# Notícia-crime contra Maria Clara e Lafayette chega à PRE-MG

- Link: https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/
- Published: 2026-09-09T13:21:47-03:00
- Author: Eric Fernando Alves

Uma **notícia-crime contra Maria Clara** Marra (PSDB), contra o deputado federal
Lafayette Andrada e contra o assessor parlamentar Carlos Alberto Silva, o Carlão,
foi protocolada em 3 de setembro na Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais.
O documento parte da apreensão de R$ 20 mil em espécie e de caixas de santinhos 
dentro de um carro abordado pela Polícia Militar em Patrocínio, e pede que o Ministério
Público Eleitoral investigue de onde saiu o dinheiro e para onde ele iria.

Quem assina o pedido é um morador de Patrocínio, que atua no processo como cidadão
denunciante, representado por advogado. A Folha optou por não divulgar o nome dele.

As datas explicam o encadeamento. A abordagem policial foi em 26 de agosto. No dia
27, a Folha publicou o conteúdo do [boletim de ocorrência sobre a apreensão](https://folhadepatrocinio.com/noticias/compra-de-votos-em-patrocinio/)
e, no dia seguinte, as [reações dos citados](https://folhadepatrocinio.com/noticias/carlao-e-maria-clara/).
A notícia-crime contra Maria Clara Marra e os outros dois nomes entrou na Procuradoria
uma semana depois da abordagem, já com a repercussão do caso na imprensa da cidade.

![Dinheiro e santinhos apreendidos que originaram a notícia-crime contra Maria Clara
Marra e outros dois citados](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/
08/santinhos-dinheiro.jpg)

Os R$ 20 mil em notas de R$ 100 e o material de campanha encontrados no carro abordado
em Patrocínio. Foto: apuração da Folha de Patrocínio

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 [Toggle](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#)

 * [O que pede a notícia-crime contra Maria Clara e os outros dois citados](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#O_que_pede_a_noticia-crime_contra_Maria_Clara_e_os_outros_dois_citados)
 * [O que registra o boletim da Polícia Militar](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#O_que_registra_o_boletim_da_Policia_Militar)
 * [Quatro linhas de apuração](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#Quatro_linhas_de_apuracao)
 * [O que o documento não afirma](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#O_que_o_documento_nao_afirma)
 * [O que dizem os citados](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#O_que_dizem_os_citados)
 * [Nota de transparência](https://folhadepatrocinio.com/noticias/noticia-crime-contra-maria-clara/#Nota_de_transparencia)

## O que pede a notícia-crime contra Maria Clara e os outros dois citados

A peça tem 17 páginas e não pede condenação de ninguém. O autor requer a instauração
de procedimento investigatório criminal ou de inquérito policial eleitoral, e lista
as diligências que considera necessárias: cópia integral do boletim de ocorrência
junto à 9ª Delegacia de Polícia Civil e à 87ª Companhia da PM, incluindo o registro
fotográfico do dinheiro e do material de campanha, e a oitiva formal dos três homens
abordados e da testemunha que consta do registro.

Dois outros pedidos da notícia-crime contra Maria Clara Marra e os demais miram 
o caminho do dinheiro. Um é a identificação completa da mulher tratada apenas como“
Sara” no boletim, apontada no relato de Carlos Alberto Silva como quem lhe entregou
o valor em Belo Horizonte. O outro é o envio de ofício à Justiça Eleitoral para 
conferir se aparece, nas prestações de contas de Lafayette Andrada e de Maria Clara
Marra, algum lançamento compatível com os R$ 20 mil apreendidos.

## O que registra o boletim da Polícia Militar

Segundo o REDS nº 2026-039496398-001, a guarnição fazia patrulhamento preventivo
na Rua Itália, no bairro Nações, quando encontrou um Ford EcoSport prata estacionado
com as portas abertas, por volta das 16h47. Três homens estavam nas proximidades
e foram abordados quando entraram no veículo. Um deles se apresentou como ex-vereador
e assessor parlamentar, Carlos Alberto Silva. Os outros dois disseram aos militares
que trabalhavam para ele.

Na busca veicular, os policiais encontraram R$ 20 mil no porta-luvas, em notas de
R$ 100 acondicionadas num saco de papel. No compartimento de bagagens havia caixas
com material de propaganda eleitoral dos dois parlamentares, fotografado e anexado
ao registro.

Ainda conforme o boletim, ao ser questionado sobre a origem e o destino do dinheiro,
Carlos Alberto Silva demonstrou nervosismo e apresentou contradições. Ele então 
declarou à autoridade policial que havia recebido o valor em Belo Horizonte, das
mãos de uma mulher identificada apenas como “Sara”, que se apresentava como assessora
de Lafayette Andrada, e que o numerário seria destinado às campanhas dele e de Maria
Clara Marra. O veículo foi liberado no mesmo dia.

![Card com os fatos sobre Carlos Alberto Silva, o Carlão, citado na notícia-crime
contra Maria Clara e outros](https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/
09/card-carlao.jpg)

O que o boletim de ocorrência e a notícia-crime dizem sobre Carlos Alberto Silva.
Arte: Folha de Patrocínio

## Quatro linhas de apuração

A notícia-crime contra Maria Clara Marra e os demais citados separa o que precisa
ser investigado em quatro hipóteses, e faz questão de não misturá-las.

A primeira é a de captação e gasto de recursos fora da contabilidade de campanha,
prevista no [artigo 30-A da Lei nº 9.504/1997](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm),
que trata do chamado caixa dois e dos recursos de origem não identificada. A segunda
é a falsidade ideológica eleitoral do artigo 350 do Código Eleitoral, que dependeria
de o dinheiro ter sido omitido ou lançado de forma falsa na prestação de contas.
A terceira é a eventual origem criminosa dos valores, com possível lavagem de capitais.
A quarta é a corrupção eleitoral do artigo 299, que exige demonstrar ligação entre
a vantagem e a obtenção de voto.

Para sustentar o pedido, o texto reúne precedentes do Tribunal Superior Eleitoral.
Um deles é o caso de um deputado estadual de Rondônia que teve o diploma cassado
por movimentar recursos de origem não identificada. Outro é de sentido contrário,
em que a corte manteve a absolvição por faltar prova da ilicitude do dinheiro.

## O que o documento não afirma

![Card com os fatos sobre a deputada Maria Clara Marra, citada na notícia-crime](
https://folhadepatrocinio.com/wp-content/uploads/2026/09/card-clara.jpg)

A posição da deputada Maria Clara Marra no caso, conforme os documentos. Arte: Folha
de Patrocínio

A notícia-crime contra Maria Clara Marra e os outros dois nomes não imputa crime
a ninguém. Em uma seção específica, o autor escreve que o pedido “não pretende atribuir,
de forma antecipada ou conclusiva, a prática de crimes aos envolvidos, aos candidatos
mencionados ou à pessoa identificada como Sara”. O que ele quer, segundo o próprio
texto, é acionar o órgão competente e preservar as provas enquanto elas existem.

Não há, até esta publicação, denúncia formal oferecida contra os citados, ação penal
em curso ou condenação relacionada ao caso. Protocolar uma notícia-crime também 
não garante que ela vá adiante: cabe ao Ministério Público Eleitoral decidir se 
abre o procedimento, se pede novas diligências ou se manda arquivar.

## O que dizem os citados

Carlos Alberto Silva gravou um vídeo em suas redes sociais, no fim de agosto, negando
a versão publicada. Maria Clara Marra classificou a reportagem como caluniosa em
comentário nas redes. Lafayette Andrada não se manifestou publicamente sobre o episódio.

Sobre a notícia-crime contra Maria Clara Marra, Lafayette Andrada e Carlos Alberto
Silva, protocolada em 3 de setembro, nenhum dos três havia se pronunciado até o 
fechamento desta edição. A Folha procurou os parlamentares, o assessor e as respectivas
assessorias e não obteve retorno. O espaço segue aberto, sem prazo, e qualquer manifestação
será publicada com o mesmo destaque.

## Nota de transparência

O redator-chefe da Folha de Patrocínio responde a duas ações de direito de resposta
movidas por Maria Clara Matos Marra na Justiça Eleitoral (TRE-MG nº 0602659-53.2026
e nº 0602687-21.2026). Essa relação não interferiu na apuração desta reportagem,
que se baseia na íntegra da notícia-crime protocolada na Procuradoria Regional Eleitoral
em Minas Gerais e no boletim de ocorrência REDS nº 2026-039496398-001, da Polícia
Militar de Minas Gerais.
