# Novo Código Civil: o que muda em 881 artigos, nas redes sociais e nos contratos

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- Published: 2026-10-27T08:54:37-03:00
- Author: Caio Menezes

O novo Código Civil que o Senado analisa mexe em 881 artigos do código atual, cria
320 artigos novos e muda a responsabilidade das redes sociais, segundo a contagem
da Folha sobre o texto original do projeto. É o PL 4/2025, apresentado em janeiro
de 2025 pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a comissão que o examina tem até
22 de dezembro de 2026 para concluir o trabalho. Até esta publicação, o Senado não
divulgou o relatório nem marcou a votação no Plenário, que depende da pauta definida
pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Table of Contents

 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#)

 * [O projeto em números](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#O_projeto_em_numeros)
 * [O relógio da comissão no Senado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#O_relogio_da_comissao_no_Senado)
 * [Quem decide o ritmo](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#Quem_decide_o_ritmo)
 * [As críticas e a defesa](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#As_criticas_e_a_defesa)
 * [Mais poder ao juiz?](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#Mais_poder_ao_juiz)
 * [Contratos: o que o texto prevê](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#Contratos_o_que_o_texto_preve)
 * [Redes sociais: o que o texto diz](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#Redes_sociais_o_que_o_texto_diz)
 * [Linha do tempo: o caminho do projeto no Senado](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#Linha_do_tempo_o_caminho_do_projeto_no_Senado)
 * [O que falta acontecer](https://folhadepatrocinio.com/noticias/novo-codigo-civil/#O_que_falta_acontecer)

## O projeto em números

O texto original tem 274 páginas no avulso do Senado e propõe a atualização do Código
Civil de 2002 e de leis relacionadas. Pela contagem da Folha, artigo por artigo,
881 artigos do código atual são alterados ou revogados, e 135 deles saem de vez.
Outros 320 são criados, muitos deles num livro inteiro dedicado ao direito civil
digital. A mudança atinge contratos, família, propriedade, sucessões e também o 
Código Penal, o Marco Civil da Internet, a LGPD e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Emendas podem alterar esses totais, e o próprio projeto prevê que a lei só entraria
em vigor 365 dias depois de publicada.

![O novo Código Civil em números: 881 artigos mudam, 135 são revogados e 320 são
criados](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-
2.png)

O projeto em números. Contagem da Folha sobre o texto original do PL 4/2025.

## O relógio da comissão no Senado

A comissão temporária foi criada em 23 de setembro de 2025 e instalada no dia seguinte.
O relator-geral é o senador Veneziano Vital do Rêgo, e há quatro relatores parciais:
Carlos Portinho, para responsabilidade civil, Efraim Filho, para obrigações e contratos,
Soraya Thronicke, para família e sucessões, e Tereza Cristina, para coisas. O prazo
original previa relatório até 29 de maio e parecer final até 29 de junho. Em 11 
de junho, a Presidência do Senado prorrogou o funcionamento da comissão até 22 de
dezembro. A última movimentação registrada é de 30 de junho, com o recebimento das
emendas 889 a 893. A numeração das emendas chegou a 893, o que dá a medida da disputa
em torno do texto.

![Calendário da comissão do Senado que analisa o novo Código Civil](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-3.png)

O relógio da comissão: prazo prorrogado até 22 de dezembro de 2026. Fonte: Senado
Federal.

## Quem decide o ritmo

Três funções pesam na velocidade do projeto. Rodrigo Pacheco é o autor: criou a 
comissão de juristas quando presidia o Senado, apresentou o PL e presidiu a instalação
da comissão temporária. Veneziano é quem escreve o relatório. E Davi Alcolumbre,
que preside o Senado, organiza a pauta do Plenário e decide quando um projeto vai
a voto. A Folha não encontrou nenhum anúncio oficial de data de votação. O que existe
é o prazo da comissão e a virada de legislatura: em 1º de fevereiro de 2027 tomam
posse os novos senadores, e a bancada do PL terá 28 das 81 cadeiras, segundo dados
do TSE, como mostra a matéria sobre o [quarto mandato de Lula](https://folhadepatrocinio.com/noticias/quarto-mandato-de-lula/).
Sobre o presidente do Senado, veja também a matéria sobre o [almoço de Alcolumbre com Moraes](https://folhadepatrocinio.com/noticias/almoco-de-alcolumbre-com-moraes/).

![Quem decide o ritmo do novo Código Civil no Senado: Alcolumbre, Pacheco e o relator](
https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-4.png)

Quem manda no projeto. Fonte: Senado Federal.

## As críticas e a defesa

A crítica mais dura vem da jurista Judith Martins-Costa, que em entrevista de junho
de 2025 defendeu o arquivamento e afirmou que o texto “tem problemas transversais,
do primeiro ao último artigo”. Ela disse ainda que o anteprojeto foi elaborado “
às pressas, sem estudos prévios ou diagnósticos”. Do outro lado, o relator Veneziano
afirma que a proposta “passará pelo crivo da sociedade brasileira”, e Flávio Tartuce,
relator-geral da comissão de juristas que escreveu o anteprojeto, vê no livro de
direito digital um exemplo para outros países. A comissão de juristas foi presidida
pelo ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, e entregou o texto em abril de 2024.

![Críticas e defesa do novo Código Civil](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/
uploads/2026/10/novo-codigo-civil-5.png)

Críticas e defesa. Declarações do jurista e dos relatores.

## Mais poder ao juiz?

O ponto central da crítica de Martins-Costa é o uso de conceitos vagos e cláusulas
gerais, que, nas palavras dela, “deixa muito para o juiz decidir sem fornecer critérios”.
Para os críticos, isso gera decisões imprevisíveis e insegurança, inclusive para
investidores. O texto traz, em alguns artigos, limites escritos. No artigo 478, 
por exemplo, a revisão de um contrato por fato imprevisível se limita ao necessário
e deve respeitar a boa-fé e a alocação de riscos que as partes combinaram.

![Conceitos vagos e o papel do juiz no novo Código Civil](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-6.png)

O argumento dos críticos sobre o papel do juiz e o que o texto prevê.

## Contratos: o que o texto prevê

Nos contratos, três dispositivos concentram o debate. Os artigos 317 e 478 permitem
ao juiz corrigir a obrigação, ou rever ou resolver o contrato continuado, quando
um evento imprevisível gerar onerosidade excessiva e exceder os riscos normais. 
O parágrafo 4º do artigo 478 afasta a revisão para a mera impossibilidade econômica
de pagar, quando decorre de fato da esfera pessoal do devedor. Já o artigo 157, 
sobre lesão, permite à parte lesada pedir a revisão do negócio direto na Justiça
e dispensa a prova de que a outra parte agiu com dolo de aproveitamento. Os críticos
veem risco à previsibilidade dos negócios, e os defensores apontam as salvaguardas
do próprio texto.

![O que muda na revisão de contratos no novo Código Civil](https://folhadepatrocinio.
com/wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-7.png)

Revisão de contratos nos arts. 157, 317 e 478 do projeto.

## Redes sociais: o que o texto diz

O livro de direito civil digital cria deveres para as plataformas de grande alcance,
definidas como serviços de hospedagem e difusão de informações com mais de 10 milhões
de usuários mensais no Brasil, como redes sociais, buscadores e mensageiros (artigo
2.027-H). A lei não cita nomes. Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube, TikTok, 
X e Telegram são exemplos de serviços que, pelo número de usuários, poderiam se 
enquadrar. A mudança de maior impacto é a revogação do artigo 19 do Marco Civil 
da Internet, pelo artigo 4º e pelo artigo 20 do projeto. Hoje a plataforma só responde
por conteúdo de terceiros se descumprir ordem judicial específica. O projeto troca
essa regra por hipóteses próprias: a plataforma pode ser responsabilizada por danos
de conteúdo de terceiros distribuído por meio de publicidade dela, ou por descumprimento
sistemático dos deveres do Código (artigo 2.027-Z).

Entre os deveres estão a avaliação anual de riscos sistêmicos, que inclui os efeitos
em processos eleitorais e no discurso cívico, e a auditoria anual independente, 
paga pela empresa (artigos 2.027-X e 2.027-Y). A moderação deve respeitar a não 
discriminação, a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias, e os termos de
uso precisam ser acessíveis (artigos 2.027-V e 2.027-W). O texto veda interfaces
que manipulem o usuário, exige verificação de idade para barrar conteúdo impróprio
a crianças e proíbe publicidade em serviços destinados a elas. Qualquer pessoa poderá
pedir a exclusão de dados que lesem direitos de personalidade e a desindexação de
links inadequados. A defensora pública Fernanda Rodrigues Fernandes, ouvida pelo
Senado, destaca que o livro reafirma fundamentos como a privacidade e a liberdade
de expressão. É nesse ponto que o debate se organiza: de um lado, mais responsabilidade
para as empresas, de outro, o risco de que a pressão por remoção de conteúdo restrinja
o que as pessoas podem publicar.

![Regras para redes sociais e plataformas no novo Código Civil, com logos de Facebook,
Instagram, WhatsApp, YouTube, TikTok, X e Telegram](https://folhadepatrocinio.com/
wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-8.png)

As regras para redes e plataformas no livro de direito digital. Logos: marcas dos
respectivos serviços.

## Linha do tempo: o caminho do projeto no Senado

A linha do tempo abaixo reúne as datas oficiais, da comissão de juristas ao fim 
do prazo da comissão do Senado.

![Linha do tempo do novo Código Civil, do anteprojeto ao fim do prazo da comissão](
https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-9.png)

Linha do tempo do projeto, com datas da tramitação oficial.

## O que falta acontecer

![O que falta acontecer para o novo Código Civil](https://folhadepatrocinio.com/
wp-content/uploads/2026/10/novo-codigo-civil-10.png)

O que falta: relatório, votação, Câmara e sanção.

Faltam o relatório do relator-geral, a votação na comissão e no Plenário, a análise
da Câmara dos Deputados e a sanção presidencial. A discussão ocorre em meio a outros
debates sobre as redes, como o que a Folha mostrou na matéria sobre a promessa de
[Lula de regular as redes sociais](https://folhadepatrocinio.com/noticias/lula-vai-regular-as-redes/).
A Folha acompanha a tramitação e atualiza esta matéria quando o Senado divulgar 
o relatório ou marcar a votação. A página oficial do projeto pode ser conferida 
na [tramitação do PL 4/2025 no Senado Federal](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/166998).
