# Oruam e Marcinho VP: polícia acha no celular da mãe do rapper a ordem para “fechar a política”

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- Published: 2026-10-29T18:26:17-03:00
- Author: Caio Menezes

“Meu pai mandou fechar a política.” A frase está numa mensagem que, segundo a Polícia
Civil do Rio de Janeiro, o rapper Oruam mandou à mãe depois de visitar o pai, Marcinho
VP, no presídio federal de Campo Grande (MS), em março de 2025. A conversa entre
Oruam e Marcinho VP só veio a público agora, num relatório da Delegacia de Repressão
a Entorpecentes (DRE) que apura o dinheiro do Comando Vermelho (CV).

O texto foi achado no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do cantor,
apreendido em abril de 2026 numa operação contra as finanças da facção. Oruam se
chama Mauro Davi dos Santos Nepomuceno. O pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, está
preso há mais de duas décadas e é apontado pela polícia e pelo Ministério Público
como uma das lideranças históricas do CV.

Table of Contents

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 * [O que a polícia diz sobre Oruam e Marcinho VP](https://folhadepatrocinio.com/noticias/oruam-e-marcinho-vp/#O_que_a_policia_diz_sobre_Oruam_e_Marcinho_VP)
 * [A “caixinha” do pai e a briga entre irmãos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/oruam-e-marcinho-vp/#A_%E2%80%9Ccaixinha%E2%80%9D_do_pai_e_a_briga_entre_irmaos)
 * [A denúncia do Ministério Público](https://folhadepatrocinio.com/noticias/oruam-e-marcinho-vp/#A_denuncia_do_Ministerio_Publico)
 * [O histórico do rapper na Justiça](https://folhadepatrocinio.com/noticias/oruam-e-marcinho-vp/#O_historico_do_rapper_na_Justica)
 * [O que dizem os citados](https://folhadepatrocinio.com/noticias/oruam-e-marcinho-vp/#O_que_dizem_os_citados)
 * [Facções, política e a disputa eleitoral](https://folhadepatrocinio.com/noticias/oruam-e-marcinho-vp/#Faccoes_politica_e_a_disputa_eleitoral)

## O que a polícia diz sobre Oruam e Marcinho VP

Para os investigadores da DRE, a mensagem pode indicar que Marcinho VP ainda consegue
interferir em atividades políticas nas áreas sob influência do Comando Vermelho,
mesmo atrás das grades. A leitura é da polícia e consta do relatório da investigação,
que continua em andamento.

Mas o relatório não explica o que “fechar a política” quer dizer naquele contexto,
não diz quais atividades seriam afetadas e não aponta nenhum político, partido ou
campanha eleitoral que tenha sido alvo da suposta ordem. A mensagem é de março de
2025, ano em que o Brasil não teve eleição.

## A “caixinha” do pai e a briga entre irmãos

As outras conversas analisadas pela DRE tratam de dinheiro. Em uma delas, segundo
a polícia, Oruam conta à mãe que foi a um ponto da facção no Complexo do Alemão 
buscar valores da chamada “caixinha” do pai.

Márcia também aparece pedindo dinheiro. Segundo os investigadores, ela pediu R$ 
10 mil a um integrante do CV conhecido como Doca para pagar a fatura do cartão de
crédito. Em outra troca de mensagens, pediu R$ 28 mil, sendo R$ 8 mil para um chá
de bebê e R$ 20 mil para móveis, com a orientação de que o valor fosse descontado
de “Nego”, apelido atribuído a Marcinho VP.

Os diálogos ainda mostram, na leitura da polícia, uma disputa entre Oruam e o irmão,
Lucas, pelo acesso aos recursos e à influência do pai. Numa das conversas, Márcia
diz que Lucas estaria correndo atrás dos próprios interesses, e o rapper pergunta
como poderia fazer o mesmo.

## A denúncia do Ministério Público

As mensagens se somam a uma acusação que já está na Justiça. No início de maio, 
o Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio da 3ª Promotoria de Investigação
Penal Especializada, denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras pessoas por organização
criminosa e lavagem de dinheiro do tráfico, como informou a [Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-05/ministerio-publico-denuncia-marcinho-vp-mulher-e-o-filho-oruam).

Segundo a denúncia, Márcia fazia a gestão financeira do grupo. Ela recebia dinheiro
em espécie de outros traficantes e comprava e administrava comércios, imóveis e 
fazendas para esconder a origem do patrimônio. Oruam é descrito pelo MP como beneficiário
direto, que recebia dinheiro ilícito e usava a carreira musical para disfarçar a
origem dos valores. A acusação divide o grupo em quatro núcleos: a liderança presa,
o núcleo familiar, o apoio operacional à lavagem e a liderança nas comunidades.

![Oruam e Marcinho VP: o rapper Oruam fala ao microfone em entrevista ao Multishow,
em 2024](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/oruam-e-marcinho-
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Oruam em entrevista ao Multishow, em março de 2024. Foto: Multishow (CC BY 3.0, 
via Wikimedia Commons)

## O histórico do rapper na Justiça

Oruam já tinha sido preso em julho de 2025, depois de uma confusão com policiais
civis que cumpriam um mandado na casa dele, no Rio. Foi acusado de tentativa de 
homicídio contra os agentes e ficou cerca de dois meses detido, até uma liminar 
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trocar a prisão por medidas cautelares, entre
elas a tornozeleira eletrônica.

Em fevereiro de 2026, o STJ derrubou o benefício depois de registros de que a tornozeleira
descarregou 28 vezes em 43 dias, e o cantor passou a ser considerado foragido. A
defesa atribuiu as falhas à bateria do equipamento. Em 1º de agosto, a mãe dele 
divulgou nas redes um documento que, segundo ela, é a decisão do Tribunal de Justiça
do Rio que revogou a prisão preventiva do filho, mantendo medidas cautelares.

## O que dizem os citados

A Folha não encontrou manifestação das defesas de Oruam, de Márcia ou de Marcinho
VP sobre as mensagens até a publicação desta reportagem. Em episódios anteriores,
o rapper negou fazer parte de facção, e a defesa dele já alegou perseguição. O espaço
segue aberto.

O voto no Brasil é secreto, e Oruam não declarou publicamente em quem votou no segundo
turno de 25 de outubro. Nada no relatório liga a mensagem de 2025 a uma eleição 
específica.

## Facções, política e a disputa eleitoral

A suspeita de influência do crime organizado na política foi um dos temas da campanha
deste ano. O Comando Vermelho é a mesma facção que foi alvo da [Operação Contenção](https://folhadepatrocinio.com/noticias/operacao-contencao-um-ano/),
nos complexos do Alemão e da Penha, que completou um ano nesta semana. Em Brasília,
a nova lei antifacção mudou até o [auxílio-reclusão pago a famílias de presos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/auxilio-reclusao-na-lei-antifaccao/)
ligados a esses grupos.

Associar candidato a facção sem prova já rendeu punição na Justiça Eleitoral. Na
reta final do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral mandou retirar publicações
que associavam o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Comando Vermelho [sem respaldo nos fatos](https://folhadepatrocinio.com/noticias/flavio-e-comando-vermelho/),
segundo a relatora do caso.

No caso de Oruam e Marcinho VP, o que existe até aqui é uma frase de março de 2025
e a leitura que a polícia faz dela. A investigação ainda não diz quais políticos
ou quais áreas a ordem teria atingido, nem se chegou a atingir alguma.
