# PEC da segurança em Minas: Simões manda à ALMG texto que prevê revisão salarial anual para policiais

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- Published: 2026-10-20T16:00:51-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O governador Mateus Simões (PSD) enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais(
ALMG) uma proposta de emenda à Constituição que prevê a revisão anual dos salários
das forças de segurança do estado. A PEC da segurança em Minas foi encaminhada na
segunda-feira (19), pela Mensagem nº 297, e alcança policiais militares, civis e
penais, agentes do sistema socioeducativo e os servidores administrativos e técnicos
dos órgãos de segurança pública.

O texto não define percentual de reajuste. Ele cria a obrigação de uma revisão geral
anual para essas carreiras, sem que o governo precise mandar uma lei específica 
todo ano.

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 * [O que diz o texto da PEC da segurança em Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pec-da-seguranca-em-minas/#O_que_diz_o_texto_da_PEC_da_seguranca_em_Minas)
 * [Por que o governo mandou um texto próprio](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pec-da-seguranca-em-minas/#Por_que_o_governo_mandou_um_texto_proprio)
 * [A cobrança das categorias](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pec-da-seguranca-em-minas/#A_cobranca_das_categorias)
 * [A proposta na reta final do governo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pec-da-seguranca-em-minas/#A_proposta_na_reta_final_do_governo)

## O que diz o texto da PEC da segurança em Minas

A proposta acrescenta um parágrafo, o 12º, ao artigo 24 da Constituição mineira,
que trata da remuneração dos servidores. Pelo texto, a remuneração dos militares
do estado, dos policiais civis e penais, dos servidores dos órgãos de segurança 
e dos agentes socioeducativos “será revista por meio de revisão geral anual, que
ocorrerá, preferencialmente, no mês de abril e sem distinção de índices”.

Na prática, a revisão segue a regra do caput do artigo 24, que já prevê a revisão
anual para o funcionalismo. A diferença é que a nova redação cita nominalmente as
carreiras da segurança e indica o mês. A emenda entra em vigor na data da publicação,
se for aprovada.

Para mudar a Constituição estadual, a proposta precisa passar por dois turnos de
votação no plenário da ALMG e ter o apoio de três quintos dos deputados em cada 
um deles.

## Por que o governo mandou um texto próprio

A Assembleia já tem uma proposta parecida, a PEC 40/2024, apresentada por Câmaras
Municipais de cidades mineiras. Na mensagem enviada aos deputados, Simões diz que
o novo texto serve para “suprir qualquer eventual questionamento acerca de vício
de iniciativa legislativa” em relação a essa PEC e para proteger as forças de segurança“
de eventuais pressões externas relacionadas à sua remuneração”.

O vício de iniciativa é o ponto que travou a discussão. Pela regra constitucional,
a política salarial dos servidores do Executivo é assunto de iniciativa do governador.
Ao assumir o texto, o governo tenta tirar esse argumento da mesa.

## A cobrança das categorias

A pressão das forças de segurança por reposição salarial é antiga. Em março, numa
audiência da Comissão de Segurança Pública da ALMG, policiais, bombeiros e agentes
socioeducativos cobraram a recomposição de 52,33%, que eles calculam como a perda
acumulada entre 2015 e 2025. Na ocasião, o representante do governo disse que o 
estado só conseguia dar os 5,4% de revisão geral já anunciados para todo o funcionalismo.

No mesmo encontro, o presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL), afirmou
que o IPCA acumulado na década foi de 82,34%, enquanto as recomposições do período
cobriram 30,01%. Os números estão no relato oficial da audiência publicado pela 
[Assembleia Legislativa de Minas Gerais](https://www.almg.gov.br/comunicacao/noticias/arquivos/Governo-nega-recomposicao-diferenciada-para-seguranca-publica/).

## A proposta na reta final do governo

A PEC chega à Assembleia nos últimos meses do mandato de Simões. Em janeiro, assume
o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), que teve 55,40% dos votos 
válidos em Minas no 1º turno e 71,47% em Patrocínio, como mostrou a Folha na matéria
sobre [em quem Patrocínio votou para governador e senador](https://folhadepatrocinio.com/noticias/governador-e-senador-em-patrocinio/).

A transição tem sido marcada pela discussão sobre as contas do estado. A equipe 
do governador eleito cobrou do governo atual os números do caixa e das despesas 
já comprometidas, como a Folha mostrou na reportagem sobre [a cobrança de Falcão a Simões pelas contas de Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/contas-de-minas/).
A dúvida sobre o caixa do início de 2027 também aparece na matéria sobre [os salários dos servidores de Minas](https://folhadepatrocinio.com/noticias/salarios-dos-servidores-de-minas/).

Se for aprovada, a regra vale para o governo seguinte. Como o texto não fixa índice,
a proposta não diz qual será o percentual de cada revisão.
