O que fez o policial de folga](https://folhadepatrocinio.com/noticias/policial-de-folga/#O_que_fez_o_policial_de_folga)
 * [O acidente que deixou a jovem sem parte da perna](https://folhadepatrocinio.com/noticias/policial-de-folga/#O_acidente_que_deixou_a_jovem_sem_parte_da_perna)
 * [Os primeiros minutos são os que decidem](https://folhadepatrocinio.com/noticias/policial-de-folga/#Os_primeiros_minutos_sao_os_que_decidem)
 * [Um caso que expõe o que falta no trânsito de Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/policial-de-folga/#Um_caso_que_expoe_o_que_falta_no_transito_de_Patrocinio)

## O que fez o policial de folga

Quem já passou por um curso de socorro sabe que sangramento arterial não espera.
O cabo Samuel aplicou compressão direta no ferimento e manteve o controle da hemorragia
até o socorro assumir. A esposa dele ajudou no atendimento. Nenhum dos dois estava
em serviço.

O detalhe que muda o peso da história é que ele conhecia o terreno. Antes de servir
no Distrito Federal, o cabo integrou o 46º Batalhão de Polícia Militar, em Patrocínio,
e passou pelo curso de atendimento pré-hospitalar tático. Foi esse treinamento, 
e não improviso, que apareceu na hora.

## O acidente que deixou a jovem sem parte da perna

A colisão aconteceu na noite de 4 de setembro. Uma das motocicletas desrespeitou
sinal de parada obrigatória e atingiu a outra em velocidade alta, segundo o relato
registrado pela polícia. O condutor responsável fugiu sem prestar socorro e não 
foi localizado.

A jovem era passageira da moto conduzida pelo marido, de 20 anos. Ela foi levada
à Santa Casa de Patrocínio e depois transferida para Uberlândia, onde [passou pela amputação de uma das pernas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/acidente-no-bairro-eneias/),
como a Folha noticiou no fim de semana.

Fugir do local sem socorrer a vítima é crime. O [Código de Trânsito Brasileiro](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm)
prevê detenção de seis meses a um ano para quem deixa de prestar socorro, e a pena
aumenta quando o condutor foge para escapar da responsabilidade.

## Os primeiros minutos são os que decidem

Em hemorragia grave de membro, o tempo útil se conta em minutos, não em horas. Uma
artéria rompida na perna pode levar uma pessoa adulta ao choque antes de qualquer
ambulância chegar, por mais rápido que ela seja. Por isso a orientação padrão de
socorro começa por conter o sangramento, não por mover a vítima.

O procedimento básico, ensinado em qualquer curso de primeiros socorros, é comprimir
o ferimento com firmeza usando pano limpo e as duas mãos, manter a pressão sem ficar
checando se parou, e chamar o SAMU no 192. Torniquete é recurso de exceção, para
quando a compressão não resolve, e exige registro do horário em que foi aplicado.

Mexer no ferimento, tentar recolocar ossos ou dar água à vítima são reações comuns
e erradas. Quem chega primeiro faz mais diferença mantendo a calma e a pressão sobre
o sangramento do que tentando resolver o quadro sozinho.

## Um caso que expõe o que falta no trânsito de Patrocínio

A cena do bairro Enéias resume dois extremos da mesma noite: um condutor que fugiu
e um **policial de folga** que parou. O primeiro é o comportamento que os números
de acidentes na cidade vêm registrando com frequência. O segundo é o que raramente
aparece nas estatísticas, porque socorro bem feito não vira ocorrência.

Patrocínio acumula colisões envolvendo motocicletas em cruzamentos de bairro, quase
sempre com o mesmo elemento: parada obrigatória ignorada. É um tipo de acidente 
que não depende de rodovia, velocidade de estrada nem álcool para acontecer, e que
costuma cobrar caro de quem vai na garupa.

A família da jovem não divulgou boletim médico atualizado. O cabo Samuel voltou 
ao Distrito Federal. Não houve, até esta publicação, nenhum ato oficial de reconhecimento
ao **policial de folga** que atendeu a vítima em Patrocínio.
