# Pequenas indústrias têm a pior situação financeira em cinco anos, e o índice da CNI cai a 38,5 pontos

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- Published: 2026-11-01T10:13:06-03:00
- Author: Caio Menezes

As pequenas indústrias do país vivem a pior situação financeira em cinco anos. O
índice de condições financeiras da Confederação Nacional da Indústria (CNI) caiu
para 38,5 pontos, numa escala de 0 a 100, no terceiro trimestre de 2026, o menor
nível da série recente. O recuo foi de 0,9 ponto sobre o trimestre anterior e de
2,5 pontos sobre o mesmo período de 2025, e o resultado ficou 0,3 ponto abaixo da
média histórica.

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 * [O que mostra o levantamento sobre as pequenas indústrias](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/#O_que_mostra_o_levantamento_sobre_as_pequenas_industrias)
 * [Juros altos e crédito caro](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/#Juros_altos_e_credito_caro)
 * [A carga tributária é o principal obstáculo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/#A_carga_tributaria_e_o_principal_obstaculo)
 * [O que o índice mede e o que não mede](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/#O_que_o_indice_mede_e_o_que_nao_mede)
 * [O que acompanhar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pequenas-industrias-pior-situacao/#O_que_acompanhar)

## O que mostra o levantamento sobre as pequenas indústrias

O índice reúne a satisfação dos empresários com a margem de lucro, com a situação
financeira do negócio e com a facilidade de conseguir crédito. A CNI não divulgou,
no material consultado pela Folha, o valor de cada um desses três quesitos separadamente,
e a matéria trabalha apenas com o número geral.

O desempenho operacional das pequenas indústrias também piorou. O indicador ficou
em 44,3 pontos, 0,9 ponto abaixo do trimestre anterior e 2 pontos abaixo do mesmo
período do ano passado. Já a confiança dos empresários subiu em outubro, de 44,4
para 46,8 pontos, mas segue abaixo da linha de 50 pontos, que separa o otimismo 
do pessimismo. Com isso, o setor completa 23 meses seguidos de pessimismo.

![Mão fazendo o gesto da letra L diante de bandeiras vermelhas, ilustração para 
as pequenas indústrias](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/11/
pequenas-industrias-pior-situacao-2.webp)

Mão fazendo o gesto da letra L em comício. Ilustração gerada por IA (Gemini); não
é foto do fato.

## Juros altos e crédito caro

Para a analista de Políticas e Indústria da CNI Julia Dias, o ambiente de crédito
continua muito restritivo, principalmente por causa da taxa de juros elevada. Segundo
ela, as pequenas empresas têm mais dificuldade para obter crédito e nem sempre conseguem
o valor de que precisam. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
se reúne na quarta-feira (4), e a taxa Selic segue como ponto de atenção para quem
depende de financiamento. As pesquisas da CNI ficam no [Portal da Indústria](https://www.portaldaindustria.com.br).

O peso do crédito aparece de formas diferentes em cada ramo. Na construção, os juros
elevados foram apontados como entrave por 39,3% dos empresários, contra 37,8% no
trimestre anterior, e passaram a ser o segundo maior problema do setor.

## A carga tributária é o principal obstáculo

Entre as dificuldades listadas pelos próprios empresários, a carga tributária lidera
nos dois segmentos medidos. Na indústria de transformação, o percentual de empresários
que a apontam como principal obstáculo subiu de 37,3% para 41%. Na construção, foi
de 42,9% para 43,6%.

Na transformação, a demanda interna insuficiente ganhou peso: foi de 22,9% para 
26,6% e saltou da sexta para a segunda posição entre os problemas citados. Em sentido
contrário, a falta ou o custo alto de matérias-primas perdeu força, de 34,6% para
26,2%. Na construção, a falta de mão de obra sem qualificação foi lembrada por 29,1%.

## O que o índice mede e o que não mede

O indicador da CNI mede a avaliação dos empresários, e não o número de empresas 
que fecham. Por isso, falar em colapso vai além do que a pesquisa diz. O que os 
dados mostram é um setor que enfrenta lucro apertado, crédito caro e imposto pesado
ao mesmo tempo, e que, mesmo com um pouco mais de confiança em outubro, ainda não
saiu da zona de pessimismo.

A fragilidade do pequeno negócio já aparece em outras pautas que a Folha acompanha.
Em outubro, a reportagem sobre a [recuperação judicial da Ruiz Coffees](https://folhadepatrocinio.com/noticias/ruiz-coffees-recuperacao-judicial/)
mostrou como dívida e juros pesam sobre empresas do ramo do café, e a matéria sobre
[recuperação judicial](https://folhadepatrocinio.com/noticias/recuperacao-judicial/)
explica como funciona o pedido. Para o microempreendedor, o ponto de partida mais
recente foi o [Pix do MEI de até R$ 5 mil](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pix-mei-ate-5-mil/).

## O que acompanhar

A próxima leitura do índice só sai no quarto trimestre. Até lá, o que mais pode 
mexer com o resultado é a decisão do Copom sobre os juros, na semana que vem, e 
o ritmo da demanda no fim do ano. A Folha atualiza esta reportagem quando a CNI 
divulgar novos dados.
