# A pauta do Fantástico sobre Janones parece mais promoção partidária do que jornalismo

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- Published: 2026-11-01T13:36:12-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

O Fantástico prepara para este domingo (1º) um especial sobre o deputado federal
André Janones e os bastidores do Exército do Lula, o canal de WhatsApp que ele criou
para mobilizar apoiadores durante a campanha. Quem anunciou a reportagem foi o próprio
programa: a equipe acompanhou a rotina do parlamentar e promete mostrar como ele
reuniu, segundo a chamada, 10 milhões de brasileiros em três semanas. Escrevo antes
de o especial ir ao ar, e por isso comento a escolha da pauta, e não o que ainda
não vi. Mas a escolha já diz bastante, e o que ela diz me parece mais promoção partidária
do que jornalismo.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pauta-do-fantastico/#)

 * [O que a pauta do Fantástico entrega](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pauta-do-fantastico/#O_que_a_pauta_do_Fantastico_entrega)
 * [O canal que virou assunto público](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pauta-do-fantastico/#O_canal_que_virou_assunto_publico)
 * [As perguntas que um bom especial faria](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pauta-do-fantastico/#As_perguntas_que_um_bom_especial_faria)
 * [Pauta de decadência](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pauta-do-fantastico/#Pauta_de_decadencia)
 * [O que me faria mudar de opinião](https://folhadepatrocinio.com/noticias/pauta-do-fantastico/#O_que_me_faria_mudar_de_opiniao)

## O que a pauta do Fantástico entrega

A fórmula da chamada é conhecida: acesso exclusivo, rotina de bastidor e o protagonista
explicando, com as próprias palavras, como funciona a máquina que montou. É um formato
de perfil simpático, que costuma render imagem bonita e pouca pergunta incômoda.
O especial vai ao ar uma semana depois da reeleição de Lula, que venceu o segundo
turno em 25 de outubro. Na semana da vitória, escolher como personagem o operador
digital do lado vencedor e deixar que ele conte a própria história tem um efeito
inevitável: parece afago.

Ninguém discute que o canal é notícia. Segundo os números divulgados na imprensa,
o grupo passa de 10 milhões de participantes. A questão não é se o tema merece espaço,
e sim o ângulo. Dar espaço a um fenômeno é uma coisa. Entregar a ele o roteiro é
outra.

![Estúdio de televisão com André Janones e duas jornalistas, ilustrando a pauta 
do Fantástico sobre o Exército do Lula](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/
uploads/2026/11/pauta-do-fantastico-2.webp)

Maju Coutinho, André Janones e Poliana Abritta. Fotos: Guimaraesdouglas (Janones),
Web Summit Rio (Maju Coutinho) e Senado Federal (Poliana Abritta), via Wikimedia
Commons (licenças CC). Fundo gerado por IA (Gemini).

## O canal que virou assunto público

O Exército do Lula foi alvo de pedido de suspensão feito pela campanha de Flávio
Bolsonaro no TSE, com decisões que foram e voltaram durante o segundo turno. A Folha
acompanhou o caso na reportagem sobre a [guerra dos canais](https://folhadepatrocinio.com/noticias/guerra-dos-canais/),
em que o tribunal desistiu de tirar do ar os canais com mais de 200 mil seguidores.
Depois da vitória, o próprio Lula disse que vai falar pelo canal de Janones no quarto
mandato, como mostra a reportagem sobre o [canal do Janones](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-canal-do-janones/).
Quando uma ferramenta de campanha passa a ser anunciada como meio de comunicação
do futuro governo, ela deixa de ser curiosidade. Vira assunto de interesse público,
e pede pergunta.

## As perguntas que um bom especial faria

Quem coordena o conteúdo, quem modera, quem paga a estrutura? Qual foi a relação
do canal com a campanha oficial, e por que o registro só veio depois de uma decisão
do tribunal? O que a campanha de Flávio alegou, e o que respondeu a defesa? Como
o grupo lida com conteúdo falso, que era justamente o centro da acusação? E o que
muda quando o governo passa a usar a mesma via para falar com a população? A [ação sobre as mensagens do GovBR](https://folhadepatrocinio.com/noticias/mensagens-do-govbr/)
no WhatsApp, que também chegou ao TSE, mostra que a fronteira entre campanha e poder
público já está em discussão.

Nada disso aparece nas prévias divulgadas. O que aparece é a rotina do deputado,
a escala do grupo e o personagem com acesso privilegiado. A disputa no TSE entra
como um dos temas, e não como o centro. Quem viu a [live de Janones](https://folhadepatrocinio.com/noticias/live-de-janones/),
que passou de 300 mil pessoas ao vivo, sabe que o deputado sabe contar uma história.
Ele não precisa de ajuda para isso.

## Pauta de decadência

O Fantástico tem mais de cinco décadas de grandes reportagens, e é por isso que 
a escolha incomoda. Um programa desse tamanho podia usar a semana para perguntar
como um canal de WhatsApp com milhões de pessoas se organiza e quem responde por
ele. Pelo que anunciou, prefere mostrar o bastidor pelos olhos de quem comanda. 
Isso é pauta de revista de celebridade aplicada à política, e na semana da vitória
fica difícil ler como outra coisa.

Este jornal tem lado declarado, e o leitor sabe de onde vem esta crítica. A emissora
que se apresenta como neutra deveria ter um critério ainda mais rígido, e o mesmo
rigor que usaria se o personagem fosse do outro lado. Se o personagem fosse o operador
digital de Flávio Bolsonaro, duvido que o tratamento fosse o mesmo.

## O que me faria mudar de opinião

Escrevo sem ter visto o programa. Se o Fantástico fizer as perguntas acima, mostrar
os dois lados da disputa no TSE e ouvir a campanha de Flávio com o mesmo espaço 
dado a Janones, eu reconheço aqui, com a mesma ênfase. Até lá, a pauta, do jeito
que foi anunciada, parece uma promoção. E promoção, mesmo bem filmada, não é reportagem.
