# Novo em Minas: 21 lideranças pedem troca no comando e citam Patrocínio na carta

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- Published: 2026-10-16T19:23:55-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

Vinte e uma lideranças do Novo em Minas Gerais, atuais e antigas, entre elas seis
vereadores em exercício, mandaram ao presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro,
uma carta que pede a reestruturação do diretório estadual e a entrega do comando
a “lideranças independentes”. Segundo os signatários, o documento foi assinado eletronicamente
nos dias 8 e 9 de outubro. O texto põe na conta da direção estadual, presidida por
Christopher Laguna, o encolhimento do partido nas urnas e a saída de nomes que tinham
voto.

Patrocínio (MG) está entre os exemplos citados. Segundo o que foi divulgado da carta,
o hoje prefeito Gustavo Brasileiro, que teve cerca de 24 mil votos para deputado
estadual em 2022, deixou o Novo enquanto Romeu Zema e Mateus Simões apoiavam o grupo
adversário, e depois venceu a eleição municipal. A íntegra do documento não foi 
divulgada. A Folha conferiu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os números atribuídos
a ele, e em dois pontos o que foi divulgado não bate com o tribunal.

![Christopher Laguna, presidente do Novo em Minas, discursa em encontro estadual
do partido](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/novo-em-minas-
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Christopher Laguna, presidente do diretório estadual do Novo, em encontro do partido.
Foto: Divulgação/Novo MG

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#)

 * [O que a carta pede](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#O_que_a_carta_pede)
 * [Os números do Novo em Minas, conferidos no TSE](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#Os_numeros_do_Novo_em_Minas_conferidos_no_TSE)
 * [Quem saiu e o que o tribunal registra](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#Quem_saiu_e_o_que_o_tribunal_registra)
 * [O caso de Patrocínio no registro oficial](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#O_caso_de_Patrocinio_no_registro_oficial)
 * [O que diz a direção estadual](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#O_que_diz_a_direcao_estadual)
 * [A próxima eleição municipal, em 2028](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-em-minas/#A_proxima_eleicao_municipal_em_2028)

## O que a carta pede

Os signatários pedem quatro mudanças: um novo comando estadual, mais gente do interior
na direção, autonomia para os diretórios municipais e a preparação antecipada de
candidaturas próprias a vereador, prefeito e deputado. O argumento central é que
a direção estadual “subordinou as decisões do partido ao projeto de candidatura 
de Simões ao Palácio Tiradentes”.

A carta conta que, até a filiação de Simões ao PSD, a direção negava que ele fosse
sair, e que as lideranças municipais “souberam da mudança pela imprensa”.

O grupo também diz que o diretório manteve o apoio a Simões em troca da indicação
do vice. O posto acabou com outro partido: na noite de 5 de agosto, a federação 
União Brasil-PP oficializou Danilo de Castro, do União Brasil, como vice de Simões.
Pelo acordo divulgado na época, o Novo, que ficaria com a vaga, recebeu em troca
o apoio de Simões a Superman, candidato do partido ao Senado. Simões terminou a 
disputa pelo governo em quarto lugar, com 530.292 votos (4,65% dos válidos), segundo
o TSE. Em Patrocínio, ficou com 2,38%.

Os seis vereadores do Novo em Minas que assinam a carta são Wenderson Arlei (Itaúna),
Rian Pereira (Nova Era), Paulo Henrique Caixeta (Patos de Minas), João Alfredo Góes(
Unaí), Alexandre Souza (Santa Rita do Sapucaí) e Valteir Geraldo (Crucilândia). 
Da região, também aparece Professor Jair, de Monte Carmelo.

## Os números do Novo em Minas, conferidos no TSE

A carta compara os 461.859 votos do Novo em Minas para deputado federal em 2018 
com os 71.867 deste ano. Em 2018, o Novo elegeu dois deputados federais pelo estado,
Tiago Mitraud e Lucas Gonzalez. Em 2026, o painel de resultados do TSE soma 71.870
votos, três a mais que a carta: 66.164 dados a candidatos e 5.706 à legenda. Nenhum
deputado federal foi eleito. Para uma cadeira em Minas, o quociente eleitoral deste
ano foi de 214.720 votos, cerca de três vezes o que o partido teve. O candidato 
mais votado da legenda foi Braulio Lara, com 16.072 votos.

Na Assembleia, o resultado do Novo em Minas foi outro. O partido somou 290.469 votos
para deputado estadual e elegeu dois nomes: Dr. Maurício, com 64.692, e Zé Laviola,
com 62.970. Para o Senado, Marco Antônio Superman teve 1.895.603 votos (9,24%) e
não se elegeu.

## Quem saiu e o que o tribunal registra

A carta lista nomes que deixaram o Novo entre março e abril de 2026, quando se montava
a chapa de deputado federal. Os números de dois deles batem com o TSE:

 * Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis eleito pelo Novo, teve 126.248 votos
   e se elegeu deputado federal pelo Republicanos;
 * Rafhael de Paulo, candidato a prefeito de Unaí em 2024, teve 38.738 votos para
   deputado estadual pelo PL e ficou como suplente.

O terceiro não bate. Pelo que foi divulgado da carta, Juninho Sinonô, candidato 
a prefeito de Sete Lagoas em 2024, concorreu a deputado estadual pelo Republicanos.
No TSE, ele aparece como candidato a deputado federal, com 9.475 votos, e ficou 
como suplente.

## O caso de Patrocínio no registro oficial

O DivulgaCand, sistema de candidaturas do TSE, mostra Gustavo Brasileiro como candidato
a deputado estadual pelo Novo em 2022, quando ficou como suplente. Em 2024, ele 
aparece eleito prefeito de Patrocínio pelo DC, e não pelo Republicanos, como diz
o que foi divulgado da carta. O Republicanos é o partido do vice, Maurício Cunha.

O DivulgaCand registra ainda que o próprio Novo fez parte da coligação que elegeu
Brasileiro, a Uma Patrocínio para Todos, ao lado de Republicanos, PDT, Podemos, 
PSB, PSD, Avante e Solidariedade. A Folha não encontrou registro público de apoio
de Zema ou Simões ao adversário dele em 2024.

Em 2026, o Novo quase não teve voto para deputado na cidade. Dos 48.486 votos válidos
para deputado federal em Patrocínio, os candidatos e a legenda do partido somaram
88, menos de 0,2%. Para deputado estadual foram 155. Na mesma eleição, o candidato
do partido ao Senado foi bem: Superman teve 14.294 votos na cidade, 16,90% dos válidos,
quase o dobro do percentual que fez no estado, como a Folha mostrou na matéria sobre
[em quem Patrocínio votou para governador e senador](https://folhadepatrocinio.com/noticias/governador-e-senador-em-patrocinio/).

A região aparece em outro ponto do documento. Segundo os signatários, a direção 
estadual não agiu para manter no partido Luís Eduardo Falcão, reeleito prefeito 
de Patos de Minas, que foi para o Republicanos e se elegeu vice-governador na [chapa de Cleitinho](https://folhadepatrocinio.com/noticias/vice-de-cleitinho/).
A carta também diz que o diretório estadual vetou uma candidatura própria em Araxá.

## O que diz a direção estadual

Em declaração à imprensa, Christopher Laguna afirmou que a carta não chegou oficialmente
a ele, porque foi endereçada ao presidente nacional, e pôs em dúvida o peso do grupo:“
Nós temos 300 municípios e temos 20 assinaturas”. Ele disse que o partido é democrático
e que se manifestar é direito dos filiados. Pelas contas de Laguna, Minas concentra
30% dos mandatos do Novo no país, com 95 vereadores, sete prefeitos, 11 vice-prefeitos
e os dois deputados estaduais.

Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou manifestação pública de Eduardo
Ribeiro nem da direção nacional sobre o pedido das lideranças do Novo em Minas. 
O [site oficial do diretório estadual](https://novomg.org.br/) também não trazia
nota sobre a carta.

## A próxima eleição municipal, em 2028

O pedido de candidaturas próprias mira a eleição municipal de 2028, quando Patrocínio
e as outras 852 cidades mineiras escolhem prefeito e vereadores de novo. A Folha
comparou o resultado de cada partido na Câmara na matéria sobre as [bancadas da Câmara em 2027](https://folhadepatrocinio.com/noticias/bancadas-da-camara-em-2027/).
Os números por candidato e por cidade estão no [painel de resultados do TSE](https://resultados.tse.jus.br/oficial/app/index.html).

_Correção (16/10, 20h05): a versão anterior informava que o vice de Simões foi anunciado
em 6 de agosto. O anúncio foi na noite de 5 de agosto. O texto também atribuía à
própria carta duas informações que não batem com o TSE; a íntegra do documento não
foi divulgada, e as divergências se referem ao que foi divulgado dela. Esta versão
inclui ainda que o Novo integrou a coligação que elegeu Gustavo Brasileiro em 2024._
