# Efeito Lula? Itaú corta o PIB de 2027 para 0,5%, e pesquisa com o mercado já vê inflação de 5,3%

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/
- Published: 2026-11-01T15:48:47-03:00
- Author: Caio Menezes

**Atualização 02/11, 2h:** circula nas redes um vídeo em que uma comentarista de
economia, num programa de TV, diz estar preocupada porque “os grandes bancos estão
fazendo revisões dramáticas” sobre 2027. A montagem que acompanha o vídeo afirma
que os bancos disseram que 2027 “será catastrófico”, palavra que não aparece na 
fala. O que existe de concreto, além da revisão do Itaú descrita abaixo, é uma pesquisa
da corretora BGC Liquidez com cerca de 30 participantes do mercado, entre gestores
e tesourarias de bancos: a mediana para a inflação de 2027 subiu para 5,3%, acima
do teto da meta (4,5%) e dos 4,34% do Boletim Focus de 26 de outubro, que reunia
projeções feitas até 23 de outubro, antes do segundo turno. Nesse Focus, o PIB de
2027 estava em 1,31%. O economista da BGC atribui a alta à falta de âncora fiscal
e ao dólar, que fechou a sexta-feira (30) a R$ 5,447, o maior valor desde dezembro
de 2025. O próximo Focus será o primeiro com projeções feitas depois da eleição.

O Itaú BBA cortou a projeção do PIB brasileiro de 2027 de 1,2% para 0,5% e subiu
a da inflação de 4,6% para 6,1%, em revisão de cenário divulgada na sexta-feira (
30), cinco dias depois da reeleição de Lula. A coincidência de datas virou o rótulo“
efeito Lula” nas redes. Os números do banco são estes, mas o texto do próprio Itaú
não liga a revisão à eleição: ele aponta fiscal, câmbio, combustíveis, reforma tributária,
jornada de trabalho e juros. A Folha separou o que o banco projeta, o que ele diz
e o que fica em aberto.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/#)

 * [O que o Itaú mudou na projeção para o PIB de 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/#O_que_o_Itau_mudou_na_projecao_para_o_PIB_de_2027)
 * [O que o banco diz que explica a revisão](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/#O_que_o_banco_diz_que_explica_a_revisao)
 * [Por que “efeito Lula” não é o que o Itaú escreve](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/#Por_que_%E2%80%9Cefeito_Lula%E2%80%9D_nao_e_o_que_o_Itau_escreve)
 * [O que isso muda para quem vive de crédito e de café](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/#O_que_isso_muda_para_quem_vive_de_credito_e_de_cafe)
 * [O que acompanhar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pib-de-2027/#O_que_acompanhar)

## O que o Itaú mudou na projeção para o PIB de 2027

Para 2027, o crescimento projetado caiu de 1,2% para 0,5%, a inflação medida pelo
IPCA subiu de 4,6% para 6,1%, o desemprego passou de 6,2% para 6,5% e o dólar médio,
de R$ 5,50 para R$ 5,60. A Selic, que o banco previa em 12,50% no fim de 2027, agora
fica em 13,75%: o Itaú espera que o Banco Central interrompa os cortes na reunião
de 4 de novembro e mantenha o juro nesse patamar. Para 2026, o PIB foi de 1,7% para
1,6%, e a inflação, de 5,1% para 5,2%.

Crescer 0,5% não é crescimento zero nem recessão: é uma desaceleração forte em relação
ao ritmo de 2026. O banco também registra que o PIB do terceiro trimestre de 2026
deve ter recuado 0,1% sobre o trimestre anterior, segundo o acompanhamento que faz
dos indicadores.

## O que o banco diz que explica a revisão

Na inflação, a mudança de 2027 vem principalmente das medidas sobre combustíveis,
de um câmbio mais depreciado e dos efeitos estimados da reforma tributária e da 
mudança na jornada de trabalho, e o banco vê riscos para cima. Sobre o câmbio, cita
o prêmio de risco maior, ligado à dúvida sobre as contas públicas. No fiscal, fala
em um ajuste de cerca de 4 pontos percentuais do PIB, concentrado no controle de
despesas. Pesam ainda o petróleo alto por mais tempo, o aperto monetário nos países
ricos, o endividamento alto de famílias e empresas e o fim dos estímulos fiscais.

Alguns desses pontos já apareceram nas reportagens da Folha, como o ICMS que sobe
em 2027, o [efeito do dólar na Selic de 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/selic-em-2027/)
e a [queda do Ibovespa depois da reeleição](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ibovespa-desde-a-reeleicao/).
A queda dos preços de ativos e a alta do dólar, na semana seguinte à votação, foram
registradas na reportagem sobre a [semana da reeleição na Bolsa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/economia-do-amor/).

## Por que “efeito Lula” não é o que o Itaú escreve

O texto do Itaú situa a revisão depois da vitória de Lula, mas não escreve que a
eleição causou o corte, e não culpa o governo. O que existe é uma sequência: a reeleição
foi em 25 de outubro, o mercado reagiu forte nos dias seguintes, e o banco atualizou
o cenário na sexta. É possível que o resultado eleitoral tenha pesado na percepção
de risco e no câmbio, mas isso seria uma leitura da Folha, não uma afirmação do 
banco, e por isso fica como hipótese. O que o banco condiciona é a trajetória da
dívida pública e o ajuste fiscal que o próximo governo vai apresentar.

Vale lembrar também que projeção não é resultado. Bancos revisam cenário várias 
vezes por ano, e o próprio Itaú trabalha com incertezas: a trajetória da dívida,
a possível piora das expectativas de inflação e um cenário externo mais difícil.
A Folha não encontrou, até agora, resposta do governo à revisão.

![Gráfico com a projeção do Itaú BBA para o PIB de 2027, a inflação, o desemprego
e a Selic, antes e depois da revisão de 30 de outubro](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/11/pib-de-2027-2.webp)

Quadro da Folha com a projeção do Itaú BBA para 2027, antes e depois da revisão 
de 30 de outubro. Fonte: Itaú BBA.

## O que isso muda para quem vive de crédito e de café

Juro alto por mais tempo pesa em quem financia. Em Patrocínio, o custeio do café
já caiu 31% no crédito rural, como mostra a reportagem sobre o [crédito rural em Patrocínio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/credito-rural-em-patrocinio/),
e a [situação das pequenas indústrias](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/),
a pior em cinco anos, mostra o mesmo aperto em outro setor. Uma Selic de 13,75% 
em 2027 prolonga esse custo, e uma inflação de 6,1% corrói o orçamento das famílias.

## O que acompanhar

O próximo teste é a reunião do Banco Central, em 4 de novembro, para ver se a Selic
segue como o Itaú espera, e depois o projeto de ajuste fiscal do governo. A Folha
atualiza esta reportagem quando houver decisão do Copom ou manifestação do governo
sobre a revisão. Os relatórios do banco ficam no [site do Itaú](https://www.itau.com.br/artigos/economia).
